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Vínculos Espirituais que atrasam o progresso

  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Rafaela Paes de Campos


A vida é constantemente um convite para que nós reflitamos sobre os laços que nós cultivamos. Alguns deles, inegavelmente, nos trazem fortalecimento, sentimentos elevados e servem a impulsionar a nossa caminhada em direção à ascensão espiritual. Contudo, é certo que há outros em que nos sentimos presos à dor, ao ressentimento e ao apego, o que acaba atrasando a nossa evolução.

 

Sabemos que nossos encontros nesta vida não são meros acasos, mas sim oportunidades de aprendizado, reconciliação e progresso. Entretanto, mergulhados na materialidade, nos deixamos dominar por paixões excessivas, ciúmes, rancores e até por dependências emocionais, o que culmina na transmutação de oportunidades em correntes que nos impedem de avançar.

 

É que não raramente nós acreditamos que amar é possuir, controlar ou exigir do outro que a nossa vontade seja atendida. Nossas relações se pautam no medo da perda, na insegurança e até no desejo de vingança, em alguns casos. Tratam-se todos de verdadeiros grilhões espirituais.

 

Tais vínculos atravessam as encarnações! Sabemos que já nos reencontramos com pessoas com as quais temos antigas pendências. Não temos certeza, mas o Espírito sente. Desavenças familiares, rivalidades, mágoas que parecem incuráveis, tudo é desafio para o presente.

 

Mas, também, convites à reconciliação, quando acolhidos com humildade. Caso contrário, é motivo de estagnação.

 

390. A antipatia instintiva é sempre sinal de natureza má?

De não simpatizarem um com o outro, não se segue que dois Espíritos sejam necessariamente maus. A antipatia, entre eles, pode derivar de diversidade no modo de pensar. À proporção, porém, que se forem elevando, essa divergência no modo irá desaparecendo e a antipatia deixará de existir” (KARDEC, 2022, p. 171).

Não há injustiças nos mecanismos de Deus e tudo o que vivenciamos atende à Lei de Causa e Efeito – que não é punição, mas sim ferramenta de reajuste e equilíbrio. Quando entendemos que há situações em que o passado nos chama, é preciso que tenhamos resiliência em responder com novas atitudes e sentimentos renovados.

 

Mas, então, o que fazer com esses vínculos espirituais que atrasam o progresso? Renovar a nossa postura diante deles. Não fugir nem negar os laços que nos unem! Só por meio do perdão e da oração sincera é que conseguiremos dissolver as correntes invisíveis que prendem as almas.

 

Quando perdoamos, não estamos justificando erros cometidos, mas estamos nos libertando de uma terrível prisão de ressentimentos. E é importante compreender que esse perdão pode ou não vir acompanhado da convivência. A atualidade demonstra que há relações que ameaçam a nossa integridade enquanto um ser global; ameaça o físico, o mental e o espiritual. Nesse contexto, a convivência não é possível, mas o perdão é indispensável. Perdoar e deixar ir, com leveza, sem alimentar sentimentos corrosivos que nos fazem mal e afetam toda a nossa caminhada.

 

Se em tudo enxergarmos oportunidade de aprendizado, as relações difíceis se tornam degraus para a nossa ascensão. Não perdoar é permanecer aprisionado à mágoa, e isso nos deixa no exato lugar onde já estamos.

 

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Referências:

 

1- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

 

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