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Episódio da Vida de Tibério, a Verdade dos Fatos


Depois de A vingança do Judeu e O Faraó Mernephtah, a Editora EME reedita mais uma pérola do Conde J. W. Rochester, Episódio da vida de Tibério, um romance épico – o primeiro da literatura rochesteriana – que expõe os horrores e depravação que grassavam nas cortes palacianas do Império Romano sob o comando do general e depois imperador Tibério Julio Cesar, a quem os historiadores antigos denominam “o mais sombrio dos homens e o mais cruel dos doze Césares”.


As linhas acima grafadas não foram extraídas dos arquivos imperiais, mas vêm do próprio Tibério. “É com desprazer que atendo a esse pedido”, inicia ele sua confissão, alegando que a História não lhe foi fiel. “Os que a escreveram tanto acrescentaram, desnaturaram e retificaram os fatos, sob a impressão do momento, que, da maior parte dos homens desse tempo, nada mais ficou de verdadeiro, além dos respectivos nomes”.


O imperador sombrio e triste


Segundo imperador de Roma, do ano 14 ao 37 da nossa era, período em que a Terra era iluminada pela passagem do ser mais perfeito que Deus já enviou ao planeta, Tibério não parece ter sido tocado por essa divina luz. E mesmo depois de vários séculos, ainda parece o mesmo ser sombrio e triste que o mundo conheceu.


“No episódio, que irei narrar, abusei de meu poder, dando larga vazão à minha crueldade sobre uma mulher indefesa, que o acaso da guerra trouxe às minhas mãos. Eu desejava ser amado; todavia, jamais consegui esse resultado, que busquei, ao longo de séculos, com toda teimosia tenaz de meu caráter”.


Bem verdade que a narrativa circunscreve-se ao tempo em que Tibério era apenas herdeiro ao trono (era enteado de Otaviano, a quem sucedeu), embora já fosse admirado por suas campanhas na Germânia, que tanto contribuíram para a expansão do Império. Os requintes de crueldade nas torturas e sofrimentos infligidos sobre os vencidos, porém, davam-lhe fama de sanguinário e devasso. “Envergonho-me do passado, agora que séculos e vidas expiatórias me hão moderado e tudo transformado em mim; a simples lembrança de minha malícia e crueldade faz-me tremer”.


Outros personagens, outras versões


Outros personagens importantes também dão a sua própria versão aos fatos. Lélia, prisioneira de guerra que Tibério tomou para si, mas sem jamais ter conseguido subjugar, revela o caráter de Tibério, espírito que a tem acompanhado em seguidas encarnações.


“Ao fazer a descrição desta vida e de várias outras, cheguei, muitas vezes, a duvidar da Justiça Divina, que, tantas vezes, tornou a me colocar sob o poder daquele monstro, a fim de corrigi-lo, sem levar em conta o quanto aquilo me custava. Tendo morrido jovem, na maior parte das vezes, por mais de um século cheguei a reencarnar mais de uma vez, e se me era concedida uma vida de repouso, na seguinte eu, inevitavelmente, tornava a encontrar Tibério”.


O terceiro testemunho, dado por Veleda, que experimentou prova semelhante, como escrava sexual de um procônsul romano, confirma cada palavra de Lélia, que foi sua companheira de cela nos longos dias em que aguardavam o suplício na arena romana. As histórias de Lélia e Veleda, porém, terão desfechos distintos. Veleda consegue escapar da morte, numa fuga espetacular, enquanto Lélia é salva das feras pelo gladiador Astartos, que faz o último dos quatro relatos daqueles dias terríveis e tumultuados.


Resquícios do ódio


O convite para leitura (ou releitura) dessa obra vem do próprio autor espiritual, J. W. Rochester, na introdução. “Nossos leitores assistirão à morte violenta de altos dignitários romanos, cujas sensações, no momento da passagem de suas almas a outra existência, descrevo em fases diferentes”.


Estes e outros espíritos ligados à mesma trama continuam reencarnando na Terra, lado a lado, e, no momento em que deram esses testemunhos alguns estavam reencarnados – caso de Tibério —, outros na erraticidade. “Acima de tudo, esses espíritos desejam ser úteis a seus irmãos em humanidade”, assinala o autor espiritual.


E, em se tratando de J. W. Rochester, pelos muitos romances que já ditou à médium Vera Krijanovsky, sugerimos que o leitor se prepare devidamente, pois sentirá, nos seus relatos, os resquícios do ódio e das paixões que animaram e ainda deixam marcas profundas em suas almas.


Quem foi Rochester

Não há registro de data precisa, mas acredita-se que John Wilmot Rochester nasceu em 1 ou 10 de abril de 1647.


Apesar de ter herdado o título de Conde aos 11 anos e, aos 14, ser considerado “Master of Arts” pelo Wadham College, em Oxford, graças à sua ampla cultura, a verdade é que ele viveu as mais diferentes experiências: desde combates à marinha holandesa em alto mar até envolvimento em crime de morte, abusos sexuais, alcoólicos e charlatanismo – período em que Rochester atuou como “médico”.


Célebre almirante sob o reinado de Carlos II, da Inglaterra, aos 20 anos, Rochester casou-se com Elizabeth Mallet e, dez meses após, a bebida começava a afetar seu caráter, fazendo com que sua vida seguisse por caminhos de desatinos.


Aos 30 anos, quase cego e coxo, retorna a Londres e dita suas memórias para o sacerdote Gilbert Burnet, reconhecendo ter vivido uma existência iníqua, cujo fim lhe chegava lenta e penosamente em razão das doenças venéreas que lhe dominaram até sua morte, em 26 de julho de 1680.


Na condição de espírito, além de velar por um grupo de espíritos afins que o acompanharam em diversas jornadas físicas, algumas inclusive relatadas em suas obras, Rochester passa a trabalhar pela propagação do espiritismo, auxiliando seu antigo amigo e mestre Allan Kardec, com quem teve a oportunidade de conviver em algumas de suas existências.


Vera, a médium


Para isso, Rochester escolheu e preparou uma médium desde a infância, a jovem Vera Ivanovna Kryzhanovskaia, que descendia de uma antiga família nobre da província de Tambov, na Rússia.


Nascida em Varsóvia no dia 14 de julho de 1861, Vera perdeu seu pai aos dez anos de idade, fato que deixou sua família em situação econômica complicada. Além dos problemas financeiros, sua frágil saúde a fez concluir sua educação em casa. Quando estava com 18 anos, aproveitando seus dons mediúnicos, o espírito Rochester materializou-se e propôs que ela se dedicasse de corpo e alma a serviço do bem e que escrevesse sob sua direção.


O primeiro livro, o romance histórico Episódio da vida de Tibério, foi publicado em Paris em 1886. Até 1890, Vera produziu uma sequencia de romances históricos, o que não evitou sua morte na mais completa miséria no dia 29 de dezembro de 1924 na cidade de Tallin, capital da Estônia.


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Fonte: Editora Eme