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O indispensável papel da intuição

  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Francislene Magda da Silva


Ao longo do processo evolutivo transitamos pelos reinos mineral, vegetal, animal e hominal e desenvolvemos inúmeros recursos e habilidades, e a partir deles ampliamos nosso entendimento sobre a vida e as Leis Divinas que a regem.

 

Em tempos mais distantes, atribuíamos às expressões da Natureza o papel de Divindade, às quais reverenciávamos ou temíamos. Adorávamos o sol como um Deus e temíamos os raios e trovões, pois os interpretávamos como a Ira Divina. Com a ampliação da nossa compreensão, hoje reconhecemos os fenômenos da Natureza como a Criação Divina que deve ser cuidada e preservada por todos nós, somos cocriadores.

 

Ao nos desembaraçarmos do primitivismo, gradativamente despertamos os instintos, a sensação e a percepção, desenvolvemos a inteligência, reconhecemos as emoções e nos direcionando para atingir o ápice da evolução: a vivência do sentimento do amor universal.

 

Nossa caminhada evolutiva transcorre sob o amparo da Espiritualidade Maior, com atuação mais direta do grupo de Espíritos que nos tutelam na encarnação, os Protetores individuais e demais Benfeitores.

 

Allan Kardec nos explica que nossa interação com os Benfeitores Espirituais ocorre pela mediunidade:

 

Médiuns são pessoas aptas a sentir a influência dos espíritos e a transmitir os pensamentos destes. Toda pessoa que, num grau qualquer, experimente a influência dos espíritos é, por este simples fato médium. Essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui privilégio exclusivo, donde se segue que poucos são os que não possuam um rudimento de tal faculdade. Pode-se dizer que toda gente, mais ou menos é médium” (KARDEC, 1944, p. 57).

 

Somos amparados e orientados pelo Anjo da Guarda ou Espírito Protetor e esta é uma evidência clara do que nos ensina Kardec sobre todos sermos médiuns, ainda que não tenhamos consciência desta interação espiritual.

 

Nesta interação estão presentes de modo entrelaçado algumas facetas da mediunidade: a intuição e a inspiração.

 

Observemos o que nos ensina Kardec sobre os médiuns intuitivos e inspirados:

 

“[...] o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa com­preendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo” (KARDEC, 2023, p. 155). 

[...]

Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas pode ser incluí­do na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva [...]” (KARDEC, 2023, p. 156).

Na medida em que nos desenvolvemos, naturalmente nos sentimos motivados a compreender o sentido da vida para além dos aspectos puramente materiais. Esta busca nos coloca em patamares de entendimento mais sutis e a intuição é um canal indispensável para a ampliação do conhecimento espiritual.

 

No livro Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, a Mentora Joanna de Angelis nos esclarece:

 

Como efeito inevitável, a inspiração superior vem trabalhando em nome dessa Lei, para que o espirito modele as asas para a ascensão, através de disciplinas morais e sociais, mediante as quais aprende a dominar os impulsos e racionalizá-los, para que no futuro consiga introjetar o sentimento profundo do amor e, mergulhado conscientemente na Lei Natural, consiga utilizar-se da intuição ou comunicação direta com o Pensamento universal espraiado em toda parte, ascendendo aos planos da felicidade que almeja” (FRANCO, 2000, p. 16).

 

Para alcançarmos níveis mais altos de compreensão das verdades espirituais, sintonizarmos as Esferas Elevadas, termos olhos de ver e ouvidos de ouvir a beleza transcendente para além da matéria, precisamos integrar o autoconhecimento e o conhecimento espiritual. Realizando este processo complexo e delicado em sintonia cada vez mais afinada com as Leis Divinas ou Naturais.

 

Para paulatinamente ampliar a compreensão destas Leis e tê-las como parâmetros para nossa evolução é interessante cultivar o silêncio interior, a meditação sobre os temas espirituais, a conexão com as emoções para educá-las e, desta forma, pode-se criar um campo mental e emocional propício às inspirações, às intuições e assim penetrarmos nas entrelinhas do que vivemos, encontrando significados superiores, constatando a atuação das Leis.

 

A vivência do autoconhecimento nos possibilita sentir e vislumbrar a vida como um processo de conquistas e amadurecimento do Espírito, este vislumbre nos leva a buscas diferenciadas.

 

Este estado de espírito aguçado para a descoberta, a renovação e a apropriação dos verdadeiros valores, nos coloca em condições vibratórias com as quais podemos sintonizar nuances do pensamento universal.

 

No contexto espiritual, o conhecimento está a serviço da evolução do Espírito. Para ampliarmos o conhecimento espiritual, contamos com a vasta literatura espírita, com inúmeras obras psicografadas pelo mecanismo da mediunidade, mencionada anteriormente, observando-se aí a intuição, favorecendo a disseminação do referido conhecimento, num empenho contínuo e amoroso da Espiritualidade Superior para nos tornar acessíveis as verdades espirituais.

 

Ao nos sensibilizamos para o conhecimento das verdades espirituais e das Leis Divinas, naturalmente refinamos a nossa interação com os Benfeitores Espirituais. O conhecimento adquirido anteriormente se torna base e sustentação para outras experiências e outros conteúdos iluminativos, como nos elucida Joanna de Angelis:

 

O psiquismo divino, nele latente, responde ao apelo das forças superiores [...] qual antena que capta a emissão de mensagens alcançadas somente nas ondas que sintoniza. [...] Experimentando este prazer ético e estético, diferente da brutalidade do primarismo, acostuma-se com ele e esforça-se para novos cometimentos que, a partir de então já não cessam, desde que, encerrado um ciclo, qual espiral infinita, outro prazer se abre atraente, parecendo-lhe cada vez mais fácil” (FRANCO, 1989, p. 12-13).

 

Amparados pelos Benfeitores Espirituais, somos estimulados a vivenciar e conhecer aquilo que favorece a nossa elevação moral. Somos intuídos amorosamente a construir a edificação de nosso ser, reverberando na convivência com o próximo podendo assim contribuir para a pacificação universal.

 

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Referências:

1- KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 26ª.ed. Brasília, DF. Feb. 1944.

2- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

3- FRANCO, Divaldo P. Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 1ª. ed. Salvador, BA. LEAL. 2.000.

4- FRANCO, Divaldo P. Jesus e Atualidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 4ª. ed. São Paulo, SP, Editora Pensamento. 1989.

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