Guias Espirituais e Anjos da Guarda:
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Alan Lira
“EUREKA!”, gritou Arquimedes ao perceber que, ao entrar em uma banheira para tomar banho, o volume da água deslocado correspondia ao volume do seu corpo submerso. Essa famosa história daquele renomado cientista representa o momento de descoberta de um complexo problema que ele fora convidado a resolver: medir o volume da coroa do rei Heirão II.
Além de Arquimedes, todos nós em algum momento nos deparamos com alguma elucidação em relação a questionamentos, problemas ou dúvidas. Entre os psicólogos gestaltistas, cuja doutrina psicológica se baseia na ideia da compreensão da totalidade para que haja a percepção das partes, argumentava-se que: “a resolução de problemas envolve uma reestruturação da representação inicial dos termos do problema, levando a um salto súbito de compreensão, fenomenologicamente indicado pela sensação de “Aha!”” (VITELO; SALVI, 2023, on-line).
Esse momento de clareza ou compreensão que aparece subitamente acerca de alguma situação ou problema, pode estar relacionado com eventos que já podemos ter vivenciado pessoalmente, ocorrências que presenciamos envolvendo outras pessoas e também algum conhecimento prévio que levamos conosco.
Entretanto, em certos momentos, algumas ideias podem surgir e não termos a certeza de que tenhamos visto, vivenciado nem possuirmos conhecimento em relação a elas; ou então, o caminho necessário para percorremos e resolvermos certas questões são elucidados de maneira que surge uma compreensão que nos conduza a resoluções de nossas inquietações.
Essas inspirações podem nos dar a sensação de virem em forma de conselhos, sugestões, orientações, instruções ou palpites, tal como se alguém tivesse nos ajudado nesse processo. E não à toa isso acontece, visto que, ao enveredarmos no estudo da Doutrina Espírita, recebemos o suporte necessário para essa discussão.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 459, somos esclarecidos de que os Espíritos influenciam nossos pensamentos e nossos atos “muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem” (KARDEC, 2022, p.196). Os nossos pensamentos podem estar vinculados com as influências espirituais que recebemos; contudo não podemos responsabilizar totalmente a Espiritualidade por nossas ações ou intenções. Somos dotados de livre-arbítrio, e a escolha dos atos são totalmente nossas. Tantos Bons Espíritos, que têm a intenção de nos ajudar, quanto maus Espíritos, que se aproximam para atrapalhar nossa vivência terrena, podem exercer em nós algum tipo de persuasão, sendo pertinente que façamos uma análise de cada pensamento, a fim de que não caiamos em armadilhas.
A aproximação dos Espíritos, sendo Bons ou maus, tem haver com a qualidade de nossos pensamentos, ações, comportamentos e atitudes. Quando nos dispomos a realizar atos nobres, quando fazemos orações e caridade, Bons Espíritos se aproximam para nosso auxílio. De maneira semelhante, Espíritos de má índole podem se aproximar quando temos pensamentos negativos, praticamos más ações e carregamos o orgulho e o egoísmo como práticas diárias.
Em relação à essa vinculação com Bons Espíritos, o autor Murilo Viana, no livro Orientações de um Preto Velho, salienta que:
Para nos conectarmos com esses Amigos e recebermos os seus conselhos de forma benéfica, (...) precisamos nos manter em prece e em vibrações elevadas, dessa forma conseguimos nos sintonizar com a frequência mais alta em que eles vibram e perceber as suas boas influências em nosso dia a dia (VIANA, 2024, p. 81).
Esses ajustes de pensamentos, comportamentos, vibrações e ações direcionados para a prática do bem, do amor e da caridade fortalecem os laços que possuímos com Espíritos Protetores que nos amparam desde nossa volta à vida terrena. Em O Livro dos Espíritos, na questão 492, em que os Espíritos são questionados a partir de que momento os Espíritos Protetores (ou Anjos da Guarda) se dedicam a nós, obtemos a seguinte resposta:
“Desde o nascimento até a morte e muitas vezes o acompanha na vida espírita, depois da morte, e mesmo através de muitas existências corpóreas, que mais não são do que fases curtíssimas da vida do Espírito” (KARDEC, 2022, p. 202).
Com a missão de nos guiar, proteger, aconselhar, amparar e direcionar para o bem, esses bondosos Guias Espirituais não nos abandonam à própria sorte. Permanecem conosco nos fortalecendo. Quando não nos intuímos para fazer o bem e insistimos em experimentar caminhos menos nobres, podem se afastar para que possamos refletir; mas um chamado por eles, voltam a nos proteger.
Murilo Viana explana que para nos conectarmos com esses Bons Espíritos não é necessário nenhum ritual específico nem é necessário que saibamos seus nomes nem origens: a busca por conexão e amparo ultrapassa qualquer crença religiosa e o importante é “entender as lições trazidas e extrair o elixir da sabedoria em que cada mensagem está mergulhada” (VIANA, ano, p. 228).
Diante de tanto suporte que recebemos, de tantas orientações e mensagens para o nosso melhoramento, é inadequado responsabilizar ou culpabilizar nossos Mentores Espirituais diante das consequências de nossas ações. Munidos de nosso livre-arbítrio é que conseguimos tomar as decisões que acharmos adequadas e coerentes. As dificuldades, aflições, questionamentos, inquietações e apreensões de nossas vidas podem ser amenizadas quando nos conectamos com o Divino e recebemos o apoio necessário e as inspirações precisas a fim de consigamos dirimir nossos conflitos.
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REFERÊNCIAS
1 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Letra Espírita, 2022.
2 - VIANA, Murilo. Orientações de um Preto Velho. Pelo Espírito Pai José. Campo dos Goytacazes: Letra Espírita, 2024.
3 – VITELO, Maria; SALVI, Carola. A Perspectiva da Gestalt sobre o Insight: Uma Recapitulação Baseada em Evidências Comportamentais e Neurocientíficas Recentes. National Library of Medicine. 09 de dezembro de 2023. Disponível em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10743969/ . Acessado em 25 de abril de 2026.
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