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O Jovem Espírita e os Laços de Amizade



Muito comum na adolescência estreitarmos os laços, iniciarmos novas amizades, amigos da escola, faculdade, da rua, do trabalho para aqueles que já entraram no mercado de trabalho.

O jovem, por onde anda, espalha essa energia que deveríamos cultivar por toda a vida, mas como fazer para não chegar à vida adulta deixando com que as decepções e o comodismo façam com que desista de espalhar esse amor? Vamos falar um pouquinho sobre isso? Vamos lá jovens...

Qual a finalidade desse amor? Da amizade? Fomos criados simples e ignorantes, mas com o propósito de evolução, e, não há possibilidade de evolução sem as provas, sem o convívio com as pessoas, sem a amizade diária que Deus coloca em nosso planejamento reencarnatório.

Até mesmo os nossos amigos espirituais que possuem a missão de nos orientar nesta encarnação, podem ter tido amizade conosco em outra época ou às vezes ainda não, mas devido ao trabalho que desenvolvem em nossa encarnação criam um vínculo de amor e amizade.

Os amigos têm influencia diretamente em nossa formação, na forma como nos vestimos, nos vídeos e séries que assistimos, de como tratamos nossas paixões. Os amigos são os primeiros a perceberem quem é o nosso “crush”, às vezes antes de nós mesmos, pois quando olhamos para alguém de forma diferente o amigo já fala.. “hmm, ele é seu crush?”

O que é preciso é uma maturidade maior do jovem espírita no momento de diferenciar o que é bom do que é ruim, como por exemplo, bebidas, álcool.. e quando supostamente a pessoa demonstra uma imensa felicidade mesmo com hábitos nocivos a sua vida e está lá no Facebook, no Instagram ou no WhatsApp fique esperto, pois a realidade só vem quando ele se depara no espelho, sozinho, quando olha para si mesmo, onde não podemos fingir os sentimentos, onde sente de verdade que não queria ser preso a determinados vícios.

Existem as amizades que são aquelas momentâneas ou aqueles amigos que não queremos desgrudar, e que as meninas chamam de BFF (Best Friend Forever) e às vezes sentimos até ciúmes de outro amigo ou amiga que se aproxima. Há aqueles que mesmo distantes preenchem nosso coração e depois de um tempão sem ver quando encontramos parece que foi ontem, não é verdade?

Encontramos aqueles amigos que compartilham as mesmas idéias, ou mesmo aqueles amigos que são momentâneos e que nesta encarnação estará conosco pouco tempo, pois é somente em determinada ocasião.

Nos aproximamos de amigos por afinidade, por gostar das suas idéias, por compartilhar as mesmas.

O livro “O Pequeno Príncipe” possui um dos maiores exemplos de amizade, a raposa mostra ao príncipe que quando cativamos alguém, esse alguém se torna único,o príncipe achava que a rosa que tinha era única e chegou na terra viu que tinha roseirais, ficou decepcionado ao ver tantas rosas iguais a sua, mas quando observou que nenhuma delas o havia cativado observou que a sua era sim única.

A raposa também demonstra o quanto somos responsáveis pelo que cativamos, disse que se ele viera todos os dias no mesmo horário para vê-la ela já estaria meia hora antes aguardando sua chegada.

Quantas vezes não fazemos isso, cativamos alguém para que essa pessoa nos espere e depois simplesmente nos afastamos? É preciso que o jovem espírita seja diferente para não vacilar com ninguém, pois não sabemos a trajetória daquela pessoa, o que ela passou em vidas anteriores, não sabemos o quanto esse amigo irá sofrer, devemos cativar aqueles amigos que realmente queremos criar laços, para não criarmos um sofrimento alheio desnecessário.

No “Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XI (Amar ao Próximo Como a Si Mesmo), item 9, os Espíritos nos trazem a refletir, pois nos vinculamos a um pequeno circulo de amigos e esquecemos que a reencarnação é justamente para aumentar os laços entre as pessoas, para amarmos a outras pessoas que ainda não estão em nossos vínculos mas que podemos partilhar o afeto.

“Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a idéia de que outros venham a partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! o vosso afeto vos torna egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos indiferentes os demais. Pois bem! para praticardes a lei de amor, tal como Deus o entende, preciso se faz chegueis passo a passo a amar a todos os vossos irmãos indistintamente. A tarefa é longa e difícil, mas cumprir-se-á: Deus o quer e a lei de amor constitui o primeiro e o mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que um dia matará o egoísmo, qualquer que seja a forma sob que se apresente, dado que, além do egoísmo pessoal, há também o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Disse Jesus: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos.” Ora, qual o limite com relação ao próximo?”.

Em “O Livro dos Espíritos” encontramos também sobre os laços de amizade:

417. Podem Espíritos encarnados reunir-se em certo número e formar assembleias?

“Sem dúvida alguma. Os laços, antigos ou recentes, da amizade costumam reunir desse modo diversos Espíritos, que se sentem felizes de estar juntos.” Pelo termo antigos se devem entender os laços de amizade contraída em existências anteriores Ao despertar, guardamos intuição das idéias que haurimos nesses colóquios, mas ficamos na ignorância da fonte donde promanaram.”

Sabemos que ter amigos também não é fácil, pois não é fácil lidar com outra pessoa. Quando posso saber se essa amizade está saudável? Às vezes gostamos muito de alguém, mas queremos controlar a vida dessa pessoa e esquecemos que somos individuais e imortais.

Será que aquela pessoa que falou de você se estivesse em outra vibração, agiria desta forma? Precisamos entender que cada pessoa tem um tempo, Será que nós não agimos assim em alguns momentos? Jovem, onde está o limite do que realmente somos para a outra pessoa e o que nos convém?


Precisamos tirar de nossos corações qualquer expectativa de retorno de pessoas a que nos vinculamos, pois se não criamos expectativas não sofremos

Às vezes nos perguntamos se nosso amigo é verdadeiro, mas esquecemos que verdadeiro é aquilo que é puro e ainda não estamos preparados, mas estamos nos preparando para amar assim, e quando estivermos em um grau de adiantamento mais elevado todos os vínculos serão verdadeiros pois não existirá laços por interesse, nem mesmo por necessidade.

Mas um amigo que nos decepciona deixa de ser verdadeiro o sentimento de amizade? Às vezes naquele momento aquela pessoa não está preparada para ser fiel, para amar, pois muitas vezes não foi amada e não sabe o que é amor, mas chegará o momento que aprenderá e nem sempre o momento é aquele que queremos ou esperamos.

Muitos de nossos inimigos de hoje são resultados de relacionamentos de amizades doentias, sem maturidade de existências anteriores em que confiaram em nós e foram traídos por nós ou o contrário, pessoas em que confiamos e fomos traídos por eles. E quando o cristo veio com a máxima de amai os vossos inimigos, inicialmente parece impossível, mas o espiritismo abre esse leque e os espíritos nos mostram que esse “amar” não é o mesmo que confiar pois naquele momento aquela pessoa não está preparada e nem apta a ter a sua confiança dependendo do desequilíbrio dela vai te causar um mal. Encontramos esse trecho específico no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XII, item 3:

“Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho. Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas ideias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo.”

Demonstrando assim que devemos estar preparados para perdoar, para deixar nossos amigos livres de culpa e se tiver que estar presente ao nosso lado, se assim for o planejamento reencarnatório ele estará presente em nossas vidas.

Quantos amigos deixamos quando reencarnamos? E quantos nos deixaram já nesta existência para trilhar os caminhos no plano espiritual? Mas o amor construído jamais se desfaz, existem amizades que estavam presentes em algumas etapas de nossa vida e sabemos que jamais nesta existência poderemos ter aquele contato novamente, pois saímos daquela escola, mudamos de cidade, de emprego, mas ficou marcado e sabemos que um dia se precisarmos conviver com aquela pessoa novamente em outra existência, em outra adolescência de uma vida futura teremos o prazer de estar com aquelas pessoas.

E é assim que refletimos sobre a amizade, pois sabemos que “mesmo que o tempo e a distância digam não” estaremos aqui aprendendo a amar para progredir.

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