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Autorresponsabilidade e evolução

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Nandra Laura


A evolução espiritual é particular e necessita de um despertar. É um automovimento, geralmente instigado por dois caminhos: ou a pessoa busca se melhorar em virtude de não suportar uma dor ou porque é capaz de aprender pelo amor e observando erros e equívocos alheios.

 

Em algum período da vida esse momento de cuidar do corpo espiritual chegará. Não podemos nos olvidar do Mestre Nazareno que aos 30 anos chegou a uma idade madura que o permitiu começar a divulgar o Evangelho e ensinar os discípulos.

 

Durante a infância terrena, dependendo do lar em que se encarna, há aqueles que tem a benção da oportunidade de serem evangelizados, independente de religião. Os pais nesse primeiro momento são os evangelizadores, aonde sua pedagogia é a do exemplo.

 

Se a família persistir incentivando a cultivar uma Vida Espiritual e conseguir na fase da adolescência envolver os filhos em grupos de juventude, resistir em realizar e viver o Evangelho, na vida adulta as chances de não fugir dessa rotina são abundantes.

 

Contudo, e os casos daqueles que não tiveram referências familiares ou sociais de forma positiva no campo da moral? Como poderão caminhar para o progresso?

 

Essas pessoas precisarão se tornar protagonistas de suas histórias de vida, e isso é possível por meio da autorresponsabilidade, que significa tomar posse de sua própria vida com o intuito de crescer e evoluir.

 

A responsabilidade em umas de suas várias acepções consiste no comportamento da pessoa sensata e de quem assume e cumpre com suas obrigações. A autorresponsabilidade é a capacidade de assumir as próprias ações e decisões, em vez de atribuir culpas ou responsabilidades a fatores externos ou até mesmo à terceirização da culpa.

 

O problema não é errar, mas persistir no erro. Insistir não é progredir, trata-se de teimosia. A insistência em algo que não colaborará com a evolução de um ser humano acaba concorrendo para um comportamento infantil ainda que se trate de um adulto.

 

O ser humano chega a um determinado momento da sua vida em que reconhece a necessidade de mudar suas atitudes, porque para tudo há consequências, não apenas no sentido de ferir o próximo, como também a si mesmo.

 

Tal lei está em O Livro dos Espíritos, no capítulo 8 da terceira parte sobre as Leis Morais. O progresso é uma realidade da qual nenhum ser humano será capaz de escapar: de não ser possível numa existência, o será em outra.

Diante desse panorama sobre o entendimento de progresso para a Doutrina Espírita, depreende-se que é de dever do ser humano se empenhar nessa jornada.

 

Assim revela a obra na pergunta 779: “A força para progredir, haure-a o homem em si mesmo, ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento? “O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxi­liam o progresso dos outros, por meio do contato social” (KARDEC, 2022, p. 284).

 

A autorresponsabilidade nos movimenta para a Lei do Progresso. Ao assumir a autoria não exclusivamente das vitórias, mas também dos insucessos, é um sinal de maturidade. Reconhecer que num determinado momento uma ação ou decisão foi um equívoco, é um primeiro passo para a jornada do autoconhecimento, ao passo que realinhar a rota é outro.

 

A obra comenta que os mais adiantados podem auxiliar, ou seja, ajudar. Essa ajuda pode ser de inúmeras formas, seja por conselhos, exemplos ou mentoria. Em nenhum momento fala-se sobre terceirizar o progresso ou transferir a sua responsabilidade.

 

Pessoas que não vivem essa jornada de autoconhecimento podem cair em armadilhas de vitimismo, o que é um grande obstáculo para esse crescimento pessoal. Isentar-se de suas colheitas não os escusa das escolhas de suas sementes. Todos seremos julgados segundo nossas obras.

 

Se uma situação íntima e dolorosa nos paralisa, é natural do ser humano transferir a culpa para outrem, sejam os pais, amigos, sociedade ou governo; todavia, esse comportamento nos impede de encarar a dificuldade e aprender que há sempre lições a absorver com a dor, afinal isso também é progresso.

 

Autorresponsabilidade é também cumprir o mandamento da Lei do Amor, e Jesus nos legou da mesma forma a lei do autoamor, pedindo para que amemos o próximo como a nós mesmos. Uma das maneiras de nos amar é o autocuidado, não exclusivamente do corpo físico, mas também do corpo espiritual e mental.

 

Deixo um recado para aqueles que se recusam a trilhar pelo progresso pessoal; os Espíritos respondem a Allan Kardec sobre essa fuga.  A pergunta 781 questiona: “Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso? “Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la” (KARDEC, 2022, p. 284).

 

Isso significa que o ser humano pode até dificultar, escolher a porta larga ao invés da estreita, retardar intencionalmente, escolher os prazeres ao invés dos deveres; contudo, em algum momento ele sairá dessa zona de conforto e caminhará para o progresso que o aguarda, porque a vontade do Pai é sempre o melhor para Seus filhos.

 

Que a luz do Mestre Jesus ilumine nossas mentes para que possamos ser obedientes às regras perfeitas do nosso Pai e Criador, e que a cada dia removamos as pedras do egoísmo e do orgulho da jornada do nosso progresso, uma vez que a inteligência suprema jamais erra. E que assim seja.

 

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Referência:

 

KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro – 1ª edição dez. 2022 – Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita.

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