• Letra Espírita

Reforma Íntima


Rafaela Paes

O breve artigo de hoje vem reafirmar a importância de nossa velha conhecida e companheira diária, reforma íntima. O tema já foi trabalhado em artigos já publicados, mas é sempre importante que, de tempos em tempos, nos recordemos de sua urgência!


Se pudéssemos resumir a reforma íntima em uma única palavra, eu utilizaria o “autoconhecimento”. Não sabemos dos nossos gostos, necessidades físicas, metas profissionais, pessoas? Pois então, por que não então buscarmos saber de nossas qualidades e defeitos? Sim, principalmente os defeitos, aqueles entranhados em nós e que não ousamos nem pensar por vergonha?


A reencarnação é oportunidade Divina que nos é concebida com o objetivo precípuo de evolução moral. O que em nós é bom, que assim seja! O que em nós é mal, precisa ser urgentemente reformado.


Nada mais dói no Espírito de cada um de nós, no momento do retorno à Pátria Espiritual, do que a consciência de tudo o que precisava ter feito e que deixou de fazer. A consciência do tempo perdido, dos erros não corrigidos que demandarão mais um longo tempo para serem sanados.


Por que não agora?


Dá trabalho? Dá!


Dói? Muito!


Incomoda? Demais!


É rápido? Não!


Mas independentemente de qualquer desculpe que arrumemos, ela é urgente.


Faz-se mais do que necessário que façamos uma profunda análise de consciência, buscando defeitos e vícios que precisamos trabalhar JÁ! E observa que digo trabalhar, pois extirpá-los de nós pode ser que não seja possível.


Explico: muitas das nossas faltas já nos acompanham há vidas e vidas, e leva tempo para que a gente consiga cortar sua raiz. Mas, mais importante do que exterminar, é iniciar a caminhada, é adquirir a consciência do que precisa ser feito e começar.


A reforma íntima é lenta e gradual, é um exercício de paciência, mas é recompensadora mesmo em suas mínimas conquistas.


Em um mundo que se encontra em transição, é preciso que nos conscientizemos da importância de acompanha-lo! Regeneremos a nós mesmos, também!


Como fazer isso? Quem eu sou para dizer! Deixo a todos nós a reflexão de Santo Agostinho, constante na questão 919 de “O Livro dos Espíritos”:


“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo-de-guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: ‘Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado? “Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. “O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas.


Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. “Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos.”


Desculpem-se... Eu estou em reforma!


E vocês?


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