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Por que Crianças são Assassinadas pelos Pais?


Victor Hugo Freitas


Perder um familiar ou um amigo já dói muito. Se este ser que nos deixou era muito jovem, parece doer ainda mais. Tentamos encontrar uma explicação. “Por que, meu misericordioso Deus?” Se estamos à frente de um assassinato, é natural que venha, além da dor, um sentimento de raiva. Agora, e quando assistimos a casos de pais que assassinam os próprios filhos? Ficamos incrédulos, estarrecidos com a crueldade e ficamos inconformados, porque o primeiro pensamento que vem à cabeça é: quem deveria proteger, mata!


De acordo com a Doutrina Espírita, o assassinato de filhos pelos pais é um crime aos olhos do Criador porque aquele que tira a vida de seu semelhante corta uma vida de expiação ou de missão. Matar uma criança já é ofensivo demais, aliás, matar em si já o é, porque qualquer crime desta natureza é totalmente inaceitável. Agora, é inimaginável ver aqueles que foram designados a cuidar de um ser, lá no plano reencarnatório, simplesmente sacar-lhes a vida. A crueldade é um dos piores sentimentos do ser humano. É a forma bárbara e grotesca de preservar seu egoísmo pessoal. A explicação mais plausível para tudo isso é que o assassino está dominado por espíritos tão imperfeitos como ele mesmo e esta simpatia mútua desencadeia todo o desastre.


Sabemos que todo nós temos o livre-arbítrio que dá a liberdade para que cada um escreva sua história e futuro. Sendo assim, somos totalmente responsáveis por nossos atos. Como o objetivo de todos nós é evoluir sempre, o destino dos criminosos será a estagnação na escala da progressão espiritual devido a seus atos maliciosos e de baixa moralidade. Este espírito terá de voltar à vida terrena mais vezes para pagar seus pecados.


Allan Kardec (2013), através de O Livro dos Espíritos, explica ainda que Deus é justo e julga mais a intenção do assassinato do que o fato. Os espíritos dizem a Kardec que tanto o parricídio como o infanticídio são igualmente culpáveis porque crime é crime. Pais devem proteger os filhos e filhos igualmente o devem fazer.


Joanna de Ângelis disse: “A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade. Toda vez que a família se enfraquece a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas”. Deus, o Pai Nosso, conhecendo imensamente a fragilidade de seus filhos e os perigos que o egoísmo oferece para o nosso progresso, criou um mecanismo para nos auxiliar a combatê-lo: ELE criou a FAMÍLIA, onde a proximidade física e os laços de afetividade trabalham na destruição deste vício. Nós sabemos que reencarnamos quantas vezes forem necessárias para evoluir, necessitamos adquirir um novo corpo físico e isso acontece através da família. Todo este esforço nos coloca de volta ao palco da vida dando a nós uma nova possibilidade, novos capítulos a serem reescritos.


O capítulo XVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo (KARDEC, 2002) nos sugere que a reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a unidade da existência os rompe. Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.


Você já se questionou por que nasceu desta família e não de outra? Por que tem esse pai, essa mãe? A Doutrina nos deixa claro que a constituição da família não é obra do acaso, mas consequências de ligações construídas por nós mesmos em vidas passadas ou até no mundo espiritual entre uma encarnação e outra. Os espíritos benfeitores nos ajudam no planejamento e o resultado disso é a escolha da família, que tem o dever de nos ajudar a evoluir. O pai ou a mãe que não alcançam esse objetivo criam débitos que ficam para as próximas passagens na terra.


A nossa esperança é que a sociedade está em constante evolução, sempre progredindo. Quanto mais evoluída a sociedade, mais livre dos malfeitores estaremos. Pouco a pouco, os espíritos dominados pelo instinto do mal irão desaparecendo.

REFERÊNCIAS


KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Petit, 2002.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93ª. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2013.

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