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Comunicação Mediúnica pela psicografia: mecanismo de amparo e consolo

  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Nandra Laura


Talvez seja a comunicação mediúnica um dos mais belos mecanismos de amparo que a Espiritualidade nos oferece.


A comunicação mediúnica abre a oportunidade para que quem partiu deixe, enfim, um pouco do que não pôde ser dito enquanto estava por aqui.É um bálsamo, tanto para aqueles que já seguiram adiante, quanto para os que permanecem e aguardam, com o coração apertado, algumas palavras sobre a nova caminhada espiritual do ente amado.

 

Contudo, para que cumpra esse papel de amparo, a comunicação precisa ser séria, tornando-se um instrumento de auxílio, esclarecimento moral e consolo, exatamente como Kardec nos informa, uma vez que sua finalidade é instruir, moralizar e aliviar os que sofrem.

 

A seriedade começa pelo ambiente. A comunicação mediúnica não acontece em qualquer lugar. O recomendado é que seja realizada em uma Casa Espírita, durante as sessões mediúnicas, que são encontros reservados especialmente para esse trabalho.

 

Cada Casa possui um dia da semana destinado a isso. Os médiuns se reúnem – muitas vezes em sessões fechadas — iniciando os trabalhos com uma leitura do Evangelho ou de uma obra espírita, harmonizando o ambiente.


Mesmo que nem todos os médiuns psicografem, todos participam: alguns escrevem e outros sustentam a vibração pela prece, auxiliando os desencarnados que se organizam para ter a bênção de um texto, assim como os médiuns que doam seu fluido vital para o trabalho.

 

O médium psicógrafo não é especial por sua tarefa, é um trabalhador que precisa de disciplina e equilíbrio.


A comunicação não existe para exibicionismo ou curiosidade: seu propósito é a caridade, o auxílio e o consolo.

 

Apesar do amparo amoroso da Espiritualidade, nem todas as comunicações vêm de Espíritos esclarecidos. Há irmãos que ainda sofrem, que não compreenderam o próprio desencarne ou que não aceitam a nova realidade espiritual.

 

E quando a comunicação mediúnica não é sobre boas notícias? E quando envolve irmãos sofredores, confusos, e que ainda não encontraram paz?

 

Nem sempre o Espírito que se comunica está sereno. Muitas vezes, a mensagem chega como um pedido de socorro — um grito silencioso de alguém que sente medo, saudade, confusão ou dor moral. Nesses casos, a comunicação mediúnica se torna um primeiro passo na regeneração do Espírito.


Ao adentrar a vibração harmoniosa da reunião, o desencarnado encontra, enfim, um ambiente que ele não conseguia acessar sozinho: um espaço de serenidade, prece e acolhimento. Ele se beneficia da paz que o grupo sustenta, recebe o refrigério da oração coletiva e encontra, no diálogo fraterno com os médiuns doutrinadores, a oportunidade de perceber que não está perdido e que existe auxílio amoroso e mãos estendidas para ajudá-lo a se reorganizar.

 

A comunicação, então, funciona como uma porta que se abre. Um Espírito que ainda sofre, ao desabafar por meio da psicografia, muitas vezes inicia justamente ali o processo de aceitar ajuda, compreender sua nova condição e levantar-se espiritualmente.

E é justamente por isso que a reunião mediúnica séria é tão importante: porque oferece amparo também a esses Espíritos, acolhendo-os com prece, diálogo fraterno e orientação, sem julgamentos.


A disciplina dos médiuns e a harmonia do ambiente funcionam como proteção, garantindo que, mesmo quando a mensagem chega de um Espírito em desequilíbrio, ela seja tratada com caridade e discernimento, nunca como espetáculo ou fonte de medo.

 

Costumamos olhar apenas para os irmãos encarnados que aguardam ansiosamente por uma carta de seus entes queridos, desejando notícias, desejando entender como andam as coisas do “outro lado”: se ainda existe dor, se encontraram o perdão, se reencontraram o Reino dos Céus.

 

Porém, muitas vezes esquecemos dos irmãos que já desencarnaram e que também desejam dar notícias: contar dos reencontros, tranquilizar os que ficaram, dividir alegrias e, sim, dizer que também sentem saudades.

 

A comunicação mediúnica não é um atrativo, tampouco um espetáculo da Casa Espírita. Ela existe para nos lembrar que a vida continua, que somos acompanhados e que ninguém sofre sozinho.

 

Além do consolo imediato, há um propósito maior na comunicação mediúnica. Para o Espírito desencarnado, é a chance de trazer a boa nova da própria continuidade, compartilhar aprendizados, oferecer paz e mostrar que a morte não é ruptura, mas passagem.

 

Para o médium e para o grupo mediúnico, torna-se uma oportunidade valiosa de trabalho, disciplina, aprimoramento moral e serviço.


Para outros desencarnados presentes que ainda não foram agraciados com essa oportunidade, a comunicação serve como exemplo, inspiração e esperança.


E para os familiares e amigos que ficaram, é um presente: uma carta que não se pôde escrever em vida, uma palavra que cura, um recomeço possível. Porque, embora muita coisa não possa ser recuperada, é sempre possível seguir adiante com tranquilidade, confiando que, no fim, tudo se ajusta, tudo se ilumina e tudo dá certo.

 

Desse modo, a comunicação mediúnica é uma oportunidade para encarnados e desencarnados. É um momento emocionante de aprendizado, reencontro e, sobretudo, uma bendita chance de sermos instrumentos acolhedores para nossos irmãos — estejam eles deste lado ou do outro lado da vida.

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