Espiritismo x ciência materialista
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Érika Faustino
A crítica espírita à visão limitada que exclui o Imaterial
Os avanços revolucionários da ciência foram e são fundamentais para o crescimento e evolução de diversas áreas. Porém, desde sua codificação no século XIX, o Espiritismo traz um ponto crucial de reflexão: quando a ciência se limita a estudar apenas o que é tangível e mensurável, ou seja, a matéria, ela se torna uma ciência com “vendas nos olhos”, que ignora uma dimensão fundamental da realidade humana: O Mundo Imaterial e o Espírito.
A parte central da discussão espírita não é o antagonismo à ciência em si, mas à filosofia materialista que, muitas vezes, a acompanha e a restringe.
O materialismo como algema do conhecimento
O método científico, baseado na observação, experimentação e comprovação é inestimável. O problema surge quando esse método, por escolha filosófica, exclui, a priori, qualquer hipótese que envolva a existência de um princípio inteligente independente da matéria.
Em uma visão meramente materialista, questões como a consciência, o pensamento e as emoções são produtos oriundos de processos físico-químicos do cérebro. Com o advento da morte, tudo se aniquila.
Rompendo esse limite materialista, a Doutrina Espírita, em seu triplo aspecto (ciência, filosofia e religião) propõe uma visão mais ampla da ciência:
“O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações” (KARDEC, 1983, preâmbulo).
Princípio espiritual: a terceira força
Kardec reconheceu a existência de três elementos no Universo: Deus (inteligência suprema e causa primária de todas as coisas), matéria (elemento corporal e material) e o Espírito (que aqui vamos tratar como princípio inteligente visto que o princípio inteligente é uma etapa anterior à consciência). A ciência tradicional se ocupa quase que exclusivamente da matéria, ignorando o elemento imaterial.
O Espiritismo, por meio da observação e do estudo dos fenômenos mediúnicos e anímicos, convida a ciência a ampliar seu campo de pesquisa para incluir a hipótese do Espírito.
A existência do invólucro semimaterial que liga o Espírito ao corpo (perispírito), por exemplo, é um conceito que a Doutrina propõe para servir de ponte entre o mundo material e o Espiritual, um campo vastíssimo e ainda inexplorado pela ciência acadêmica.
Essa limitação materialista não responde questões fundamentais como: O que acontece após a morte? Por que sofremos? Qual o sentido da vida? O Espiritismo, porém, ao investigar e estudar a sobrevivência da alma, as reencarnações e a comunicabilidade dos Espíritos, amplia a compreensão da existência e traz respostas que a ciência convencional não consegue oferecer.
Efeitos da omissão do imaterial
No campo humano especialmente, medir a realidade apenas pela visão material traz consequências como: reduzir o ser humano apenas como um corpo biológico, sem considerar a profundidade de sua natureza moral, psíquica e espiritual; limita a compreensão da vida e seus desafios; a saúde é vista e tratada apenas a partir do corpo físico, ignorando a influência de aspectos espirituais e psíquicos, o que acaba também limitando o tratamento de transtornos que têm raízes profundas na alma.
O chamado da Doutrina Espírita à ciência tradicional é para a expansão dos horizontes: para que amplie seu olhar e observação para além da matéria; para que investigue com rigor e método também as evidências dos fenômenos que apontam para a realidade do Espírito e para a imortalidade da alma. Somente assim ela se tornará a ciência da realidade total, capaz de responder às questões mais profundas da existência humana.
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Referência:
1- KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 27ª edição. Av. Passos, 30- RJ: Federação Espírita Brasileira, 1983
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