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Família e Espiritismo

Atualizado: 26 de Set de 2019



Por: Jessica Araújo


O significado da palavra família, segundo o dicionário é ‘’Conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela, conjunto formado pelos pais e filhos’’. A sensação transmitida pela palavra família é de proteção, de pertencer a um grupo ou lugar, de amor e de afetos dentro de um lar, saber que ali as pessoas te amam verdadeiramente que te aceitam com defeitos e qualidades.


A função da família é fundamental para o desenvolvimento da sociedade e sua evolução moral. Temos o primeiro contato de convívio dentro do lar, os ensinamentos de valores morais do que é certo e errado, aprender a compartilhar com o próximo, a respeitar as diferenças, aprender direitos e deveres. É o papel da família educar, mostrar os caminhos da vida, dar suporte na hora da necessidade do auxílio, orientar sobre a vivência no mundo, que a cada instante muda, se renova.


Atualmente existem vários tipos de formações de famílias, na antiga Roma, eram constituídas pelas famílias patriarcais, chefiadas pelos homens, hoje em dia e cada vez mais crescente as famílias são chefiadas e organizadas por mulheres, casais homossexuais que constituem famílias com filhos, através de doação ou métodos de inseminação, formam também seus lares.


Entretanto nem todo convívio familiar é sadio, harmonioso, solidário, um filho que não se solidaríeis pelos seus pais, irmão que não conseguem nem ficar próximos um do outro, parentes que não se toleram. O que causa isso, será um problema específico, ou uma má educação? Por que uma mãe e seus filhos não possuem afinidades, tornando-se estranhos?


Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, existem dois tipos familiares: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais, no capítulo XIV, Item 8, é abordado e esclarecido o assunto sobre essas questões: “Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede de Espírito, porque o Espírito existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho. Ele só lhe fornece um envoltório corporal, mas deve ajudar em seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir.


Os Espíritos que encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, muito frequentemente são Espíritos simpáticos, unidos por relações anteriores, que se traduzem em sua afeição durante a vida terrestre. Mas pode também acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, divididos por antipatias igualmente anteriores, que também se traduzem em seu antagonismo na Terra, servindo-lhes de provação. Os verdadeiros laços de família não são, pois, o de consanguinidade, mas os de simpatia e comunhão de pensamentos que unem os Espíritos, antes, durante e depois de sua encarnação’’.


Item- 9: [...] quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo paixões ou virtudes inerentes à sua natureza, e vai ao espaço aperfeiçoando-se ou ficando estacionário até que queira ver a luz. Alguns partem, pois, levando consigo fortes ódios e desejos insaciados de vingança [...].


Finalmente, após alguns anos de meditações e de preces, o Espírito aproveita-se de um corpo que se prepara na família de quem detestou, e pede-se aos Espíritos encarregados de transmitirem as ordens superiores – para cumprir na Terra os destinos desse corpo que acaba de se formar. Qual será, então, sua conduta nessa família? Dependerá de maior ou menor resistência de suas boas resoluções. O incessante contato com os seres que odiou é uma prova tolerável, sob a qual ele as vezes sucumbe, se sua vontade não é suficientemente forte. Assim, conforme seja levado pela boa ou pela má resolução, ele será amigo ou inimigo daqueles que entre os quais foi chamado a viver. Por aí se explicam estes ódios, estas repulsas instintivas que se notam em certos filhos, e que nenhum ato anterior parece justificar. Com efeito, nada nessa existência poderia ter provocado essa antipatia. Para dar conta disso é preciso voltar o olhar para o passado’’.


Com essas palavras tão sábias e esclarecedoras, mostra-nos que antes desse corpo físico, existe um espírito repleto de bagagens de histórias boas ou ruins, que a reencarnação em um lar não é por acaso, e sim uma prova para a evolução ou auxílio para esse círculo familiar.


A caridade é o princípio para um convívio harmonioso, ser caridoso com seu familiar, mesmo que se julgue não merecedor, conviver com as diferenças, ser tolerante, saber perdoar. Plantar nesse momento a semente do amor e semeá-la, é a forma de tocarmos o próximo quando o mesmo se faz distante, é dever nosso lembrarmos que somos filhos de um Pai, e pertencemos a mesma família buscando o mesmo objetivo, a evolução espiritual e moral. Diga a sua família, eu te amo, seja amável em situações difíceis, a cada amanhecer isso fortalecerá os laços eternos dessa grande família. Nós não reencarnamos onde queremos, onde será mais fácil, mas onde se faz necessário a evolução.

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Referência:

KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, São Paulo, 1º edição eletrônica, editora EME.


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