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Quando o afastamento é uma atitude legítima?

  • há 17 minutos
  • 2 min de leitura

Sthephannie Silva


No cotidiano das relações humanas, frequentemente nos deparamos com situações em que o perdão se torna necessário; entretanto, perdoar não significa, obrigatoriamente, permanecer convivendo com aquele que nos feriu. O tema exige reflexão profunda para evitar simplificações do tipo “é preciso perdoar sempre e manter-se junto”, pois a caridade e o amor ao próximo não anulam a responsabilidade pela própria saúde moral, emocional e espiritual.

 

A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam alma sem elevação, nem grandeza” (KARDEC, 2023, p. 127).

 

O perdão, ensinado por Jesus e aprofundado pela Doutrina Espírita, é antes de tudo uma libertação interior; ele rompe correntes de ódio, ressentimento e desejo de vingança. Perdoar é retirar do coração o peso da mágoa e reconhecer no outro um Espírito igualmente em processo de evolução. No entanto, isso não implica tolerar indefinidamente abusos, violências ou relações que comprometam o equilíbrio íntimo.

 

Há momentos em que o afastamento se torna não apenas legítimo, mas necessário para que ambas as partes sigam aprendendo em condições mais saudáveis.

O limite ético do perdão está, portanto, em distinguir entre a caridade que liberta e a conivência que escraviza. Uma pessoa que se mantém numa convivência prejudicial, acreditando estar praticando um perdão “sem condições”, pode, na verdade, estar estimulando o outro a repetir faltas e violências. O Espiritismo nos lembra que somos responsáveis não só pelo bem que deixamos de fazer, mas também pelos males que permitimos perpetuar por omissão.

 

Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Aí tendes um dos ensinos de Jesus que mais vos devem percutir a inteligência e mais alto falar ao coração” (KARDEC, 2023, p. 128).

 

Portanto, o afastamento é uma atitude legítima quando preserva a dignidade, a segurança íntima e a saúde espiritual, sem alimentar ódio nem desejo de vingança. Ele deve vir acompanhado do perdão sincero, do desejo de que o outro melhore e da prece em favor de sua caminhada. O equilíbrio entre o perdão e a justa distância é um exercício ético fundamental que nos impede de cair na indiferença ou no masoquismo.

 

Esta leitura espírita nos convida, assim, a compreender que perdoar é sempre dever, mas conviver é escolha que deve ser pautada pela harmonia, pelo respeito mútuo e pela construção de um ambiente propício ao crescimento espiritual. Quando esses elementos se perdem, o afastamento se torna expressão legítima de amor a si mesmo e, paradoxalmente, também de amor ao próximo.

 

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Referência:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

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