Tópicos

INCORPORAÇÃO E POSSESSÃO


Silvio Junior


Quando se fala em espiritualidade de modo geral, são diversos os temas tratados, onde por vezes alguns assuntos polêmicos dividem crenças e opiniões em relação a isso ou aquilo, no tocante a possíveis fenômenos observáveis através dos chamados “médiuns”, termo este criado por Allan Kardec durante a codificação do Espiritismo para identificar aqueles que serviam como meio de comunicação entre os planos material e espiritual. O Espiritismo, aliais, que surgiu no século XIX explicando toda uma gama de fenômenos até então sem explicações, além de trazer assuntos dos mais variados em relação a vida de modo geral que atendessem a curiosidade de uma sociedade que vivia em meio ao apogeu do início do movimento científico ainda em desenvolvimento.


Dentre os fenômenos espirituais que precisavam de esclarecimento, e que ainda hoje geram dúvida, curiosidade, incredulidade e desconhecimento, mas que tem suas devidas descrições principalmente nas obras O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns estão, incorporação e possessão.


Estamos acostumados a ver (principalmente os amantes dos filmes de terror) cenas onde um espirito maligno possui um indivíduo e sai cometendo atrocidades, passando uma imagem clara de posse total do corpo da pessoa, que por sua vez perde por completo o controle de suas ações, servindo única e exclusivamente como ferramenta para o mau, caindo assim nos braços no povo que transforma folcloricamente os fenômenos em cultura popular sem aferição da verdade que existe por traz do evento servido como base para as produções cinematográficas. A pergunta que fica: O que há de verdade nestas situações representadas?


Kardec, em O Livro dos Espíritos (p. 251) na questão de número 473 é bastante assertivo na ao perguntar aos espíritos em relação ao assunto (como sempre em suas obras, diga-se de passagem), ele faz a seguinte indagação:


Pergunta: Um Espírito pode, momentaneamente, revestir-se do envoltório de uma pessoa viva, quer dizer, introduzir-se em um corpo animado e agir em substituição ao Espírito encarnado?


Resposta: “O Espírito não entra em um corpo como se entra numa casa. Ele se identifica com o espírito encarnado que possui os mesmos defeitos e as mesmas qualidades para uma ação conjunta; contudo é sempre o Espírito encarnado que age como deseja sobre a matéria de que está revestido. Um Espírito não pode substituir aquele que está encarnado, porque este está ligado ao corpo físico até o tempo estabelecido para o termo da existência material”. (1)


Desta forma podemos perceber claramente a impossibilidade de dois espíritos coabitarem um mesmo corpo, assim parte de nossas dúvidas se mostram vencidas. Porém curiosidades quanto a voluntariedade ou disponibilidade do corpo receptor do fenômeno por parte do espírito habitante do mesmo ainda aparecem existentes, e é aí que entra mais uma pergunta com resposta importante em O livro dos Espíritos (p. 251), questão de número 474: