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O jardim dos outros...

Atualizado: 8 de Jul de 2019



Rocelito Paulo


Aprendemos desde cedo que nós somos criados à imagem e semelhança de Deus. Embora nenhum de nós tenha visto Deus pessoalmente, nos contentamos com a ideia de sermos um reflexo divino, ou como diria Platão, uma “imitação”.

Como imitação, acostumamos a enxergar, nos outros, os defeitos que em nós são desculpáveis e, também, a beleza que em nós é esforço, afinal, imagem é a retratação de uma paisagem, nunca de uma ação.

Foi assim que aprendemos a admirar o jardim do vizinho e a contar as borboletas que nele esvoaçam. Como são lindas! E o gramado, como é verdinho... e as flores, ah, as flores! O vizinho tem sorte por ter um jardim divino assim...

Vendo as borboletas, a grama e as flores, somos capazes de ver o sucesso e a sorte dos outros, e somos levados a crer que as bênçãos divinas só recaem sobre os jardins alheios por uma dádiva especial.

E é verdade!

É a dádiva do trabalho, da dedicação, da perseverança, da crença e fé num objetivo, do qual o jardim é apenas um resultado.

Nenhum jardim prospera sem que antes sua terra não tenha sido revolvida, trabalhada... sem que as ervas daninhas tenham sido colhidas e removidas cuidadosa e rotineiramente... sem que cada semente e cada muda tenha sido plantada pensando-se no desabrochar das flores num amanhã qualquer... Nenhum jardim prospera sem o devido preparo!

Ser um jardineiro: servir à natureza, amá-la, insistir cotidianamente, plantar, replantar quantas vezes for necessário, observar quais plantas adornam melhor ao sol, quais adornam melhor à sombra, e quanto mais dedicado for o jardineiro, mais perfeito o seu jardim...

Assim também é a nossa vida... Em nós, a imagem e semelhança divina residem no propósito de, como seres humanos, escolhermos ser jardineiros com ou sem jardim...


Se apenas ficamos lamentando o nosso mundo e admirando a eternidade da solidão das estrelas, nos transformamos num jardineiro passivo, e o nosso jardim fica estéril, inexequível, triste, acabrunhado... é como um jardineiro que despreza o seu próprio jardim e com o tempo passa a enxergar nas rosas somente o perigo dos espinhos, ainda que elas venham a perfumar...

Se nos colocamos em ação e buscamos mudar o mundo, principalmente o nosso mundo interior, nos tornamos um jardineiro com esperança e expectativa de uma primavera vindoura... e passamos a ver nas rosas o esplendor do perfume, mesmo que elas possuam espinhos...

Todo bom jardineiro sabe que enfrentará a chuva, os besouros e os pedintes de flores... sabe que não faltará quem queira lhe destituir o jardim... sabe que flores murcharão, que plantas perecerão, mas saberá sempre que o fracasso só aparecerá quando do seu íntimo ele começar a desistir...

Muitos de nós não perderia tempo em aprender a cultivar flores, a sequer a manejar uma enxada... preferiria colher aquela flor que a natureza simplesmente nos oferta como incentivo à beleza, como um convite à uma nova experiência...

Rejeitado o convite, fica a admiração pelo jardim dos outros, dos que souberam trabalhar à espera da primavera...

Se somos a imagem e semelhança de Deus, do Deus que cria o universo, que ilumina as estrelas, que libera o céu para os pássaros e alaga os rios para os peixes, deveríamos ser também o agente que transforma a terra no berço da vida, um jardineiro que prepara o canteiro para as flores...

Se somos a imagem e a semelhança de Deus, não deveríamos invejar o jardim dos outros: deveríamos aprender a cultivar nosso próprio jardim...

Cultivar principalmente o jardim de nossa alma: oração, pensamento positivo, abraço fraternal, boas atitudes, crença na bondade alheia, fé na humanidade, palavra amiga, amizade sincera, são sementes que quando lançadas ao redor do nosso caminho, frutificam quando a gente menos espera, produzindo amor.

O sucesso disso tudo se revelará nas borboletas que aplaudem, com suas asas e suas cores, a pintura e o perfume das flores, mesmo aquelas que tem espinhos.


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