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Proteção Espiritual na Relação Sexual


Simara Lugon Cabral


“Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

(1 Coríntios, 6:12, BÍBLIA ONLINE, 2021).


A relação sexual é considerada como pecado por várias religiões cristãs, desde que não tenha como fim a concepção. O Espiritismo não condena nem proíbe o sexo, e sim traz a responsabilidade perante o ato para que cada indivíduo tenha a consciência de que toda atitude gera uma consequência, segundo a lei de causa e efeito. Portanto, a relação sexual deve ser praticada sempre com respeito a si mesmo e ao seu respectivo parceiro. Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 908, Kardec (2019) afirma:


“Todas as paixões têm seu princípio num sentimento ou numa necessidade natural. Portanto, o princípio das paixões não é um mal, uma vez que se baseia numa das condições providenciais de nossa existência. A paixão, propriamente dita, é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso, e não na causa, e esse excesso torna-se um mal quando tem por consequência um mal qualquer.”


O sexo é o mecanismo que torna possível a bênção da reencarnação, e também é um importante instrumento na saúde mental e afetiva do ser humano e, como tal, deve ser praticado com discernimento. A relação sexual traz uma intensa troca energética entre os parceiros, daí a importância de se tomar muito cuidado com quem e como a relação é praticada, pois ela pode trazer consequências físicas, espirituais e emocionais. O instinto sexual é natural, porém deve ser educado e governado pela razão. No livro “Vida e Sexo”, do espírito Emmanuel psicografado por Chico Xavier tem-se que:


Em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. (EMMANUEL, 2001)



Apesar de ser uma prática absolutamente natural e saudável, que faz parte da natureza humana, o sexo pode trazer consequências emocionais negativas quando, por exemplo, um parceiro é iludido através de falsas promessas, quando o único objetivo era a satisfação física de uma das partes, enquanto a outra ansiava por laços afetivos duradouros. As consequências podem ser graves para os envolvidos, visto que a pessoa que se iludiu pode ter o seu emocional abalado a ponto de não conseguir se relacionar com outras pessoas futuramente ou, por outro lado, passar a ser aquela que busca causar a dor que sentiu em outros parceiros. Aquele que iludiu a outra parte também sofrerá as consequências do mal que causou diante da lei de causa e efeito.

A relação sexual também pode trazer consequências físicas negativas quando praticada entre pessoas que possuem outros parceiros e que não se protegem, visto que do contato sexual é possível se contaminar com diversas doenças, as chamadas DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis), e, apesar da medicina já possuir tratamento para sua grande maioria, ainda causam muita dor e sofrimento para os que são acometidos por elas. Além dos efeitos emocionais e físicos, quando praticado com desregramento e desrespeito a si mesmo ou ao próximo, o sexo pode causar malefícios espirituais, visto que o mundo espiritual e físico estão interligados e, quando o casal está em baixa vibração, pode sintonizar com outros espíritos que estejam nesta mesma sintonia e que buscam satisfazer seus desejos através da energia por eles emanada. No livro “Missionários da Luz”, de André Luiz, é informado que:


Todos os encarnados que edificam o ninho conjugal, sobre a retidão, conquistam a presença de testemunhas respeitosas, que lhes garantem a privacidade dos atos mais íntimos, consolidando-lhes as fronteiras vibratórias e defendendo-as contra as forças menos dignas, tomando, por base de seus trabalhos, os pensamentos elevados que encontram no ambiente doméstico dos amigos.


Não ocorre o mesmo, entretanto, nas moradias, cujos proprietários escolhem baixas testemunhas espirituais, buscando-as em zonas inferiores. A esposa infiel aos princípios nobres da vida em comum e o esposo que põe sua casa em ligação com o meretrício, não devem esperar que seus atos afetivos permaneçam coroados de veneração e santidade. (ANDRÉ LUIZ, 2014)


Portanto, para que o casal tenha a sua intimidade, seu corpo, sua saúde mental e espiritual protegida durante a relação sexual, basta que os parceiros estejam vibrando em uma sintonia de amor, de respeito e de carinho, e essas vibrações serão capazes de trazer uma troca positiva de energia que se elevará além do invólucro carnal e que ficará gravada no íntimo de cada um como uma sublime memória afetiva. E, em caso de dúvida de como proceder em alguma circunstância da presente encarnação, deve-se recordar o conselho de Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, e assim, certamente, encontrar-se-á o caminho acertado a seguir.


REFERÊNCIAS:

ANDRÉ LUIZ (espírito); XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por). Missionários da Luz. 45. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2014.

BÍBLIA ONLINE. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/12/48+. Acesso em 20 de Fevereiro de 2021

EMMANUEL (espírito); XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por). Vida e sexo. 22. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2001.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.

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