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Os Animais e o Espiritismo


Jose Carlos Neto


“Recebei como obrigação sagrada o dever de amparar os animais na escala progressiva de suas posições variadas no planeta. Estendei até eles a vossa concepção de solidariedade. E o vosso coração compreenderá, mais profundamente, os grandes segredos da evolução entendendo os maravilhosos e doces mistérios da vida” – Emmanuel.


A questão 607 do Livro dos Espíritos nos diz: “Dissestes (190) que o estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida. Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento?”


R: "Numa série de existências que precedem o período a que chamais Humanidade”.

a) - Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?


R. “Já não dissemos que todo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade esta longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra, então, no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”


Através dessa resposta é notório que Deus em sua infinita grandeza e bondade criou todas criaturas com suas habilidades, necessidades e até sua missão. Pensando deste modo, o que existe são estágios diferentes que a criatura se encontra na terra em termos como amor, cuidado, atenção e preservação, dando a todos oportunidades para evoluir e buscarem por si mesmos a perfeição. Deus fez com que tudo tenha uma finalidade e nós, como seres humanos, ainda precisamos aprender muito a conviver com nossos irmãos animais e com a natureza, pois faz-se necessário esse equilíbrio para uma convivência harmônica e de respeito aos animais. Não é difícil nos depararmos com histórias de animais que sofrem com a ausência dos seus donos e até por motivos de tristeza e abandono são vitimados pela depressão, e por outras doenças. Pensando dessa forma, eles não são tão diferentes de nós. Sofremos com o abandono, adoecemos e até podemos entrar em depressão.


No livro Um Presente de Amor, podemos ler que a relação de amor entre o animal e seu dono pode muito bem ultrapassar os limites da vida na terra e adentrar ao plano astral, assim como também estar presente em outras encarnações.


Podemos entender que respeitando a vida em todos seus estágios seja ela humana ou animal podemos aprender e contribuir para evolução dessas criaturas, pois o amor que empregamos aos animais contribui para sua evolução, ou seja, eles têm como uma de suas missões amar, e por consequência, serem amados. Quanto mais doação e amor para com os animais mais eles vão evoluir. Um caso relatado no livro Testemunho, Chico Xavier, em carta endereçada ao então presidente da Federação Espírita Brasileira Wantuil de Freitas, conta que José, seu irmão, ao desencarnar, lhe deixou recomendado cuidar de seu cachorro chamado Lorde, que viveu por muitos anos, mas em seus últimos momentos foi ficando doente pela ação do tempo, até que chegou o momento de seu desencarne, e justamente no momento do desencarne, Chico vê o seu irmão José já desencarnado vir acolher nos braços a figura espiritual de seu amado cão lorde. Esse fato ao mesmo tempo que é emocionante nos confirma a questão 597 do livro dos espíritos a qual vou deixar abaixo:


597. “Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria?”


R: “Há e que sobrevive ao corpo.”


a) – “Será esse princípio uma alma semelhante à do homem?”


R: “É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.”


Essa resposta O Livro dos Espíritos nos elucida mais uma questão. Os animais possuem alma, se assim quisermos chamar o elemento que sobrevive a morte do corpo físico, porém, após o desencarne, não permanecem como espíritos errantes, pelo fato de não possuírem o livre arbítrio, nem a consciência dos seus atos e possibilidade de refletir como nós humanos temos. Deste modo, compreendemos também que a reencarnação dos animais ocorre de forma mais breve se comparado a nós seres humanos, e a espiritualidade trabalha junto a esses animais reencaminhando para que eles voltem e continuem seu processo evolutivo através do processo da reencarnação e de acordo com suas espécies biológicas. Em relação a escolha de qual espécie animal reencarnar, não é possível ser feita como nos elucida a questão 599 de O Livro dos Espíritos:


599. À alma dos animais é dado escolher a espécie de animal em que encarne?


R: “Não, pois que lhe falta livre-arbítrio.”


Sendo a alma dos animais um tema ainda complexo trago mais explanações sobre o tema, ainda no livro dos espíritos.


598. “Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma?”


R: “Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”


600. “Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar-se, depois da morte, nem estado de erraticidade, como a do homem?”


R: “Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”


É impossível não notar a gratidão que alguns animais expressam, o sentimento de amor, de fidelidade, a saudade que podem sentir de seus donos, a doçura, e tantos outros sentimentos. Os animais já são capazes de sentir e se expressar. Por essa semelhança, seria possível que os animais fossem capazes de ter mediunidade assim como nós? Allan Kardec, já no Século XIX se preocupava em saber se os animais possuíam mediunidade, sendo o médium o intermediário consciente ou inconsciente entre o mundo físico e o espiritual, e os animais não têm a possibilidade de expressar uma manifestação inteligente como uma psicografia ou psicofonia. Sendo assim a palavra médium não se encaixa aos animais, mas podemos entender que os animais são impressionáveis à influência dos espíritos. Erasto nos conta no Livro dos Médiuns que os animais tem a percepção de espíritos eles podem ver e ouvir, podendo apresentar um terror súbito ao presenciar esses fenômenos, seja um espírito ou vários espíritos, e até os espíritos que naquele momento estão mal intencionados. Além de vários outros relatos da literatura espírita e da cultura popular, podemos afirmar a possibilidade que de os animais podem sentir a presença de espíritos.


Estamos chegando ao final deste artigo ainda com muitas questões a serem analisadas, estudadas e compreendidas. A literatura espírita nos traz uma gama de informações sobre a vida animal e a sua importância perante a Espiritualidade. É importante sempre respeitar nossos irmãos animais, proteger, preservar e aprender a conviver de maneira harmoniosa com todas as espécies.

REFERÊNCIAS


XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 28. Ed. 9. Imp. Brasília: FEB, 2021, cap.17, “Sobre os animais”.

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Guilon Ribeiro. 93. Ed. 9. Imp. Brasília: FEB, 2019, q.607, q.597, q.598, q.599 e q.600

Roberto de Carvalho. 1. Ed. Campos dos Goytacazes: Letra Espírita, “Um presente de Amor”.

SCHUBERT, Suely Caldas. Testemunhos de Chico Xavier. 5. Ed. Brasília: FEB,2020

KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns.81. ed. Brasília: FEB, 2013.

https://www.dm.jor.br/opiniao/2017/03/animais-e-reencarnacao/

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