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Nossas Vidas - Resenha


Luana Oliveira


Desta vez a Editora Letra Espírita trouxe como lançamento no mês de Julho a obra Nossas Vidas de autoria de Patrícia Prevedelli, que atualmente é colaboradora do Centro Espírita Casa do Caminho, localizada em Catanduva, Estado de São Paulo, onde realiza diversos trabalhos voltados ao espiritismo e, em função de sua divulgação, partindo desta premissa em desenvolver ao longo de ostensivo trabalho a sua mediunidade como a psicografia (sob a orientação do seu mentor espiritual Antônio Gonçalves), trouxe desta forma o romance Nossas Vidas, uma belíssima história contada ao longo de 216 páginas, dividida em 13 capítulos.

Apresentarei um breve resumo e a impressão da história ao todo, mas antes de iniciar essa análise, devo levantar um questionamento: quem de nós nunca sentiu saudade de algo e nunca soube? Ou pelo menos demorou a saber realmente do que se tratava? Algo que se assemelha a uma incontrolável saudade de casa? Essa obra faz reviver com bastante intensidade esse sentimento, que hoje em dia é compreensível, mas muitos de nós ainda buscamos entender e mais do que isso, preencher essa lacuna. Este livro é emocionante, literalmente do início ao fim. Mesmo a arte da capa deve ser apreciada. É belíssima e reflete com perfeição a história, elementos esses que se completam. A dedicatória da autora é lindíssima, a mensagem de luz na página seguinte é algo que emociona bastante, que faz lembrar uma frase de Chico Xavier, que diz: “Saudade é uma dor que fere nos dois mundos.”


No primeiro capítulo somos apresentados a Ana, uma jovem dedicada em tudo o que faz na vida, e que também ministra aulas as crianças em um Centro Espírita, a qual demonstra muita força e sabedoria diante dos desafios da vida. Ana tem sonhos vividos com um jovem que lhe mostra algumas encarnações anteriores, as quais dividiram um grande amor em sua forma mais sincera, mas que infelizmente sempre era interrompido por pessoas que não apreciavam tal união, fazendo com que sempre desencarnassem ainda jovens. Com o passar do tempo ela entende que nada é por acaso que Deus sempre sabe como comandar o relógio dos acontecimentos que nos cercam, provando que ninguém passa por nossas vidas sem que haja um plano, visando o resgate de débitos em busca do aprimoramento para que tenha como resultado final a evolução do espírito. Ana perdeu muito ao longo de sua vida, mas soube tirar o melhor da vida mesmo em momento difíceis, demonstrando coragem que nada mais era que o resultado de sua inabalável fé, conseguindo assim vencer com maestria todos os obstáculos da vida e, no final, entender tudo. A obra nos traz muitas lições importantes e, com facilidade, podemos relacionar diversos trechos com base na doutrina, e tudo isso disposto de forma que faz com que a história decorra de forma muito direta. As situações são muito bem colocadas diante disso, como por exemplo, nas páginas 82/83/84, quando Ana após um dia de trabalho retorna pra casa, e antes de dormir decide ler um trecho aleatório do Evangelho segundo o espiritismo. Ao refletir sobre as aulas que ministraria no Centro espírita, em seguida após fazer uma prece a Jesus e aos seus mentores acaba adormecendo, logo após se vê em um lugar tranquilo e diante do seu amado, partindo em mais uma experiência em busca de entender o passado. Essa parte é antecedida por uma preparação, para que Ana pudesse ter o desdobramento adequado, questão essa explicada no Livro dos Espíritos, Capítulo VIII, “da emancipação da alma”, questão 401, que nos explica que o espírito jamais está inativo – “Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”, sendo o desdobramento “um fenômeno de emancipação da alma”, Allan Kardec.


Por fim, acredito que muitos questionarão o porquê de Ana e seu amado não terem reencarnado na mesma época inicialmente, para que mais uma vez tentassem viver o seu grande amor. A maior prova de amor que puderam dar um ao outro foi a breve separação, em busca de que ambos pudessem evoluir por meio das provas que precisavam passar. O laço que possuem independem de existirem no mesmo plano, independe do amado de Ana ter um nome mencionado, eles são espíritos afins, que se encontrarão em algum momento e no tempo certo, finalizando a leitura e refletindo sobre o laço que os une me lembrei de um dos trechos mais lindos que compõem a bíblia sagrada, que fala sobre o amor.


“O amor é sofredor, é benigno, o amor não é invejoso, o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece;

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga coma verdade;

TUDO SOFRE, TUDO CRÊ, TUDO ESPERA, TUDO SUPORTA.”

I Coríntios, 13:4


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de Guillon Ribeiro – 93ª edição, 1ª impressão (edição histórica). jul. 2013, Brasília/DF: Editora FEB.

Sagrada Bíblia Católica: Antigo e Novo Testamento. Tradução: João Ferreira Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1969.

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