• Letra Espírita

A Mãe de André Luiz


Enquanto André permanecia em tratamento, num parque de saúde, em Nosso Lar, estranhava a falta de visitas. Um dia, não pôde se conter e perguntou ao enfermeiro sobre a possibilidade de encontrar aqueles que o haviam antecedido na morte do corpo físico. Afinal, seus pais e muitos amigos partiram antes e não havia notícias sobre nenhum deles.


Lísias o informou que sua mãe o acompanhava dia e noite, desde que enfermara para deixar o corpo terrestre. Que, durante a sua permanência no Umbral, ela não medira esforços, intercedendo, muitas vezes, em Nosso Lar. Rogou os bons ofícios de Clarêncio, que o visitava frequentemente. Foram anos de proteção imperceptível, até o dia em que, cansado de sofrer, orou com tanto fervor que tornou sua posição receptiva. Clarêncio não tivera dificuldade em localizá-lo, atendendo aos apelos da carinhosa genitora da Terra. Ele, porém, demorara muito a encontrar Clarêncio!


A mãe de André chorou de alegria, quando ficou sabendo que seu filho havia rasgado os véus escuros, com o auxílio da oração. Ela não agia diretamente, porque não residia em Nosso Lar. Habitava esferas mais altas onde trabalhava arduamente pelos sofredores.


André passava os dias refletindo sobre a vida. Sabia que os benfeitores do Ministério do Auxílio eram excessivamente generosos para com ele. E, ainda que o importunasse a grande ansiedade de rever o lar terrestre, abstinha-se de pedir novas concessões. Calava-se resignado e triste.


Certo dia, Lísias lhe trouxe a notícia de que alguém tinha vindo visitá-lo. E foi com os olhos arregalados de alegria que viu sua mãe entrar de braços estendidos. Abraçou-se a ela, chorando de júbilo, experimentando os mais sagrados transportes da ventura espiritual. Beijava-a repetidamente, sentia-se criança novamente. Qual menino que procura detalhes, encontrava-a com cópia perfeita de um dos seus trajes caseiros, cabelos brancos como a neve, as rugas no rosto e o olhar calmo de todos os dias.


Em contato com a ternura de todos os tempos, André sentiu que se lhe avivavam as chagas terrenas. Sentia, erroneamente, que sua genitora deveria continuar sendo o repositório de suas queixas e males sem fim. Do pranto de alegria, passou às lágrimas de angústia, revivendo os dolorosos trâmites terrestres. Sua mãe ouviu-o calada. Assim que ele deu uma pausa às lamúrias, ela o repreendeu carinhosamente. Disse-lhe que a dor não nos edifica pelos prantos que vertemos, mas pela porta de luz que oferece ao espírito, a fim de sermos mais compreensivos e humanos. Aconselhou-o a modificar a atitude mental. Fluidos vigorosos partiam do sentimento materno, vitalizando-lhe o coração dolorido. A palavra maternal consolou-o. Inesperado contentamento banhou-lhe o espírito, passando a sentir-se outro, mais alegre, animado e feliz.


Ela lhe contou que seu pai permanecia, há doze anos, numa zona compacta das trevas no Umbral. Na Terra, sempre parecera fiel às tradições de família, arraigado ao cavalherismo do alto comércio e ao fervor do culto externo em matéria religiosa. Era, no entanto, fraco e mantinha ligações clandestinas fora do casamento. Ligara-se, por isso, a duas entidades pertencentes à vasta rede de entidades maléficas. Assim que desencarnou, Laerte foi flagrado pelas desventuradas criaturas, a quem fizera muitas promessas. (…)


Duas irmãs de André permaneciam igualmente no Umbral. Eram Clara e Priscila, por quem a mãe afetuosa também precisava velar. Antes podia contar com a cooperação da outra filha, Luísa, que desencarnara quando André era ainda pequenino. Luísa fora um braço forte no trabalho de amparo à família terrena. Mas já não podia contar com a sua ajuda. Voltara a reencarnar, na semana anterior, num supremo gesto de renúncia, dada a grande perturbação dos familiares ainda na Terra. Contava, então, com o restabelecimento de filho, para o desdobramento em atividades do bem.


André teve o prazer de ser conduzido, em sonho, até o plano em que se encontrava a sua mãe, no primeiro dia de trabalho útil. Desde então, de longe em longe, era visitado por ela. Na última vez em que se avistaram, ela afirmou que tomara novas resoluções. Nos primeiros dias de setembro, veio às Câmaras e comunicou-lhe o propósito de voltar à Terra. Explicou-lhe que há muitos anos vinha trabalhando para reerguer o marido, porém os seus esforços se mostravam improfícuos. (…) Concluíra que não podia ajudá-lo à distância. Estudara detidamente o assunto e consultara superiores hierárquicos. Chegara à conclusão que não lhe restava alternativa senão reencarnar.


Na semana anterior, Laerte fora localizado na Terra, tentando fugir do cerco das mulheres, que ainda o subjugavam. Aproveitando a ocasião propícia, alguns colaboradores amigos providenciaram seu imediato retorno à esfera da carne. A mãe de André seguiria logo. Quanto às duas obsessoras, seriam recebidas como filhas dali alguns anos. Num gesto extremo de renúncia receberia, em seu regaço materno, aquelas irmãs que suportavam pesados fardos da ignorância e da ilusão. (…)


Aquela anciã venerável não era tão somente a mãe de André. Era a mensageira do Amparo, que sabia converter verdugos em filhos, para que eles retomassem o caminho dos filhos de Deus.


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Fonte: Editora Eme

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