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Relacionamentos Líquidos



Que triste mundo onde os relacionamentos, em sua grande maioria, são de conveniência, seja por uma situação, seja por um instante, seja por um interesse. Quantos amigos você conseguiu guardar em sua estrada por mais de 10, 20, 30 anos? Se os têm, quantos acabaram ficando pelo caminho? Em quantas pessoas confia e quantas se relaciona apenas pelos instantes em que se encontram?

Atualmente, essas são perguntas que acabam por nos deixar muito reflexivos a ponto de sentir nosso coração apertar. Vivemos a era da solidão. Vivemos a era da indiferença. Sabiamente, Padre Fábio de Melo nos traz a seguinte reflexão: “De vez em quando eu me percebo acostumado aos absurdos do mundo, ou então incapaz de me alegrar com as alegrias que as esquinas resguardam. O motivo é simples. Sou contemporâneo. Estou exposto às demandas urgentes que me contexto histórico me apresenta. Estou mergulhado nas estruturas deste mundo líquido, neste movimento de dias cuja metáfora é o fluir das águas que entre os dedos escapa”.

Não raro, nos dias de hoje, nos vermos expostos aos mais diferentes tipos de violência, e de tão recorrentes, elas se tornam normais. Hoje, diante de exemplos de superação, somos indiferentes, não nos emocionamos com a vitória alheia, nem nos colocamos no lugar do outro que vive tantas adversidades. Cada olhar que cruza nosso caminho tão corrido leva uma dor, uma alegria e uma história. Em quantos desses olhares nos aprofundamos? Nem precisamos ir tão longe: conhecemos verdadeiramente o íntimo daqueles que chamamos de família ou de amigos? Menos ainda: nos damos o tempo necessários para conhecermos a nós mesmos?

Não sabemos amar. Nem a nós nem aos outros. Corremos tanto, almejamos tanto, planejamos tanto, que esquecemos a benção e a responsabilidade que é amar. Diz-nos Zygmunt Bauman: “Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo”.

Relacionar-se é um dos sentidos dessa vida. Ninguém vive e nem é feliz sozinho. O Livro dos Espíritos nos traz um capítulo esclarecedor acerca necessidade da vida social.

Questão 766 – A vida social está na natureza?

Resposta: Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.

Questão 767 – O isolamento absoluto é contrário à lei natural?

Resposta: Sim, visto que os homens procuram a sociedade por instinto, e que devem concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.

Questão 768 – O homem, procurando a sociedade, não faz senão obedecer a um sentimento pessoal, ou há nesse sentimento um objetivo providencial mais geral?

Resposta: O homem deve progredir. Sozinho, ele não pode porque não tem todas as faculdade; é-lhe preciso o contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita.

Nota de Kardec: Nenhum homem tem as faculdades completas. Pela união social, eles se completam uns pelos outros para assegurar seu bem-estar e progredir. Por isso, tendo necessidade uns dos outros, são feitos pra viver em sociedade e não isolados.

Percebam... A solidão nos embrutece e debilita. A solidão traz indiferença, ansiedade, insegurança, depressão. Não fomos criados para sermos sozinhos. Não aprendemos sozinhos. Não evoluímos sozinhos. Fomos criados para, juntos, sermos um só rumo à tão almejada evolução espiritual.

Portanto, que este artigo sirva de reflexão para um exercício prático. RELACIONEMO-NOS! Mas não superficialmente! Que tenhamos poucas companhias, que seja, mas que essas sejam profundas, sem o perigo iminente de se esvair pelos dedos. Não cultivemos relações líquidas, não permitamos que a história dos outros escorra a olhos vistos. Amemos, agradeçamos, convivamos. Permitamos que adentrem nossa vida, que façam morada no doce refúgio dos amores sinceros, das amizades verdadeiras! Sejamos uma sociedade universal, nos emocionemos com as dores e alegrias alheias. Sejamos únicos, mas não unos. Reflitamos, para concluir, nas palavras, novamente, de Zygmunt Bauman: “Não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é a fim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso coletivo e como tal, carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo”.

Arrisquemo-nos no amor. Esse risco sempre valerá a pena!

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FONTES:

Alan Kardec. O Livro dos Espíritos

Padre Fábio de Melo. É Sagrado Viver.

Zygmunt Bauman. Amor Líquido: A fragilidade dos laços humanos

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