top of page
Tópicos

Emoções e Sentimentos na Visão Espírita


Marisa Fonte


“Somos seres em eterna transformação. O mundo e a vida pedem

que sejamos adaptáveis e essa é a lei que rege a nossa existência.”

- Escrita terapêutica: um caminho para a cura interior,

Bruna Ramos da Fonte. Ed. Letramento


Costumamos confundir emoção e sentimento. Muitos até pensam que as duas coisas são iguais, porém, a diferença é bem grande. A emoção é uma reação instintiva; é uma resposta neural a um estímulo externo, e está ligada ao corpo, enquanto o sentimento é o efeito da emoção, podendo ser duradouro, e muitas vezes fácil de esconder, pois está dentro de nós e tem a ver com a nossa mente.


O neurocientista português António Damásio, afirma que “A emoção é um programa de ações, portanto, é uma coisa que se desenrola com ações sucessivas. É uma espécie de concerto de ações. Não tem nada a ver com o que se passa na mente. O sentimento eu tenho e você não sabe se eu tenho ou não tenho. E se você tiver um sentimento de profunda tristeza, mas se me quiser enganar, e quiser comportar-se como se estivesse alegre, vai me enganar mesmo, porque eu não posso saber o que está dentro da sua cabeça, posso adivinhar, mas é diferente.”


A palavra emoção vem do latim emovere; e significa “fora” e movere significa “movimento”. Embora na animação DivertidaMENTE apareçam apenas 6 emoções – felicidade, tristeza, medo, surpresa, raiva e nojo, pesqui 4.3 / 5 ( 9 votes ) sadores norte-americanos identificaram outros tipos de emoções, passando assim o número das emoções a 27, relacionadas a como reagimos diante das diversas situações. A lista das 27 emoções é a seguinte: admiração, adoração, apreciação estética, diversão, ansiedade, temor, estranheza, tédio, calma, confusão, desejo, nojo, dor empática, encantamento, inveja, excitação, medo, horror, interesse, alegria, nostalgia, romance, tristeza, satisfação, desejo sexual, simpatia e triunfo.


As emoções foram classificadas, ainda, como primárias, secundárias ou de fundo. Primárias são emoções que os que estão à nossa volta podem perceber claramente: tristeza, raiva, medo, alegria, aversão e surpresa. As emoções secundárias – também chamadas de sociais ou adquiridas – podem ser impostas por heranças familiares, convenções sociais, religiosas, culturais e econômicas, e podem ser aparentes ou não: ciúme, orgulho, vaidade, vergonha, culpa e nervosismo. Emoções de fundo não são perceptíveis pelos outros e proporcionam bem estar ou mal estar, como por exemplo, a calma ou a angústia.


As emoções surgiram no processo evolutivo e foram de extrema importância para favorecerem a sobrevivência da espécie humana, uma vez que alertavam em relação aos perigos que cercavam os humanos de então, provocando reações rápidas de defesa.


Sentimento, do latim sentimentum, é a maneira como interpretamos a emoção. São encontrados 17 tipos de sentimentos no ser humano, que podem ser divididos em negativos (tristeza, medo, hostilidade, frustração, raiva, desespero, culpa, ciúmes), positivos (felicidade, humor, alegria, amor, gratidão, esperança) e neutros (compaixão, surpresa).


Na verdade, os sentimentos são experiências que cada um de nós tem a partir de uma determinada emoção, influenciados por experiências pessoais, memórias e crenças. Dessa forma, os nossos pensamentos e observações, bem como a forma como nos sentimos, fazem com que sejam despertados os sentimentos, e é preciso saber lidar com eles, pois isso pode afetar o que fazemos.


Muitos abusam do álcool e de outras substâncias tóxicas e outros ainda praticam automutilação, dentre outras coisas, e tudo isso é resultado de sentimentos que são nutridos pela pessoa e causam sofrimento que no início é somente mental, mas que acaba prejudicando o corpo também.


Para prevenir e evitar que os nossos sentimentos nos escravizem e tornem a nossa vida infeliz e por vezes até insuportável, podemos recorrer a vários recursos, desde a terapia a práticas de relaxamento, exercícios físicos, atividades e por aí afora; o que importa é que aprendamos a lidar com o que sentimos e que saibamos agir a nosso favor nas situações que chegam até nós e nos causam contrariedades ou frustrações, por exemplo.


Uma das formas de terapia é a escrita terapêutica. Bruna Ramos da Fonte, autora do livro “Escrita Terapêutica: um caminho para a cura interior”, sugere que façamos um diário, e diz que “escrever um diário é construir um altar onde você poderá depositar tudo aquilo que há de mais sagrado dentro de você”. Em outro trecho da mesma obra ela afirma: “escrever é um processo de autocompreensão que nos leva a uma compreensão maior do mundo externo”.


É atribuída a T. Harv Eker a frase “Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados”. Portanto, faça as suas escolhas, e que sejam as melhores escolhas. Tome atitudes, e que sejam as melhores atitudes. Somos adaptáveis, somos capazes e sabemos discernir o que pode ser benéfico e o que pode ser prejudicial para nós. Segundo frase atribuída a Jeffrey Gitomer: “A atitude positiva não tem nada a ver com o que acontece com você. É o que você faz com o que acontece com você e como reage a isso.”


Quando assumimos nossas dificuldades, constituímos um fator importante para superá-las, e nos mostra a importância de aceitarmos a nós mesmos, entendendo que estamos em processo de crescimento, o que também nos tornará mais tolerantes para com as faltas alheias. De fato, se nós pensarmos que todos somos alunos na escola da vida, fica bem mais fácil entender que muitos ainda estejam engatinhando enquanto outros conseguem voar.


Ermance Dufaux, por sua vez, chama a atenção para a necessidade de aceitarmos as nossas emoções, uma vez que isso possibilita que nosso pensamento seja adequado à realidade e que ocorra o desenvolvimento da autoaceitação, a fim de que assim não ocorra o autoabandono.