• Letra Espírita

O LUTO NA VISÃO ESPIRITA


Juliana Procópio


“Ante os mortos queridos, faze silêncio e ora. Ninguém pode apagar a chama da saudade. Entretanto se choras, Chora fazendo o bem. A morte para a vida é apenas mudança. A semente no solo mostra a ressurreição. Todos estamos vivos na presença de Deus.”


Emmanuel, Chico Xavier, Fonte de Paz.


Não há quem não tenha saudades de alguém que já partiu. A saudade, é uma palavra típica da nossa língua, refere-se a quem fica solitário, sem a pessoa que ama. Vem de "soedade", que já foi "soledade", e que, por sua vez, provém do latim solitate. Remete a melancolia, saudade do que se foi, do que se viveu, de alguém que não veremos mais.


Todos nós, seres viventes nessa experiência como em outros tempos temos como única certeza que um dia partiremos dessa vida. Muitos ainda são os que acreditam que tudo tem fim após a morte. Para outros que dormiremos até o dia do “chamamento”. Para nós espiritas e simpatizantes é algo muito estudado e já comprovado que a morte é uma passagem para a verdadeira vida do espírito. Enquanto encarnados mesmo que não tenhamos noção disso, ao dormir nosso espírito fica livre e vai de encontro ao que nos unimos durante o dia em pensamento, seja bom ou mal, a sintonia é o que define se vamos para aprender, reencontrar quem amamos ou para saciar os vícios ou ser perturbados por quem nos conectamos ou atraímos em vidas passadas.


Sabemos que a vida continua e mesmo assim nos desesperamos com a partida de um ente amado e isso se deve mais ao apego do que a falta de entendimento.


Temos a sensação que depois que partiram a impressão que ficou é de um vazio sem fim. Que nunca será preenchido novamente. Viver o luto é algo normal e até considerado saudável, o descontrole e a revolta é o que traz sofrimento tanto para quem ainda está encarnado quanto para quem já desencarnou.


Ao nos revoltarmos e entrarmos em desespero desequilibramos não só a nós, mas afetamos em muito aqueles que partiram, pois dependendo da forma como foi o desencarne, muitos precisam permanecer dormindo por muito tempo para não serem acometidos das vibrações negativas que são dirigidas à eles.


Alguém pode até questionar dizendo que “como podemos fazer os que se foram sofrer se temos tanto amor, se é muito difícil viver sem quem partiu”. No entanto como já disse Chico Xavier, “a saudade é uma dor que fere nos dois mundos”.


Na questão 936 do Livro dos Espíritos temos a resposta para essa inquietação:


Como as dores inconsoláveis dos que ficam na Terra afetam os Espíritos que partiram?


— O Espírito é sensível á lembrança e às lamentações daqueles que amou, mas uma dor incessante e desarrazoada o afeta penosamente, porque ele vê nesse excesso uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus, e por conseguinte um obstáculo ao progresso e talvez ao próprio reencontro com os que deixou.


A resposta segue o comentário de Kardec: “Estando o Espírito mais feliz do que na Terra, lamentar que tenha deixado esta vida é lamentar que ele seja feliz. Dois amigos estão presos na mesma cadeia; ambos devem ter um dia a liberdade, mas um deles a obtém primeiro. Seria caridoso que aquele que continua preso se entristecesse por ter o seu amigo se libertando antes? Não haveria de sua parte mais egoísmo do que afeição, ao querer que o outro partilhasse por mais tempo do seu cativeiro e dos seus sofrimentos? O mesmo acontece entre dois seres que se amam na Terra. O que parte primeiro foi o primeiro a se libertar e devemos felicitá-lo por isso, esperando com paciência o momento em que também nos libertaremos.


Faremos outra comparação. Tendes uma amigo que, ao vosso lado, se encontra em situação penosa. Sua saúde ou seu interesse exige que vá para outro país, onde estará melhor sob todos os aspectos. Dessa maneira, ele não estará mais ao vosso lado, durante algum tempo. Mas estareis sempre em correspondência com ele. A separação não será mais que material. Ficareis aborrecido com o seu afastamento, que é para o seu bem?


A doutrina espírita, pela s provas patentes que nos dá quanto à vida futura, à presença ao nosso redor dos seres aos quais amamos, à continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos permite entreter com eles, nos oferece uma suprema consolação, numa das causas mais legitimas de dor. Com o Espiritismo, não há mais abandono. O mais isolado dos homens tem sempre amigos ao seu redor, com os quais pode comunicar-se.


Suportamos impacientemente as tribulações da vida. Elas nos parecem tão intoleráveis que supomos não as poder suportar. Não obstante, se as suportarmos com coragem, se soubermos impor silêncio às nossas lamentações, haveremos de nos felicitar quando estivermos fora desta prisão terrena, como o paciente que sofria se felicita, ao se ver curado, por haver suportado com resignação um tratamento doloroso”.


Sofrer a perda de quem nos é especial é humanamente entendível e igual para ricos e pobres como afirma a questão 934 do Livro dos Espíritos.


A perda de entes queridos não nos causa um sofrimento tanto mais legítimo quanto é ela irreparável e independente da nossa vontade?


Essa causa de sofrimento atinge tanto o rico como o pobre: é uma prova de expiação e lei para todos. Mas é uma consolação poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios de que dispondes, enquanto esperais o aparecimento de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.


Sabermos que a vida continua nos dá forças para continuar a jornada e aguardar o momento do tão sonhado reencontro.


E quão agraciados somos nós por nosso Pai Celeste que nos garante a dádiva (quando merecedores) de nos comunicarmos com quem se foi. Kardec comenta na questão 935 que “a possibilidade de entrar em comunicação é uma bem doce consolação, que nos proporciona o meio de nos entretermos com os parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação, eles se aproximam de nós, permanecem do nosso lado, nos ouvem e nos respondem. Não existe mais, por assim dizer, separação entre nós e eles, que nos ajudam com os seus conselhos, nos dão testemunhos da sua afeição e do contentamento que experimentam por nos lembrarmos deles. É para nós uma satisfação sabê-los felizes e aprender através deles os detalhes da sua nova existência, adquirindo a certeza de um dia, por nossa vez, nos juntarmos a eles”.


Joanna de Angelis em uma de suas mensagens vem nos afirmar que todos os homens na terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Muitos acreditam ser uma experiência fúnebre pensar na vida após a morte, mas segundo ela mesmo afirma é impreterível que busquemos o entendimento e que saibamos que a saudade é momentânea.


O tempo encarnado não são comparáveis aos tempos além dessa experiência. Saibamos respeitar o luto de cada um, mas tenhamos a consciência de que o ciclo da vida segue um dia também partiremos.


Entregas a Deus aqueles que partiram antes de nós, pois ao abrir a alma para a esperança estarás confiando no Pai e na certeza de que a vida continua. Um dia todos estaremos juntos em uma das moradas do Pai, assim nos afirmou Jesus Cristo.


Paz e Bem!


O livro dos Espíritos. Mundo maior Editora. in


https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Livro-dos-Espiritos.pdf


https://www.dicionarioetimologico.com.br/saudade/


http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=383


https://radioboanova.com.br/perda-de-um-ente-querido-evangelho/


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