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Lembranças Que Não Se Apagam - Resenha


Luana Oliveira


Lançado no mês de maio deste ano, a obra Lembranças que não se apagam foi editada e distribuída pela Editora Letra Espírita. Composta por 37 capítulos, com 184 páginas, foi escrita por Rita Ramos Cordeiro, pelo Espírito de Tenório Peixoto, sendo ela autora de diversas obras. Rita é natural de Presidente Prudente-SP, residindo atualmente em Itú-SP. Além de escritora, é articuladora, redatora, jornalista, desenvolvedora de conteúdo e divulgadora assídua da Doutrina Espírita por meio do Instituto beneficente Chico Xavier e do site ASDBNoticias – A serviço do bem, fundadora do Centro de Ação Voluntária de Itu (CAVI) e também autora do atual lançamento da editora, o romance Nas garras do tempo, disponível na Editora Letra Espírita.


Nesta linda história, repleta de ensinamentos e desafios, Rita, por meio de Tenório Peixoto, nos apresenta Sheila, que, após um dia de trabalho, ao voltar para casa enfrentando a pressa e impaciência recorrente no metrô, principalmente naquele período do dia, acaba sendo perseguida até seu apartamento e sofrendo uma queda. Sheila bate a cabeça, e estava grávida de sua primeira filha, a pequena Marita. Durante a internação, Sheila demonstra uma espécie de confusão mental, pedindo a presença de pessoas que não correspondiam aos seus familiares. Após algum tempo, já com Marita mais crescida, as memórias de situações desconhecidas voltam a atormentá-la, fazendo com que, em um desses momentos, ela se esqueça de tudo e saia sem destino, deixando para trás a filha e o marido.


A história é surpreendente do início ao fim e, no decorrer dos acontecimentos, fazemos alguns questionamentos importantes, principalmente sobre como um fato ocorrido em uma existência anterior pode fazer com que alguém esqueça quem é quase que por completo, fazendo esse medo ser a melhor alternativa na esperança de se proteger de uma ferida trazida de outra existência, negligenciando o amor da vida atual, pela fuga e inexistência de possíveis provas. Esse foi o mecanismo de defesa desenvolvido pelo Espírito de Sheila. Todavia, como sempre, existe o tempo certo para todas as coisas, independente dela se recordar ou não de quem fora anteriormente. Os Espíritos se reconhecem pela afinidade e os laços que perpetuam por toda a eternidade. Sheila, por duas vezes, teve sob sua existência atual a aplicação do “véu do esquecimento”, antes de encarnar e durante a encarnação, quando perdeu a memória, sendo o primeiro insuficiente para apagar as lembranças dolorosas que ela trazia de outra vida.


A questão 392, do “Livro dos Espíritos”, indaga: “Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado”?


Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, o homem é mais senhor de si. (KARDEC, 2013).


Vale ressaltar o tema trazido na obra, o desaparecimento de pessoas, que é ligado a diferentes crimes, como exploração sexual, venda de órgãos etc., assunto trazido para a história com muita sabedoria e bem inserido. Apesar de o desaparecimento de Sheila não ter sido por nenhum dos motivos acima citados, ainda assim foi importante a inserção na história de tal questão tão atual e negligenciada pelas autoridades. Segundo o último Anuário brasileiro de segurança pública, divulgado em 2020, o total de desaparecidos no país passou de 77.907 em 2018 para 79.275 em 2019 (SERRA, 2021).


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de Guillon Ribeiro. 93ª edição, 1ª impressão (edição histórica). Brasília: Editora FEB, 2013.

SERRA, Paola. Desaparecidos no Brasil: Famílias entre a esperança e o luto. O Globo, 2021. Disponível em: https://oglobo.globo.com/epoca/brasil/desaparecidos-no-brasil-familiasentreesperancaoluto24942373#:~:text=Segundo%20o%20%C3%BAltimo%20Anu%C3%A1rio%20brasileiro,2018%20para%2079.275%20em%202019. Acesso em: 19 de Set. de 2021.



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