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ESPÍRITAS! AMAI-VOS E INSTRUÍ-VOS



Rafaela Paes


A máxima que intitula esse artigo, contida no capítulo VI, item 5, do Evangelho Segundo o Espiritismo, foi a primeira frase que surgiu diante dos meus olhos quando, finalmente, decidi por caminhar dentro da senda do Espiritismo.

Neta de espíritas e católicos, percorri os dois caminhos, por muito tempo, sem me aprofundar em nenhum deles. Sempre com uma inclinação maior para a Doutrina Espírita, e usando como pano de fundo a falta de tempo, minha pequenez me fazia acreditar que a mera crença na existência e comunicação dos espíritos, bem como na reencarnação, fazia de mim uma espírita. Nesse ponto, acredito que muitos irão se identificar.

Apenas quando passei a frequentar um Centro de forma regular, é que percebi que a trilha a percorrer em busca do conhecimento era extensa e, talvez, ilimitada. Foi quando li a Frase já citada. Este artigo não é um roteiro de estudos, já que cada qual assimila aquilo que lê de formas diferentes, e não existe uma fórmula.

“Amai-vos, este o primeiro ensinamento”. Engatinhando e um pouco perdida diante de tudo que sabia precisar conhecer profundamente, optei com serenidade pela leitura inicial de um livro sobre reforma íntima, essa mudança que nos é tão necessária e tão difícil. Não sendo um espírito missionário e bem longe disso, os nossos defeitos são partes de nossas atitudes, palavras e pensamentos, estão impregnados em nós, e aí mora o primeiro desafio do espírita iniciante: enxergar verdadeiramente onde estão nossos vícios e atenuá-los até onde nos é possível. A reforma íntima é o primeiro passo para que possamos praticar esse ensinamento que o Evangelho nos traz.

É possível deixar de errar com os outros e até conosco, rapidamente? Não! Ouço sempre de um amigo da Casa Espírita, sobre uma forma inteligente de lidar, atenuar e até sanar nossos defeitos: faça uma lista com suas vicissitudes, da mais fácil para a mais difícil. É um exercício de autoconhecimento, cuja importância é demonstrada na questão 919 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta qual o melhor meio para se ter uma vida melhor e resistir às inclinações do mal: “Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo”.

Creio que este ponto específico seja um dos principais motivos pelos quais muitos espíritas optam por não estudar e se aprofundar na Doutrina, e aqui incluo meu eu do passado. A reforma íntima gera desconforto, nos expõe a nós mesmos, e incomoda, incomoda muito. O autoconhecimento traz consigo uma “voz” interna que vai sempre nos repreender quando erramos sabendo que não deveríamos. “A quem muito foi dado, muito será pedido”, nos diz o Evangelho. Conhecimento é uma ação para a reação da responsabilidade.

Pessoalmente digo: esse caminhar é individual. Mudamos, mas não temos como mudar o outro. “Eu permito a todos serem como quiserem, e a mim como devo ser” (Chico Xavier). A mudança incomoda a nós mesmos, mas também ao outro, e nem todos irão entender a nova postura, e nem todos irão caminhar contigo. Eu vivo isso na pele, e aí mora mais um exercício: a fé e a resignação diante dessa dualidade.


“... Instruí-vos, este o segundo”. Nos passos de se melhorar e evoluir, chega-se ao segundo ensinamento. E quanto há para ler! Inicia-se pelo pentateuco de Allan Kardec, que nos fará ter dúvidas e procuras por mais livros, e às vezes pensaremos que não iremos dar conta. Eu me perco às vezes, sim! Respire e lembre-se que “o que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá” (O Livro dos Espíritos, Introdução, item VIII).

Os cinco livros de estudo doutrinário, o Livro dos Espíritos, o Evangelho Segundo o Espiritismo, o Livro dos Médiuns, o Céu e o Inferno e a Gênese, não são livros para serem lidos de forma recreativa, como os romances espíritas que lemos e que também nos trazem importantes ensinamentos. São livros a serem estudados, refletidos, relidos. Leva muito tempo, demanda disciplina e assiduidade. É o exercício da fé raciocinada.

Este artigo é apenas para dizer que ninguém está sozinho em suas dúvidas e ansiedades quando opta pelo caminho da Doutrina. A grande maioria de nós espíritas sofre diante da vontade de assimilar tudo rapidamente e ser alguém melhor para o próximo e para si, mas leva tempo, precisa ter muita calma e paciência.

Que ninguém desista pelo caminho e nem esmoreça diante das dificuldades, oposições e falta de entendimento. Coloque sua fé acima de tudo, ore e vigie, sem se esquecer de que não estamos sozinhos, que nosso Mestre Jesus, a espiritualidade amiga e nosso mentor sempre nos inspiram e auxiliam nessa trajetória.

Tudo na hora certa... Não há perda de tempo, não há tempo mal aproveitado. Tudo acontece na hora que tem que acontecer, no momento em que nossa maturidade nos permite ser mais disciplinados e serenos.


Sigam no caminho, eu sigo aqui engatinhando por ele! Permanecer nessa trilha já é um grande passo para que essa encarnação seja proveitosa e digna das melhorias a que nos propusemos em nosso processo reencarnatório

Paz a todos!

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