• Letra Espírita

Deja vú


Por: Juliana Procópio


Quem não se recorda de uma cena famosa de novela onde o mocinho e a mocinha se esbarram e ao se encararem ficam pasmos olhando um para o outro se perguntando de onde se conhecem. Ou você está caminhando por algum lugar e de repente tem a sensação que já esteve nele, que já ouviu ou teve aquela mesma conversa. Quem já não passou pela mesma sensação não sabe o quanto isso pode ser estranho.


Segundo o parapsicólogo francês Émile Boirac essa sensação chama-se déjà vu, fenômeno que para a ciência não está totalmente esclarecido, mas que acredita-se ocorrer “devido a uma troca de informações errônea no cérebro”.


O déjà vu ocorre porque o cérebro possui vários tipos de memória, como a memória imediata, que é capaz de repetir um número de telefone e depois esquecê-los. A memória de curto prazo dura algumas horas e a memória de longo prazo, que dura meses ou até anos. O déjà vu é na verdade, uma falha no cérebro, onde os fatos que estão acontecendo são armazenados diretamente na memória de longo ou médio prazo, quando o correto seria ir para a memória imediata, dando assim a sensação que o fato já ocorreu antes.


Esse fenômeno já era estudado desde a Grécia antiga e, com o passar do tempo, foi ganhando outras explicações como a que defendem os parapsicólogos que vêm nesse fenômeno uma forma de premonição. Na psicologia temos duas explicações de dois grandes nomes da área, Carl Gustav Jung e Sigmund Freud.


Para Jung, o déjà vu é apenas um produto do inconsciente coletivo. Já para Freud, ele acontece quando revivemos um trauma inconsciente, porque costumamos reprimir as memórias ruins como um mecanismo de defesa, mas a sensação de familiaridade pode permanecer e gerar essa lembrança confusa.


Algumas pesquisas dão conta de que esse fenômeno é muito comum entre jovens até os 25 anos e ocorrerem ao menos uma vez ao ano. Também explicam que é algo muito comum tanto entre homens como entre as mulheres. Para alguns pesquisadores o déjà vu é ainda uma espécie de teste natural da memória. “Assim, quando esse fenômeno acontece com alguém significa que a sua capacidade de memorizar informações esteja funcionando corretamente”.


Buscando dentro dos estudos nas obras básicas codificadas por Kardec a reencarnação é uma das explicações para esse fenômeno e para as sensações que sentimos como conhecidas, pois todas as nossas encarnações estão gravadas no espírito e armazenadas em nosso inconsciente e estão cobertas pelo véu do esquecimento para que possamos cumprir as provas às quais nos propomos antes de reencarnar e para tanto não influenciar em nossas escolhas presentes.


Na espiritualidade, encontraremos explicações diferentes do que dizem as teses da ciência. O espiritismo explica que estas visões são lembranças de momentos vividos em outras vidas. Sabemos que nós somos espíritos reencarnados em constante evolução, e por isso muitas lembranças de outras vidas ficam gravadas no nosso períspirito (invólucro fluídico que, para os espíritas, liga o espírito ao corpo) e retornam à nossa mente quando vemos alguma imagem, ouvimos um som, sentimos um cheiro ou sentimos uma sensação.


A explicação da questão 152b de O Livro dos Espíritos nos informa que a doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem várias existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça divina com relação aos homens de uma condição moral inferior. Trata-se da única que pode nos explicar o futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois nos oferece o meio de resgate dos nossos erros por meio de novas provas. A razão assim nos diz e é o que os Espíritos nos ensinam.


Ainda em O Livro dos Espíritos, capitulo VIII, que trata da Emancipação da Alma Kardec pergunta a espiritualidade se duas pessoas que se conhecem podem se visitar durante o sono e a espiritualidade responde que: “Sim, e muitas outras que creem não se conhecerem, se reúnem e conversam. Podes ter, sem disso suspeitar, amigos em outro país. O fato de ir ver, durante o sono, os amigos, os parentes, os conhecidos, as pessoas que vos podem ser úteis, é tão frequente que o fazeis quase todas as noites”.


Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí resulta a espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares mais distantes ou que jamais se viu e, às vezes, mesmo a outros mundos. Daí, também a lembrança que retrata na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas anteriores. A singularidade das imagens referentes ao que se passa ou se passou nos mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam os conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter sentido, nem nexo.


Assim, essa resposta da espiritualidade demonstra uma das relações que podemos fazer com o fenômeno Déjà Vu. Nos sonhos vamos a muitos lugares, encontramos com outras pessoas que na Terra ainda não conhecemos (encarnadas ou não), mas que nos são especiais a muitas reencarnações e que se as reencontramos os laços de afeição que nos unem trazem a memória resquícios dessas vidas. O mesmo acontece em relação aos lugares que vivemos ou visitamos durante o sono.


Categorizados por Allan Kardec como fenômenos de emancipação da alma, o sono e os sonhos são indicativos de que o Espírito encarnado nunca está inativo, ainda que mantido ligado ao corpo físico pelo perispírito: Durante o sono, apenas o corpo repousa, pois o Espírito não dorme; aproveita-se do repouso do corpo e dos momentos em que a sua presença não é necessária para atuar isoladamente e ir aonde quiser, no gozo então da sua liberdade e da plenitude das suas faculdades.

Portanto, tudo o que vivemos em nossas vidas passadas bem como o que vivenciamos durante o sono ficam gravados em nosso inconsciente. Desse modo o Déjà Vu seria um resquício dessas lembranças.


Lembranças são como a poeira que se vai, mas não desaparece.


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