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Perdoar os inimigos



Por: Samara Milani


Quando nos referimos ao termo “inimigo” nesta existência, já sendo seguidores da Doutrina Espírita, podemos considerar que deve ser somente um termo o tanto quanto fora de uso, porquanto partimos do princípio que, conforme esclarece o Espiritismo, estamos em um mundo de provas e expiações cujos Espíritos, cada ser individual, encontra-se num grau evolutivo na Lei do Progresso, portanto como definiríamos algum de nossos irmãos como um inimigo?! E sim, enxergá-lo como um Espírito ainda, assim como nós, evoluindo conforme o entendimento espiritual que possui?! Principalmente por já nos ser esclarecido que enxergamos no outro um bom espelho para auxiliar nosso próprio progresso, e sábios, nós mesmos investimos nessas possibilidades para desenvolvermos o perdão e a compaixão, e também a indulgência para com os inimigos.


Contudo, o conhecimento da reencarnação nos facilita compreender ainda a necessidade deste termo “inimigo” em nosso contexto de vida, afinal colhemos nesta existência os frutos que semeamos nas vidas pretéritas, daí então, trazemos ainda conosco alguns inimigos, encarnados ou desencarnados, pois a cada existência são criadas relações de simpatia e antipatia entre os Espíritos. Considerando como antipatia terrena a diversidade no modo de pensar e agir com valores e crenças distintos, e a simpatia perfeita, conforme cita o Livro dos Espíritos, em resposta a questão 302: “na igualdade dos graus de elevação”.


Em “O Livro dos Espíritos”, podemos encontrar mais esclarecimentos sobre as relações que se mantem entre os Espíritos e o porquê ainda temos/somos inimigos. Na questão 285 a-) “Como é que os que se conheceram na Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos?” e somos orientados de que maneira reconheceremos nossos amigos e inimigos da existência terrena quando retornamos ao mundo espiritual: “Vemos a nossa vida pretérita e lemos nela como em um livro. Vendo a dos nossos amigos e dos nossos inimigos, aí vemos a passagem deles na vida corporal à outra”, possibilitando novamente momentos de clareza para que o Espírito reflita e possa definir, quando for o melhor momento, quais relações haverão de se encontrar na encarnação próxima. Há outro esclarecimento na questão 303 a-) “Podem deixar de ser simpáticos um ao outro, dois espíritos que já o sejam? Certamente, se um deles for preguiçoso”. Provavelmente se o preguiçoso permanecer sem muito empenho nesta relação, consequentemente abster-se-á da oportunidade de praticar e demonstrar a paciência e resignação para com o próximo, e assim manter essa relação de simpatia.


E ainda nos esclarece os Espíritos na questão 391 (LE): “A antipatia entre duas pessoas nasce primeiro na que tem pior Espírito, ou na que o tem melhor? Numa e noutra indiferentemente, mas distintas são as causas e os efeitos nas duas. Um Espírito mau antipatiza com quem que o possa julgar ou desmascarar. Ao ver pela primeira vez uma pessoa, logo sabe que vai ser censurado. Seu afastamento dessa pessoa se transforma em ódio, em inveja e lhe inspira o desejo de praticar o mal. O bom Espírito sente repulsão pelo mau, por saber que este não o compreenderá e porque dispares dos dele são os seus sentimentos. Entretanto, consciente da sua superioridade, não alimenta ódio, nem inveja contra o outro. Limita-se a evita-lo e a lastimá-lo”.


Assim sendo, conseguimos compreender a importância do termo “inimigo” ainda estar presente em nossas vidas, e a partir do ensinamento de Jesus Cristo, muito bem definido no capítulo XII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, quando nos ensina sobre a mais sublime aplicação da caridade: “Amai os vossos inimigos”, e cita que: “faz parte da grande lei da solidariedade e fraternidade universais”, devemos considerar sempre, em todas as circunstâncias, a misericórdia e justiça de Deus para com seus filhos.


É sabido que o perdão somente é possível pela presença do amor, entretanto, não nos é pedido por Deus que tenhamos para com um inimigo, a mesma ternura dispensada a um amigo. Sabe, nosso Pai, em qual nível evolutivo ainda nos encontramos, porém, pede Ele que não guardemos ódio, rancor, desejos de vingança; “é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos” (Capítulo XII-ESE).


Perdoar não consiste no perdão da ação e atitude do outro, mas sim no perdão para com o ser humano que errou e por muitas vezes foi fraco e se deixou levar por influências inferiores, e até mesmo permitiu que crenças mal-intencionadas pudessem direcioná-lo para a concretização do mal causado por este nosso irmão que destinado à Terra ainda se encontra perdido pelas sombras e não tem consciência das consequências de seus atos. Segundo o livro evangélico O Desafio de Amar relata: “O perdão não absolve o outro da culpa. Ele não limpa a “ficha” dele com Deus, mas livra você de se preocupar em como irá punir o outro”. Ainda auxilia em como fazer isso: “Entregue a sua raiva e a responsabilidade de julgar essa pessoa para Deus. Você estará se privando do trabalho de preparar mais argumentos ou tentando prevalecer na situação”. E conclui este ensinamento a respeito do perdão, orientando para como sabermos que se perdoou alguém: “Você descobre que perdoou quando nos momentos que você vê ou pensa na pessoa – ao invés de fazer seu sangue ferver – faz você sentir muito, faz você ter piedade dela, e esperar sinceramente que ela mude de atitude”.


Lembrando que, por mais que ainda esteja presente o sentimento de raiva em nós, devemos permanecer praticando o perdão, como no ensinamento de Jesus citado pelo evangelista Matheus (18,21-35) “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, se ele continuar a ofender-me? Até sete vezes? Não sete, mas setenta vezes sete”, e assim nos livrarmos do papel de juiz (julgador) e desenvolver o mais sincero perdão, que consequentemente tornar-se-á o amor necessário para uma permanente relação de simpatia.


A ingratidão, pode ocasionar mais ódio aos homens, e deve haver cuidado para que não seja impulsionadora na criação e permanência dos inimigos nas nossas vidas. Num trecho da questão 937 do Livro dos Espíritos, define-se: “A ingratidão é uma prova para a vossa perseverança na prática do Bem; ser-vos-á levada em conta e os que vos forem ingratos serão tanto mais punidos, quanto maior lhes tenha sido a ingratidão”, por isso, devemos nos manter vigilantes e em oração para que os espíritos impuros não sejam capazes de insuflar o ódio e a raiva entre os homens, criando inimizades e dissensões.

Sejamos, como os bons Espíritos que perdoam, e não como os maus que guardam ressentimentos e perseguem, afinal nos foi dito na lição Retribuir o mal com o bem, do capítulo XII do Evangelho Segundo o Espiritismo: “Se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa?”. Isto posto, haveis de concluir com uma citação da Gênese, sobre o Bem e o Mal no Capítulo III: “O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes”.


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