O Espírito e a escolha do médium de trabalho

Érika Faustino
“A mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre toda carne e prometida pelo divino Mestre aos tempos do Consolador, atualmente em curso na Terra” (XAVIER, 2013).
Definida por Kardec, como a faculdade inerente ao ser humano, a mediunidade não se manifesta ao acaso. Todas as pessoas, em grau diferente de sensibilidade, recebem e as vezes manifestam a influência dos desencarnados. Por isso um conceito que já podemos ter nesse primeiro momento é que é algo que é acessível a todos e que vai seguir a subjetividade de cada um.
Quando um Espírito busca transmitir uma mensagem ou realizar uma tarefa no plano físico, a escolha do médium é um processo que transcende a mera conveniência, ancorando-se em profundos laços de afinidade e planejamento espiritual. Seguindo essa lógica, se a intenção do médium é se ligar a Espíritos Elevados, faz-se necessário elevar sua moral para alcançar as vibrações altivas desses Espíritos.
O processo do intercâmbio mediúnico ainda é uma incógnita no que diz respeito aos detalhes mais minuciosos do enlace entre Espírito e alma. Nesse processo há várias dimensões envolvidas, no entanto, um consentimento geral, é a importância do perispírito e a aura.
Quanto à aura, ressalta a evidência que, constituindo uma projeção do períspirito, envolvendo-o, representa o primeiro nível de contato, nos casos de relação direta, entre comunicante e médium. “É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, em que cada consciência constrói seu ninho ideal”, - anota André Luiz - “que começaram todos os serviços da mediunidade na Terra, considerando- se a mediunidade como um atributo do homem encarnado para corresponder- se com os homens liberados do corpo físico” (XAVIER, Francisco Candido. VIEIRA, Waldo. André Luiz, Espírito. “Evolução em Dois Mundos”. 13ª ed. FEB, 1993, cit., p. 130: Cap. XVII) ZIMMERMANN, 2002)
A Escolha Guiada pela Afinidade e Moralidade
A Doutrina Espírita ensina que a qualidade do intercâmbio depende diretamente das condições morais e vibratórias do médium. Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, estabelece a lei de afinidade, advertindo: "Se o médium é vicioso, em torno dele se vêm grupar os Espíritos inferiores, sempre prontos a tomar o lugar aos bons Espíritos evocados" (KARDEC, 2023). As qualidades que atraem os Bons Espíritos são a bondade, a benevolência e a simplicidade de coração. O critério mais importante para um bom exercício mediúnico é a reforma íntima assídua. Qualquer um é campo fértil à Mediunidade Divina, basta se dispor a evangelizar-se (melhorar-se moralmente ser o homem de bem, segundo o Evangelho do Cristo), educar-se ante a intelectualidade (uma vez que os Espíritos utilizam o material psíquico do médium e adquirir conhecimento é mais uma forma de trabalhar a favor da Espiritualidade) e como deixou bem claro João, o apóstolo, o conhecimento é a chave que abre as portas para libertar a alma do cativeiro da ignorância (1 João 8:32, BÍBLIA, 2018).
O Espírito comunicante, especialmente se for um Mentor ou Instrutor, buscará um instrumento (médium) que lhe ofereça a menor resistência moral, maior sintonia vibratória e conhecimento. Não sendo essa uma obrigação, e sim um acréscimo, uma serventia que facilita o trabalho mediúnico. Este não é um atestado de perfeição, mas de esforço e boa-vontade por parte do médium. O trabalho mediúnico é, portanto, um labor de equipe, onde a vigilância mental e a elevação moral do encarnado são cruciais para a fidelidade da mensagem e a segurança do trabalho no bem.
Planejamento reencarnatório e matéria mental
A aptidão mediúnica para o trabalho sério não é algo aleatório; frequentemente, é uma disposição previamente estabelecida no planejamento reencarnatório do Espírito. Muitos médiuns ostensivos aceitam, antes de renascer, a missão de servir como pontes entre os dois planos, sendo preparados para tal tarefa.
Martins Peralva, aprofunda a compreensão da importância do compromisso com a mediunidade, no Capítulo intitulado “Mandato mediúnico”. Ele esclarece que médiuns existem aos milhares, mas que para exercer o trabalho mediúnico com excelência, faz-se necessário passar por várias etapas nas encarnações, para se comprometer com a mediunidade como trabalho com o Cristo. O médium atua como um intérprete, traduzindo as ideias para a linguagem humana. Para que essa tradução seja fiel ao Plano Superior, é imprescindível que o médium possua mérito, confiança e competência, em se tratando de Assuntos Divinos. Por conta disso, é possível perceber que há na atualidade médiuns em todos os lugares, mas poucos, ou diria, raros são os que servem de instrumento afiado para o concurso de Espíritos de Escol.
O Mentor Espiritual, ciente do potencial e das limitações do seu instrumento, é direcionado a trabalhar com aquele cuja capacidade mental e moral melhor se ajusta aos objetivos da comunicação. A escolha, assim, é um reflexo do propósito da mensagem e das condições internas do intermediário.
A Responsabilidade Mútua e o Domicílio Vibratório
A escolha do médium está intrinsecamente ligada à lei de sintonia. O Espírito comunicante interage no domicílio mental do médium, que é construído pelas suas ondas de pensamento, emoções e inclinações. O médium, por sua vez, atrai os Espíritos afins ao seu estado interior.
Em suma, a escolha de um médium para o trabalho sério é um ato de responsabilidade mútua, fundado no planejamento espiritual e na atração pela qualidade moral e intelectual que garantirá a sintonia vibratória. O Espírito é direcionado pela Lei Divina a quem possa lhe oferecer o melhor canal, e essa qualidade é determinada, em grande parte, pelo esforço e conduta do médium no aperfeiçoamento de si mesmo.
Para que sejamos nós outros no futuro, portadores do mandato mediúnico, é necessário começar a partir de agora a busca consistente e disciplinada da transformação íntima, tendo o Evangelho como roteiro para lapidar o Espírito no bem e a conduta de Jesus, o Cristo, como meta!
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Referências
BÍBLIA. A Bíblia Anote: nova versão internacional na nova ortografia com o Novo testamento em duas cores. Organização: Geográfica Editora. Edição: Sociedade Bíblica Internacional. Santo André: Geográfica, 2018.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1. ed. Campo dos Goytacazes, RJ: Letra Espírita, 2022.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 1. ed. Campo dos Goytacazes, RJ: Letra Espírita, 2023.
PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade. 17. ed. Brasília, DF: FEB, 1994..
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: FEB, 1960.
ZIMMERMANN, Zalmino. Perispírito. 2. ed. Campinas, SP: Centro Espírita Allan Kardec, 2002.
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