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Relações Simpáticas e Antipáticas sob a Ótica Espíritos


Amanda Teixeira Dourado


Enquanto encarnados sabemos que nossa trajetória jamais será apenas de relações simpáticas, e encontraremos diversas desavenças, algumas delas até fortes, trazendo consequências negativas. Exemplos não faltam, brigas de outras encarnações, ressentimentos, pai que tirou a vida de um filho, amigo que tirou a vida de outro e, infelizmente, muitos desses casos não são resolvidos em vida, pois não foram perdoados, ou até mesmo não quiseram, deixando o orgulho falar mais alto. Mas e quando desencarnamos, o que acontece? No plano espiritual continuam essas intrigas? Será que os espíritos sempre serão simpáticos uns com os outros?


Sabemos que no plano espiritual o que predomina é o amor fraterno. Nosso caminho nos leva a manter relações de amor, nos ajudarmos e evoluirmos após nosso desencarne, porém ainda sim podem existir espíritos resistentes a entenderem a essas mudanças. É então que ocorrem as relações antipáticas, espíritos que carregam problemas conquistados enquanto encarnados.


Vejamos a questão 292 do Livro dos Espíritos:

‘’Alimentam ódio entre si os Espíritos?

Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões. ”


Veja que é tratado o ódio aos espíritos impuros, ou seja, os espíritos que carregam a raiva com eles, e encontrarão dificuldades para sua jornada evolutiva, pois os espíritos se unem pelas relações afetivas, laços esses mais fortes de quando estamos encarnados, se atraindo tanto para relações simpáticas ou antipáticas. O que une as almas, é o amor. Para quando houver qualquer sentimento contrário, de ódio, no plano espiritual, apenas os laços de amor deverão prevalecer, já que é tudo é mais intenso, assim como é o amor. Aos espíritos inferiores, eles sim poderão ter sentimentos ruins, animosidade, ou seja, impuros, mas encontrarão maiores dificuldades para evoluírem.


O Livro dos Espíritos na questão 293, fala sobre como fica o ressentimento conquistado enquanto encarnados:


‘’Conservarão ressentimento um do outro, no mundo dos Espíritos, dois seres que foram inimigos na Terra?


Não; compreenderão que era estúpido o ódio que se votavam mutuamente e pueril o motivo que o inspirava. Apenas os Espíritos imperfeitos conservam uma espécie de animosidade, enquanto se não purificam. Se foi unicamente um interesse material o que os inimizou, nisso não pensarão mais, por pouco desmaterializados que estejam. Não havendo entre eles antipatia e tendo deixado de existir a causa de suas desavenças, aproximam-se uns dos outros com prazer. Sucede como entre dois colegiais que, chegando à idade da ponderação, reconhecem a puerilidade de suas dissensões infantis e deixam de se malquerer. ’’


Vejam que as intrigas não deixam de ser estúpidas, principalmente aquelas que possuam cunho material. Não podemos carregar para nossa alma essa odiosidade, pois ela não faz parte da evolução, e sim de uma infantilidade que apenas nos atrasará.


Mas existem espíritos inferiores que não conseguem se adequar a vibração do plano espiritual?

Sim, existem espíritos tão inferiores, que carregam dentro de si as intrigas que existiram enquanto encarnados, e ainda não conseguiram superar. São esses que são antipáticos.

A aqueles que carregam negatividade dentro de si, somente o perdão pode melhorar sua evolução, para que os laços de amor, amizade se reestabeleça. Espíritos não se enganam, devido a vibração, o amor verdadeiro vai se conquistando.


Quando os espíritos já se relacionavam enquanto encarnados, isso manterá?

Afeição consagrada na Terra mantem, desde que seja verdadeira, caso seja apenas por capricho, ilusões, atrações sexuais ou outros interesses, não. Orgulho e pirraça fazem parte dos espíritos que não querem e não procuram melhorar a antipatia.


Antipatia e simpatia são consequências daquilo que construímos em vida na Terra. Aos espíritos que estão em um nível melhor de conhecimento, mesmo carregando sentimento ruins da encarnação, ao desencarnarem procurarão evoluir e trabalhar para que isso não ocorra mais. Isso é a evolução.

A simpatia entre os espíritos também possui um papel muito grande no plano espiritual. Vejamos a questão 302 do Livro dos Espíritos:


‘’A identidade necessária à existência da simpatia perfeita apenas consiste na analogia dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos? “Na igualdade dos graus de elevação. ”


Ou seja, quanto mais procurarmos evoluir, melhor seremos em nossa existência de simpatia.


E aqueles que atualmente não se encontram simpáticos, e podem vir se tornar, questão 303:


‘’Podem tornar-se de futuro simpáticos, Espíritos que presentemente não o são? “Todos o serão. Um Espírito, que hoje está numa esfera inferior, ascenderá, aperfeiçoando-se, à em que se acha tal outro Espírito. E ainda mais depressa se dará o encontro dos dois, se o mais elevado, por suportar mal as provas a que esteja submetido, permanecer estacionário. ”


A resposta é clara e objetiva, todos serão simpáticos.


Cabe a nós, encanados, enquanto é tempo procuramos evoluir de uma forma pura e verdadeira, para que já em matéria, possamos perdoar aqueles que nos magoaram, entender o porquê de certas coisas, praticar a caridade, para que possamos desencarnar sem antipatia por outrem, mas caso isso não aconteça, com certeza no plano espiritual não encontraremos dificuldades, caso nossa bagarem evolutiva esteja adiantada. Não acaba quando morremos, é apenas o recomeço. Somos todos irmãos, vamos prezar pelo amor, que ele é o único que nos salva.


Muita Luz!


EFERÊNCIAS


Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996. q. 936.