O dever invisível: a ética no cotidiano
- há 19 horas
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Francislene Magda da Silva
Na convivência cotidiana temos o campo ideal para o desenvolvimento das potências da alma, que através do exercício contínuo, no curso das experiências reencarnatórias, se constituirão nas virtudes morais.
A partir da singularidade de cada ser, que se expressa nas diversas relações, somos convidados, e às vezes desafiados, a lidar com diferenças e divergências, abrangendo inclusive os valores ético-morais, nos quais podemos ser testados. E cada um age ou reage de acordo com seu aprendizado e suas inclinações.
Podemos nos fazer um questionamento: como queremos lidar e enfrentar os desafios da convivência no cotidiano?
Nos dias atuais continuamos a nos deparar com comportamentos que nos lembram da lei de talião “olho por olho e dente por dente”, por exemplo, nas reações agressivas, nos revides, nas vinganças, na disputa de poder que ocorrem de modo duvidoso.
Estes comportamentos revelam a necessidade de nos engajarmos no enfrentamento do egoísmo e do orgulho, ou seja, do primitivismo que ainda habita em nós, num forte apelo para triunfarmos sobre nós mesmos e não sobre o outro.
Como podemos superar nossas dificuldades e trilharmos o caminho do triunfo pessoal? Como cuidar das potências da alma, para pouco a pouco desenvolvermos as virtudes?
Temos nos ensinamentos do Mestre Jesus o roteiro seguro para concretizar este avanço moral de modo gradativo.
Jesus disse: “Aprendestes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entregueis o manto; e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (Mateus, 5:38 a 42)” (KARDEC, 2023, p.153).
Na sua pedagogia de amor, Jesus ampliou Seus ensinamentos, favorecendo a compreensão sobre a vivência da ética no dia a dia das relações, ao nos recomendar: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer aos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é a expressão mais completa da caridade, pois resume todos os deveres do homem para com o próximo” (KARDEC, 2023, p. 139)
Nesta prática vamos de encontro à Lei de Deus, que nos conduz à autorrealização como Seus filhos, criados à Sua imagem e semelhança. Em O Livro dos Espíritos, na pergunta 621 “Onde está escrita a Lei de Deus? Na consciência” (KARDEC, 2022, p. 241); encontramos nesta resposta que o incentivo aos autoquestionamentos que podemos realizar em busca de parâmetros para ajustar nossas ações.
Estamos inseridos em diversos contextos, nos quais naturalmente agimos e interagimos: ambiente familiar, social, profissional, acadêmico, religioso, entretenimento, voluntariado, entre outros.
Nestes cenários, todos nós estamos no movimento evolutivo: com habilidades mais desenvolvidas e outras por desenvolver; alguns de nós com a consciência e o desejo de evoluir espiritualmente, outros com a consciência adormecida para a importância dos cuidados com o mundo interno e seus reflexos nas relações. Outros de nós convictos da predominância dos valores materiais, engajados aí de modo acirrado.
Temos ainda os dramas expiatórios e provacionais, nos quais a dor e o sofrimento estão exacerbados, envidando esforço e resistência para seguir em frente.
Que papel queremos assumir neste cenário relacional povoado de desafios, divergências e conflitos?
Na proposta do avanço evolutivo, podemos cultivar as potências da alma e praticar:
RESPEITO E TOLERÂNCIA às diferenças, e com esta postura desativarmos em nós a vingança, o revide e a disputa.
ESCUTA INTERESSADA E PACIENTE quando ocorrerem divergências, com abertura para compreender o ponto de vista do outro, propondo de modo pacífico ajustes que levem em consideração valores e necessidades essenciais.
GENTILEZA E GENEROSIDADE com a promoção de convivência positiva e saudável.
SENSIBILIDADE, EMPATIA E COMPAIXÃO frente à presença da dor e do sofrimento na vida de nossos irmãos. A postura acolhedora e amorosa funciona como bálsamo para as dores do corpo e principalmente da alma, favorecendo a serenidade e a fé no enfrentamento dos desafios inerentes ao processo evolutivo.
HONESTIDADE sustentando com responsabilidade as nossas escolhas diante de tantos convites às facilidades materiais, com o viés da imoralidade, na contramão do avanço espiritual.
O nosso engajamento na prática do bem, desde as situações mais simples até as mais complexas da convivência cotidiana, reflete o cumprimento do dever consciencial, que pela prática contínua chega ao coração, no campo dos sentimentos, nutrindo de propósito a nossa vida e daqueles que recebem os reflexos de nossas ações, passando a ser nosso patrimônio espiritual, com o qual de modo responsável vivenciamos o nosso papel de cocriadores.
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Referencias:
1- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.
2- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.
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