Espiritismo e respostas para o vazio existencial

Guilherme Carvalho
Defrontamo-nos, irremediavelmente, com o crescente surto de transtornos psicopatológicos na sociedade. Verificamos que semelhante as classes animais onde, por meio do mimetismo, as cobras, borboletas e polvos, estabelecem uma forma de passarem despercebidos, o homem vinculado a estes comportamentos atávicos reproduz, inibindo a própria personalidade, uma mera réplica em massa, que desregula e inviabiliza quem se é, para quem eu gostaria de ser.
As atividades suscitadas, referendadas pelo apoio social, são somente aquelas que não interfiram na organização, na estrutura vigente. Qualquer abalo, por menor que seja, é descartado agressivamente, como temos visto nas “ondas de cancelamento, linchamento virtual”.
Para sobreviver, a criatura, portadora de imperfeições, utiliza-se de máscaras, que lhe substituem o verdadeiro comportamento que gostaria de exercer, para aquele que é socialmente aceito. Não necessariamente, benéfico, pois que, observando os valores propagados em sociedade, enxergamos a doença que sobrepaira e as dores de cada um.
Elucida a Benfeitora Joanna de Ângelis na sua obra Amor, imbatível amor: “Nesse processo de superação do primarismo, quando o Self adquire discernimento, se não houve um amadurecimento paulatino e cuidadoso, ocorrem, segundo Vitor Frankl, em seus estudos e aplicações logoterápicos, dois fenômenos que respondem pelo vazio existencial: a perda de alguns instintos animais, básicos, que lhe davam a segurança, e o desaparecimento das tradições que se diluem, e antes eram-lhe paradigmas de equilíbrio” (FRANCO, 2004, p. 95).
A Medicina atual alia tratamentos endócrinos, longas avaliações psicológicas, pesquisas infindáveis, terapias várias, entretanto, o ser continua doente. Avaliando a constituição fisiológica, à ótica materialista, não se chega ao cerne da questão. Dando-lhe, porém, a luz da palingenesia, da reencarnação, por métodos onde se trata o ser na sua integralidade, Espírito, perispírito e matéria, chega-se mais acertadamente as causas aflitivas.
O vazio existencial é, desta forma, um afastamento da Leis Regentes do Universo, falta de sentido, de identificação com a vida. Aturdido no acontecimento da carne, na experiência que lhe é imposta para sua evolução, revoltado nas recônditas fibras que possui, torna-se a própria criatura o seu antagonista. A dor, neste sentido, o vazio existencial, é mecanismo cambiante a natural rota do progresso pela qual deve envidar esforços e prosseguir.
O Espírito Joanna de Ângelis esclarece em seu livro Vidas Vazias: “A sociedade moderna tem necessidade de compreender que se renasce no corpo carnal para que seja alcançada a plenitude, e não exclusivamente para as necessidades inferiores, as biológicas, conforme os estudos de Maslow em muito boa elaborada reflexão” (FRANCO, 2021, p. 21).
Cronista e Aquarelista do Evangelho, o Espírito Amélia Rodrigues, por intermédio de um apóstolo da mediunidade, Divaldo Pereira Franco, em seu livro O Essencial, narra: “Todos os viandantes da indumentária carnal dependem dos valiosos tesouros da fé e da esperança a fim de darem sentido à existência” (FRANCO, 2024, p. 84).
Atrelando o pensamento de Joanna de Ângelis ao de Amélia Rodrigues, podemos considerar que para se levar uma vida preenchida de sentido, reta em acordo com o bem, faz-se imprescindível mantenhamos um olhar para além do corpo orgânico que momentaneamente nos serve.
Dirimindo a nossa fé, à luz de um propósito maior, arregimentamos em nós mesmos um longo, árduo, mas compensador trabalho onde o ponto final é a felicidade plena. Que como demonstrou o Mestre Jesus, não é localizada neste mundo, onde assolam dores e sofrimentos, egoísmo e orgulho, vaidade e inclemência.
Caso, portanto, queiramos dar sentido as nossas existências, urge sigamos os passos do Meigo Rabi da Galileia, tomando de nossas cruzes, que são as dores semeadas por vontade nossa e tem de ser reparadas com o bem que nos investimos. Envolvamo-nos na energia pulsante e vibrante do amor, é o primeiro e mais importante passo para a integralidade da criatura humana, que um dia será o nosso vir a ser.
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Referências:
1- FRANCO, Divaldo Pereira. Amor, imbatível amor. 1. ed. / Pelo Espírito Joanna de Ângelis [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2024.
2- FRANCO, Divaldo Pereira. Vidas vazias. 1. ed. / Pelo Espírito Joanna de Ângelis [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2021.
3- FRANCO, Divaldo Pereira. O Essencial. 1. ed. / Pelo Espírito Amélia Rodrigues [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2024.
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