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Reflexão


Jackelline Furuuti

Hoje vamos preparar uma receita muito especial.


Você vai precisar de pepinos, sal, um pouco de óleo e vinagre.


O seu preparo é fácil, basta cortar o pepino, por sal, óleo e finalizar com bastante vinagre.


Mantenha tudo bem prensado dentro de um pote.


Quanto mais tempo em conserva, mais azedo ele fica.


Assim é com a vida.


Você é o pepino, que quando sofre uma decepção se despedaça, chega a temperar com o sal da autopiedade o que já é uma pena por si só.


Semelhante ao óleo, escorrega a cada oportunidade de sair dessa situação e como vinagre, vai acrescentando a cada dia mais acidez à vida.


Se fecha em seu mundo e não deixa ninguém mais entrar. Vai se apertando e nenhum espaço mais te preenche, sempre tem um vazio. Cabe sempre mais vinagre.


Conserva dentro de si o azedume que faz os apreciadores de uma bela tragédia salivarem de prazer.


Se deliciam com cutucadas de palitinhos de aperitivo sem a menor empatia, mas curiosos, se questionando o por quê dessa situação. Se deleitam com tanta tristeza.


Tornou-se fruto de uma geração, que de tanto tentar endireitar o torto pepino, não entendeu que suas imperfeições seriam moldadas inevitavelmente pelas circunstâncias da vida e hoje se despedaça ao se decepcionar com uma realidade imperfeita.