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Tarô e Espiritismo


Fernanda Oliveira

O tarô é uma linguagem universal que através de 78 cartas expressa uma variedade de símbolos arquetípicos, um instrumento para conhecer a si mesmo, já que as cartas refletem nossos próprios pensamentos, vontades, ações e objetivos, ajudando a desenvolver a nossa consciência interior, auxiliando em sua nossa jornada pessoal, levando a refletir e buscar entender as situações que por nossas escolhas acontecem em nossa vida.


Quando utilizamos o tarô como auxiliar do nosso futuro, procuramos melhorar de maneira positiva as nossas escolhas, procurando nos conhecer cada vez mais.


O tarô não é sombrio, bom ou mal; na verdade reflete a energia da pessoa que está consultando as cartas, não é contra nenhuma religião ou credo. Funciona como um espelho interior e um ponto de apoio para a autodescoberta. Observar e conhecer nossos sentimentos ajuda a organizar as nossas prioridades e focar realmente no que é importante na nossa vida. Muitas coisas acontecem independentemente das nossas escolhas, mas podemos e devemos escolher como vamos enfrenta-las, resolver e reagir.


O psicólogo Carl Jung acreditava que a carta de tarô escolhida é inspirada pelo interior da pessoa e existe sincronização total entre as cartas escolhidas e consciência pessoal. O tarô é atemporal.


O espiritismo respeita todas as crenças, religiões e doutrinas, valoriza a pratica do bem e do autoconhecimento. Nenhum espírito superior faz previsões ou adivinhações ou se preocupa com acontecimentos corriqueiros da vida de cada um. Em razão do livre arbítrio o futuro não está previamente determinado, visto que podemos alterar um fato programado através de nossas escolhas.


É na ciência, na razão, na paciência, na perseverança, na tolerância, na empatia, na solidariedade, na plena igualdade e na fraternidade que estão os nossos horizontes. Tudo é mutável e passível de renovação e evolução. A transformação do eu interior se faz necessário, a partir de nossas reformas morais e intelectuais.


Kardec aborda esse tema em O Livro dos Médiuns, no cap. XXVI, item 289 descreve: “Podem os espíritos dar-nos a conhecer o futuro? Se o homem conhecesse o futuro descuidaria do presente (...) Se quiseres questão absoluta da resposta, recebê-la-eis de espíritos doidivanas..”


O futuro sempre resultará da combinação de uma infinidade de fatores. Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação. O livre arbítrio se desenvolve á medida que o espírito adquire a consciência de si mesmo. Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição. As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.


O tarô deve ser utilizado como uma ferramenta de autoconhecimento, ajudando pensar, racionalizar e refletir as questões de nossa vida de maneira consciente , sem ser uma receita pronta e definitiva. É uma oportunidade de revisão interna para entender seu modo de ser e agir, ajudando cada indivíduo entender a sua jornada.


O autoconhecimento pode ser obtido de diversas formas: meditação, terapias, psicanálise, psicoterapia, leituras edificantes e também através das cartas de tarô.


O filósofo Platão vê o autoconhecimento como uma conquista e uma realização pessoal que traz saúde e liberdade para o ser humano. Esse projeto ético tem suas raízes no dito do “Oráculo de Delfos” que tanto influenciou Sócrates: “Conheça a ti mesmo”. Para conhecer-se a si mesmo, é necessário refletir, e aprender a interpretar a si mesmo.


O conhecimento de si mesmo, a busca pelo que somos e do caminho que queremos trilhar auxilia nas escolhas conscientes e no ser feliz pelo que se é e pelo o que se faz. Saber o que pensamos e sentimos afeta diretamente atmosfera ao nosso redor.


É necessário realizar o autoconhecimento para termos uma jornada equilibrada baseada na paz e no amor.


A evolução pessoal é um aprendizado constante e devemos procurar as melhores e sadias formas de aprimoramento do nosso eu com gestos éticos e autoeducação.


Vamos caminhando vigiando as nossas escolhas e buscando sempre o caminho do amor.


REFERÊNCIAS:

Neto, Alexandre Caldini. A vida na visão do espiritismo. Editora Sextante

Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Editora FEB

Nichols, Sallie. Jung e o tarô. Editora Cultrix.

Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o espiritismo. Editora FEB

Bartlett, Sarah. A bíblia do Tarô. Editora Pensamento

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