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A Expiação por meio de Enfermidades


Priscila Gonçalves


"Se Deus não houvesse querido que os sofrimentos corporais dissipassem ou abrandassem em certos casos, não houvera posto ao nosso alcance meios de cura. A esse respeito, a sua solicitude, em conformidade com o instinto de conservação, indica que é dever nosso procurar esses meios e aplicá-los”.


O Evangelho Segundo o Espiritismo

V – Preces pelos doentes e pelos obsidiados (KARDEC,2020).


As enfermidades físicas e psicológicas aparecem desde que a humanidade existe, e temos milhões de exemplos que incorrem aos indivíduos de todas as classes sociais, etnias, religiões e credos, idades e gêneros conhecidos. É, portanto, um mal que não exclui nenhum ser, sendo de maior ou menor grau, e, para compreender melhor a relação entre a doença, a encarnação e a expiação, socorre-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo (KARDEC, 2020):


25. A encarnação é uma punição, e apenas os Espíritos culpados estão sujeitos a ela?


É necessária a passagem dos Espíritos pela vida corporal para que possam cumprir, com o auxílio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É também necessária por eles mesmos, porque a atividade que são obrigados a desempenhar ajuda no desenvolvimento da inteligência. Deus, sendo soberanamente justo, deve agir igualmente com todos os seus filhos. Por isso dá a todos um mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de agir. Todo privilégio seria uma preferência, e toda preferência uma injustiça. Mas a encarnação não é para todos os Espíritos senão um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe em sua entrada na vida, como primeira prova do uso que farão de seu livre-arbítrio. Aqueles que cumprem essa tarefa com zelo transpõem rápida e menos penosamente os primeiros graus de iniciação, e gozam mais cedo do fruto de seus trabalhos. Aqueles, ao contrário, que fazem um mau uso da liberdade que Deus lhes concede, retardam seu progresso. Por sua obstinação, podem prolongar indefinidamente a necessidade de se reencarnar, e é aí que a encarnação se torna um castigo.


Concluindo então, a encarnação é uma necessidade de todos os Espíritos para cumprirem os desígnios de Deus e saldarem seus débitos e possíveis desafetos ante à humanidade, e também para galgarem degraus na jornada evolutiva, através de aprendizados e lições encontrados em cada um dos processos da vida.


Agora, para compreendermos melhor esta conexão entre as doenças e a expiação, ou seja, a remissão de seus débitos de outras experiências na vida corpórea, vamos analisar alguns trechos do livro A Imortalidade de Alma, da autora Evelyn Freire de Carvalho (CARVALHO, 2020):

46. Qual a relação das doenças físicas com as espirituais?


Inicialmente devemos destacar que a doença é um aviso de que nós não estamos nos cuidando com o devido carinho; é um sinal de que alguma coisa não está bem, pois a doença não é a causa, é a consequência de energias negativas que transitam em nossos organismos espiritual e físico. O períspirito absorve energias deletérias e as reflete para o corpo físico, adoecendo-o. (...)


Então, vamos compreender que as doenças que nos afetam não são causas, mas sim consequências dos nossos descuidos, da falta de atenção com o nosso corpo físico e espiritual, e que, a partir do momento que, dentro de nossas possibilidades, cuidamos com mais carinho do corpo de carne que Deus nos deu, e também do nosso Espírito, nossa condição tende à melhora.


(..)As doenças podem ser de três tipos: físicas, espirituais e simbióticas. As doenças físicas são aquelas que decorrem de distúrbios, que podem ser resultantes de, por exemplo, um acidente, de um excesso de alimentação ou de esforço, causando certa desarmonia nos órgãos do corpo físico(...)

(...) Na reencarnação atual, já trazemos muitas energias inferiores que ficaram presentes em nosso períspirito e que não conseguiram anteriormente ser drenadas, razão pela qual ao nascermos, algumas vezes, apresentamos alguns problemas de saúde, algumas limitações orgânicas, já decorrentes justamente de energias deletérias vindas de vidas passadas e não suficientemente dispersadas. E, se na atual encarnação, continuarmos vivenciando aquelas energias, através das mesmas atitudes equivocadas e contrarias à Lei de Deus, o problema de saúde será agravado sobremaneira.


Durante o nosso planejamento reencarnatório, escolhemos quais os tipos de provas e expiações iremos enfrentar na vida conseguinte para aprendermos a lidar com todo o tipo de adversidade, obstáculos e dificuldades que podem se opor ao nosso crescimento individual e coletivo, e as doenças podem sim fazer parte desse planejamento.

As limitações físicas podem inclusive fazer leves menções a atos anteriores que prejudicaram nossas vidas e a vida de terceiros, pois, através de nossas escolhas e do uso equivocado do livre arbítrio, as consequências podem ter sido lesivas ou até mesmo letais para nós e outrem. Deus, em sua bondade infindável, nos concede a oportunidade de reparar nossos erros e reparar laços.

Engana-se quem pensa que a doença física, a limitação, seja ela de qual tipo for, afeta somente o enfermo, a família, amigos ou as pessoas com quem convivem. Também os responsáveis pelos cuidados do doente sofrem de vê-lo sofrendo, em situação limitada, sem poder desfrutar de pequenos prazeres que nos são concedidos diariamente. Todavia, estas pessoas também têm a oportunidade de crescimento, uma vez que, são levadas a exercitar o amor ao próximo, a compaixão e a caridade.


Compreendendo estes pontos carecemos entender que inclinação tem a relevância, e cada ciclo de nossas existências corpóreas traz pontos de ponderação, com a precisão de descobrir as elucidações para os eventos que ainda não compreendemos, evitando, assim, as conclusões precipitadas sem razão de ser.


Um antigo dito popular já nos dizia que “Deus dá a cruz que cada um pode carregar”; sendo assim, ninguém carrega um peso maior do que suas forças limitadas podem suportar.

Ainda somos espíritos tão imperfeitos, tão próximos das sombras, que é difícil para nós enxergarmos luz onde, aparentemente, só existem trevas, e muitas situações que se apresentam para nós parecem-nos o fim, ou algo sem solução.

Vamos destacar que somos Espíritos vestidos de um corpo de carne, e não o contrário. Logo, os maiores aprendizados e lições serão guardados em nosso íntimo, talvez em um lugar que poucos conhecem verdadeiramente. Porém, crendo no auxílio constante do nosso Benfeitor Espiritual, e do amigo Jesus, a certeza que temos é de que toda dor é passageira, e servem para nos fazer compreender a pequenez de nosso ser perante a grandiosidade do amor de Deus para conosco.

REFERÊNCIAS


CARVALHO, Evelyn Freire de. A Imortalidade da Alma. 1ª. ed. Campos dos Goytacazes RJ: Letra Espírita, 2020.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari SP: EME, 2020.

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