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A moral do médium influencia a qualidade e o tipo de comunicação espiritual?

  • há 12 horas
  • 5 min de leitura

Luciane Soek


A mediunidade, em sua essência, é uma ponte sagrada entre o Mundo Espiritual e o mundo material. Entretanto, essa ponte não se sustenta apenas pelo fenômeno em si, mas pela conduta moral de quem a sustenta.

 

O médium, mais do que um instrumento, é um colaborador consciente das forças do bem. Sua pureza de intenções, equilíbrio e compromisso com o Evangelho determinam a limpidez e a elevação das comunicações espirituais que recebe.

 

A moralidade é o elemento que confere qualidade e segurança as comunicações.

É o que explica o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, item 226, 2º:

 

Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então, não constitui privilégio dos homens de bem e por que se veem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?

“Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens há delas. Poderias igualmente perguntar por que concede Deus vista magnifica a malfeitores, destreza a gatunos, eloquência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade. Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras para se melhorarem. Pensa que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ao contrário, multiplica-os no caminho que eles percorrem; põe-nos nas mãos deles. Cabe-lhes aproveitá-los. Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus permitiu que ele tivesse esse dom, para mais odiosa tornar aos seus próprios olhos a traição que praticou” (KARDEC, 2023, p; 198).

 

A mediunidade é uma faculdade orgânica, não depende da moral, mas o mesmo não acontece com o seu uso, que pode ser bom ou mal, dependendo dos valores do medianeiro. (KARDEC, 226, 1º item).

 

O modo que o médium exerce sua mediunidade é de fundamental importância para o resultado positivo ou negativo.

 

Os efeitos decorrentes da mediunidade sofrerão influência direta dos valores e princípios éticos do médium, razão pela qual o Espírito Emmanuel alerta que a grande necessidade do medianeiro é “evangelizar-se a si mesmo”, dizendo vencer nos labores mediúnicos o médium que “detiver a maior porcentagem de sentimentos” (CARVALHO, p. 102).

 

A comunicação mediúnica é, antes de tudo, um fenômeno de sintonia vibratória. Cada pensamento, emoção ou sentimento do médium emite ondas que se harmonizam com Espíritos de igual natureza.

 

A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atração ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons, e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em torno dele vêm grupar os Espíritos inferiores, sempre prontos a tomar o lugar aos bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade de coração, o amor do próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam: o orgulho, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à material (KARDEC, 2023, item 227, p. 201).

 

Portanto, essa identificação depende da afinidade fluídica e sintonia vibratória entre o medianeiro e o Espírito.

A primeira decorre de uma disposição inata do organismo do médium e do Espírito, sem relação com valores morais ou pendores. A facilidade da comunicação é influenciada pela semelhança existente entre os fluidos emitidos por ambos, interferindo na maior ou menor impressão sentida pelo médium durante o transe mediúnico. Em decorrência da afinidade fluídica, certo médium pode ser um bom intermediário para um Espírito e não o ser para outro. Todavia, com o desenvolvimento, a prática e o exercício continuado da mediunidade, o médium vai tornando-se mais flexível, conseguindo identificar-se com um maior número de Espíritos. A sintonia vibratória, por outro lado, refere-se à identidade de valores morais existentes entre médium e Espírito comunicante. O Espírito, para conseguir assimilar os pensamentos de outro, precisa emitir ondas mentais na mesma frequência vibratória, fator influenciado diretamente pelos princípios éticos de cada um. Moral similar é motivo de atração, mas quando diferente é causa de repulsão. Sem sintonia vibratória a comunicação tem grandes dificuldades de se operar, pois o médium não capta as ideias do Espírito (CARVALHO, p. 102-103).

 

A moralidade do médium atrai como filtro e imã: quanto mais puro e disciplinado for seu pensamento, mais ele se harmoniza com os Planos Espirituais Superiores, recebendo mensagens elevadas, instrutivas e consoladoras. Ao contrário, quando o médium se deixa conduzir por sentimentos inferiores como orgulho, vaidade e interesse pessoal, abre-se campo a influência de Espíritos levianos, o que compromete a autenticidade e o conteúdo das comunicações.

 

Quanto mais moralizado um médium é, mais elevada e confiável a mensagem. Quando o médium se mantém em prece, disciplina e pureza de sentimentos, cria um campo magnético favorável a aproximação de Espíritos Superiores, cujas comunicações se revestem de luz, consolo e sabedoria.

 

Ainda somos dotados de muitas imperfeições, mas os médiuns, assim como quem também não apresenta mediunidade ostensiva, devem se esforçar no trabalho do bem, em melhorar-se, em querer vencer as más inclinações, em evoluir, buscar a reforma íntima sincera e constante. A reforma moral exige coragem, perseverança, fé e vontade para dominar paixões. A Espiritualidade Amiga ajuda ao medianeiro quando observa esforço sincero de aprimoramento.

 

O médium deve se autoavaliar: como está sua conduta, seus hábitos e costumes para identificar sinais de orgulho e outros defeitos que podem comprometer a qualidade das comunicações.       

 

A mediunidade é, em essência, um ministério de amor e responsabilidade. O médium que compreende a grandeza dessa tarefa esforça-se por transformar a si mesmo, reconhecendo que o progresso moral é o caminho para a sintonia com os Bons Espíritos. O estudo, a humildade, a prece e o serviço ao próximo são recursos que fortalecem esse médium, que é chamado a vivenciar os princípios do Evangelho em sua própria conduta, tornando-se exemplo vivo daquilo que anuncia. Assim, a moral do médium não é apenas um requisito para a pureza da comunicação – é a própria medida da luz que ele é capaz de refletir em nome do Cristo.

        

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Referências:

1- FREIRE, Evelyn. Um Elo Entre Dois Planos. Campo dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

2- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

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