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Dificuldades são Aprendizados na Visão Espírita?


Marisa Fonte

“Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte… Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.” (Meimei / Francisco Cândido Xavier)


Dificuldades esbarram em nós ao longo do caminho o tempo todo. Podemos chamar as dificuldades de obstáculos – ou até mesmo de oportunidades disfarçadas – uma vez que se tudo ao nosso redor estivesse sempre na mais perfeita ordem, certamente nos esqueceríamos de que há ainda um longo caminho a trilhar para alcançarmos um progresso maior e para chegarmos um pouco mais perto da perfeição. Jesus disse “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”, mas naturalmente não espera de nós que nos comparemos a Deus em matéria de perfeição. Dentro da nossa possibilidade, sejamos a melhor versão de nós mesmos, sempre buscando os caminhos que nos levam a desenvolver as nossas qualidades morais, pois somente através delas conseguiremos ser pessoas melhores, e ao partir para o outro lado da vida carregarmos conosco tudo o que angariamos aqui para o nosso crescimento.


No entanto, quantas dificuldades é necessário superar a fim de aprender cada vez mais? Dificuldades representam aprendizado na visão espírita? A questão 931 do “Livro dos Espíritos”(Livro dos Espíritos, Editora Petit, pág. 307, 2ª reimpressão de junho de 2001), “Por que, na sociedade, as classes sofredoras são mais numerosas do que as felizes?” é respondida dessa forma: “Nenhuma é perfeitamente feliz, e o que se acredita ser felicidade esconde frequentemente grandes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao vosso pensamento, direi que as classes que chamais de sofredoras são mais numerosas, porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem fizer dela sua morada do bem e dos bons Espíritos, não mais será infeliz e viverá no paraíso terrestre”.


Conclui-se desse modo que os momentos de alegria e os momentos de dor vão se alternando, e que não há como sermos felizes o tempo todo. Porém, por outro lado, isso jamais deve nos inspirar a ideia de que a vida é um eterno calvário, uma vez que é também a maneira como vemos as coisas e a forma como lidamos com as diversas situações que determina quais serão os resultados das nossas ações. Podemos sempre tirar o melhor proveito das lições a fim de não termos que repeti-las mais adiante. Além disso, levar a vida de forma mais otimista e alegre sempre nos ajuda a superar as situações que se apresentam para nós.

Se por um lado a felicidade não é deste mundo – conforme nos traz o item 20 do capítulo 5, Bem-aventurados os Aflitos, do “Evangelho Segundo o Espiritismo” – por outro é necessário lembrarmos sempre que na vida há vários momentos felizes, que devem ser aproveitados com alegria e gratidão.


Aliás, a alegria deve fazer parte da nossa rotina, pois nós podemos ser alegres apesar de toda a realidade povoada de provações que nos cerca. Isso se explica facilmente ao pensarmos que, quando carregamos as nossas dores reclamando e nos sentindo vítimas por tudo o que nos acontece, a vida fica muito pesada. Mas, lembremo-nos de que Jesus disse que seu jugo é leve e seu caminho suave, e isso significa que aqueles que caminham ao Seu lado estarão mais tranquilos mesmo em meio a grandes tempestades, pois os ensinamentos de Jesus representam a bússola mais segura a seguir.


E qual é a importância de seguirmos com Jesus? Seguir com Jesus não significa que não passaremos por turbulências durante a nossa encarnação, mas sim que saberemos tirar de cada situação o aprendizado necessário para evoluir. Nós passamos por situações que por vezes julgamos superiores às nossas forças ou por outras tantas que cremos não merecer. Mas, e se pudéssemos nos lembrar de todos os nossos atos do passado? Será que ainda assim insistiríamos que somos joguetes da sorte e que merecemos muito mais do que estamos recebendo? É preciso que fiquemos atentos às lições do caminho, e que compreendamos que são as nossas escolhas que determinam o quanto de dor haveremos de sentir. É claro que muitas coisas que nos acontecem são decorrentes dos atos de vidas passadas, mas, ao mesmo tempo, boa parte dos nossos problemas decorrem de coisas que provocamos em nossa vida presente.


São as dificuldades aprendizados na visão espírita? Sim ou não? O que você pensa? Vejamos: neste exato momento vivemos uma pandemia que vem se estendendo há mais de um ano e que não tem data para terminar. Estamos vendo desencarnar pessoas que amamos e outras tantas que são caras a pessoas que conhecemos. Em 2004 um tsunami atingiu 14 países e matou cerca de 227 mil pessoas.


Acidentes aéreos, outros desastres naturais ou provocados pela inabilidade ou pelo descaso das pessoas que deveriam zelar pela segurança aconteceram também, e certamente continuarão acontecendo. E o que pode ser aprendido por aqueles que sobrevivem a tais eventos? O leque de ensinamentos pode ser enorme ou pode-se não aprender absolutamente nada, pois cada um tem o seu livre arbítrio e aprende o que se empenha em aprender.

Um dos exemplos mais bonitos da confiança em Jesus é o da personagem Alcione, do romance “Renúncia” ditado por Emmanuel a Francisco Xavier: todos os sofrimentos e dificuldades foram suportados sempre na certeza de que Jesus jamais a deixaria desamparada. Se pudermos levar conosco essa certeza do amparo e do amor de Jesus, certamente a nossa vida será mais feliz mesmo neste mundo, uma vez que a confiança no Divino Mestre será a mola propulsora que nos elevará até os patamares da alegria, independentemente do que esteja ocorrendo ao nosso redor.


Finalmente, algumas palavras de Joanna de Ângelis do livro “Jesus e Atualidade”(Livraria Espírita Alvorada Editora - LEAL, pág. 81, 12ª edição, 1ª impressão de 2016), psicografado por Divaldo Pereira Franco: “Nas tuas dificuldades e dores, abandona a complacência para com elas e toma a segura decisão de quererser feliz e crer que o conseguirás”.

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