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Caridade se divulga, sim!

  • há 9 horas
  • 5 min de leitura

Ludmila Rosa


Muitas pessoas, ao ouvirem a frase de Jesus: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus 6:3), interpretam que toda caridade deve ser feita em silêncio absoluto, sem que ninguém saiba. Mas será que essa é a única forma correta de ajudar? No mundo de hoje, com redes sociais, campanhas on-line e tantas formas de mobilização, é possível que a divulgação da caridade também seja um instrumento de amor, multiplicando o auxílio.

 

Ajudar envolve empatia, respeito e afeto, atrelado ao desprendimento material, sem cobrança de retorno, sem pensar no que o outro vai fazer com a assistência recebida, assim é possível haver elevação do Espírito para aqueles que trilham no caminho da prática caritativa.

 

No Espiritismo, a caridade é a base da salvação espiritual, como nos lembra Allan Kardec, “fora da caridade não há salvação”. Em o Evangelho Segundo o Espiritismo, o capítulo 15 é dedicado ao tema, trazendo elucidações acerca da necessidade de fazer o bem, visto que está ao alcance de todos, do rico e do pobre, do ignorante ou do sábio e independe da crença. E, se é por meio dela que nos aproximamos de Deus, por que esconder totalmente as ações que podem inspirar outras mãos a se moverem no bem? (KARDEC, 2023, p. 192)

 

1. A diferença entre vanglória e inspiração

Divulgar uma ação de caridade não é o mesmo que buscar aplausos. Quando a motivação é o orgulho, o ato perde seu valor moral. Porém, quando a intenção é mobilizar mais pessoas, mostrar que é possível e incentivar a prática, a divulgação se torna um ato de semeadura.

 

Inspirar pessoas, é mostrar através do exemplo, que podemos alcançar cada vez mais fontes de auxílio. A tecnologia tem sido a ponte entre quem precisa e quem pode ajudar, é claro que o discernimento deve existir a fim de filtrar e evitar golpes. Mas ainda assim, com todos os desafios é possível fazer o bem sem olhar a quem.

 

Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, ensina: “dá o teu bom exemplo e garantirás a nobreza do caráter”, ou seja, mostrar o que fazemos de bom pode abrir portas para que outros, tocados pelo exemplo, também façam. Sem esquecer que “os bens espirituais que, irradiados de nós mesmos, aumentam o teor e a intensidade da alegria em torno de nossos passos” (XAVIER, 2008, P.131)

 

2. Caridade diante dos holofotes

O mundo atual vive sob luzes e câmeras. Uma boa ação filmada e compartilhada pode alcançar milhares de pessoas em segundos. Uma cesta básica entregue discretamente ajuda uma família; uma entrega registrada e divulgada pode inspirar dezenas de famílias a ajudarem outras.

 

Um caso recente aconteceu no dia 05/08/2025, onde vimos a notícia do homem que participou de uma corrida alcoolizado e de chinelo no Pará. Ele estava bêbado e vendo a movimentação dos atletas amadores, resolveu correr junto deles 8km “pra tirar a ressaca”, sem ter se inscrito oficialmente no evento. A visibilidade foi tamanha, mobilizando várias pessoas pela cidade e pelo Brasil, ou seja, a corrida acabou sendo uma virada de chave na vida, pois recebeu doação de tênis, roupas e até óculos especiais, além de estar treinando com a ajuda de profissionais voluntários e já não se encontra mais em situação de rua (G1, 2025).

O exemplo arrasta multidões!

 

Em O Livro dos Espíritos, questão 886, os Espíritos definem caridade como “Benevolência para com todos, Indulgência para as imperfeições dos outros e Perdão das ofensas”. Divulgar um ato de benevolência, sem expor ou humilhar quem recebe, é também uma forma de espalhar essa energia.

 

Que possamos estar atentos ao BIP, como um sinal de alerta, pois “o homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa” (KARDEC, 2022, p. 317)

 

3. Humildade como base

André Luiz, em Conduta Espírita nos capítulos 12 e 13, alerta que o mérito espiritual vem do sentimento íntimo, não da aparência externa. Isso significa que, mesmo quando a caridade é pública, ela deve ser acompanhada de humildade — o foco não é “eu fiz”, mas “nós podemos fazer”.(XAVIER, 1998, p. 23-24)

 

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Hebreus 13:16, escreveu: “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada”. A palavra “comunicação”, aqui, também pode ser entendida como compartilhar e incentivar o bem.

 

Quando você ajuda alguém, qual é o seu sentimento verdadeiro? É o desejo de aliviar a dor do outro ou a expectativa de receber reconhecimento? Se, no íntimo, restasse a certeza de que ninguém saberia o que você fez, ainda assim você ajudaria com a mesma dedicação?

 

Essa reflexão nos convida ao autoexame, é uma forma suave de lembrar que humildade não significa invisibilidade, mas sim colocar o foco no próximo e não no próprio ego.

 

4. Quando a caridade silenciosa é necessária

Há momentos em que o silêncio é o maior respeito. Situações delicadas, que envolvem a intimidade de quem recebe, pedem discrição absoluta. Jesus mesmo curava e, muitas vezes, pedia que nada fosse dito, pois sabia que nem todo ato precisa de testemunhas. O discernimento espiritual nos dirá quando mostrar e quando guardar.

 

Que saibamos diferenciar as situações!

 

Divulgar a caridade não é pecado, vaidade ou ofensa à humildade — desde que o objetivo seja genuíno: inspirar, mobilizar e multiplicar o bem. No mundo de hoje, onde o mal é tão visível, que o bem também seja mostrado, para que os corações se aqueçam e as mãos se estendam.

 

O bem que se divulga não é vanglória, é luz que se acende para que outros vejam o caminho. Que possamos acender muitas luzes, sem esquecer que a maior chama é a que arde silenciosa dentro de nós.

 

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Referências:

 

1- BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida na grafia simplificada, da tradução de João Ferreira de Almeida. King’s Cross Publicações. 8° edição, 2014. Impresso no Brasil.

2- G1. Quem é Isaque, corredor que viralizou ao participar de corrida bêbado e de chinelo no Pará. 05 ago. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/08/05/quem-e-isaque-corredor que-viralizou-ao-participar-de-corrid a-bebado-e-de-chinelo-no-para.ghtml. Acesso em: 10 ago. 2025.

3- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução Guillon Ribeiro – 1ª edição nov. 2023 – Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita.

4- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro – 1ª edição dez. 2022 – Campos dos Goytacazes-RJ: Editora Letra Espírita.

5- LUIZ, André (Espírito) – Conduta Espírita/ ditado pelo espírito André Luiz; [psicografado por] Waldo Vieira. 21 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1998.

6- XAVIER, Francisco Cândido (por Emmanuel). Coleção Fonte Viva (Interpretação dos Textos Evangélicos) 4° volume da Coleção” FONTE VIVA”. Publicado em 1952 pela Editora FEB – Federação Espírita Brasileira. Digitalizada por L. Neilmoris 2008.

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