O autoengano espiritual
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Núbia Miller
A Doutrina Espírita nos propõe constantemente o exercício da fé raciocinada, utilizando como fundamento indispensável à razão, em qualquer momento da história da Humanidade, como traz Kardec (2023): “Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade”. Sendo assim, o Espiritismo descortina dogmas, trazendo a religiosidade à luz da razão. Porém, muitos de nós Espíritas, mesmo na atualidade, ainda temos dificuldades em utilizar o discernimento raciocinado, explorando nossa religiosidade e, acima de tudo em colocar em prática os dons dados por Deus no exercício da prática espírita. Isso, talvez por comodismo ou mesmo pelo exercício da autoridade de algumas lideranças religiosas, e assim, acabamos por deixar de protagonizar a nossa fé, que poderia ser desdobrada em atividades diversas de doação e crescimento moral junto à Doutrina Espírita.
A ausência de uma fé raciocinada associada ao comodismo levam-nos ao pouco estudo do Espiritismo, em que buscamos apenas um refúgio e seguimos personalidades religiosas que são capazes de oferecer soluções prontas, e muitas vezes pouco reconfortantes, isentas de questionamentos ou da prática de uma fé racionalidade. Acabamos por deixar de explorar os dons dados por Deus, deixando de servir e propagarmos o Espiritismo. A consequência individual é o autoengano espiritual, que acaba por tomar proporções maiores, quando resulta na formação de comunidades espíritas ritualísticas, com poucos trabalhadores e, que muitas vezes se assemelham a outras comunidades religiosas, em que a autoridade do dirigente torna-se inquestionável.
É importante elucidar que o maior problema não está na conduta de dirigentes ou mesmo no exercício da liderança religiosa, mas sim, no ato de negligenciar a forma de pensar, questionar, servir ou mesmo de refletir de forma individualizada as práticas da religiosidade. As consequências dessa recusa são a estagnação em uma fé cega, disfarçada por uma falsa humildade incipiente, em que criamos diversas escusas como “não sou capaz de estudar”, “não tenho tempo para um curso semanal”, entre tantas outras desculpas que utilizamos.

Porém, a Espiritualidade espera mais de nós, e por isso, devemos deixar essa ociosidade pragmática e sermos protagonistas e responsáveis com os dons que nos foram concedidos por Deus, trabalhando e servindo, além de questionar, analisar, compreender antes de aceitar qualquer ideia como verdadeira e, acima de tudo, ser participativo e, colaborar com atividades de Casas Espíritas.
A Espiritualidade exige discernimento e não fuga da realidade. O Espírita precisa estudar e compreender que deve servir e fazer o maior favor ao Espiritismo, que é a sua divulgação. Esse é o maior dom que nos foi dado. A reencarnação é um Planejamento Divino, sendo o investimento de Deus em cada um de nós. Não podemos esquecer todo esse investimento, e devemos pôr em prática os dons que nos foram concedidos, trabalhar e servir.
Não podemos admitir uma postura passiva e conformista. Não é jeitinho ou mágica, apenas estudo e esforço pessoal: da ação surge a verdadeira transformação. Temos que querer aprender, ter vontade, constância. Cumprir com nossos desígnios aqui. Para não haver o autoengano, principalmente, após a morte do corpo físico, o Espírita não pode vir a Terra somente para tomar passes semanais, vestir uma máscara de bondade e não agir, não questionar, não praticar.
Perante esse cenário, torna-se necessário recordar constantemente aos adeptos Espíritas a importância fundamental da fé raciocinada. O Espiritismo, como proposta filosófica, requer um permanente exercício intelectual de análise crítica, um esforço individual contínuo para compreender profundamente suas bases conceituais e para submeter todas as manifestações mediúnicas e conteúdos divulgados ao crivo da lógica, da coerência e da universalidade.
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Referência:
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. 1ª edição. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita, 2023.
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