Limites éticos da prática mediúnica
- editoraletraespiri
- há 5 dias
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Guilherme Carvalho
Aplicando a raiz etimológica nas palavras ética e moral, temos como ética o seguinte: “vem do grego ethos que significa caráter” e a moral: “vem do latim moralis que significa relativo aos costumes”. Por intermédio dessas definições encontraremos esse conjunto como normativas de conduta guiadas por um padrão predefinido do que se é aceitável em sociedade.
Ética e moral, entretanto, não são iguais em todo o mundo, apesar de se ter um acordo comum de como deve viger o comportamento humano no mundo, cada um tem seu próprio nível de consciência que abrange um estado deste comportamento social mundial.
Exímio escritor em ambos os planos da vida, Victor Hugo, pela mediunidade de Divaldo Pereira Franco, acerca do tema, reflete: “A mediunidade se expressa através dos órgãos físicos, todavia, é faculdade da alma com finalidades ético-morais de grande alcance, objetivando o aprofundamento dos valores do Espírito, num ministério que se deve caracterizar pela elevação dos sentimentos e o cultivo da mente” (FRANCO, 2019, p. 61).
Abnegado tarefeiro do campo da mediunidade como das obsessões, Manoel Philomeno de Miranda também por meio da faculdade mediúnica de Divaldo Pereira Franco no livro, Mediunidade: desafios e bênçãos, capítulo 10, aborda uma reflexão quanto ao comportamento mais coerente para o médium que se propõe ao mister de elevar-se intelecto-moralmente através da sublimação da mediunidade:
“A mediunidade é, portanto, um ensejo especial para a autorrecuperação, devendo ser utilizada de maneira dignificante, em cujo ministério de amor e de caridade será encontrada a diretriz de segurança para o reequilíbrio do ser humano” (FRANCO, 2023, p. 83).
Para além das missões que todos nós encarnados possuímos no exato momento que é decidido a nossa volta ao planeta, àqueles que vêm com a mediunidade ostensiva, lembremos que em O Livro dos Médiuns, o Codificador assevera sermos todos médiuns; tem trabalho redobrado para a educação de si mesmo. Caminho que é áspero, porém, se bem conduzido, torna-se portador de bênçãos múltiplas. Educar-se é um processo intransferível e comum a todos os seres que partem da Criação de Deus. Neste sentido, a mediunidade nada mais é que uma ferramenta auxiliar para o nosso progresso e seu uso dependerá exclusivamente da maneira como compreendemos a vida e do respeito que temos por ela.

Allan Kardec faz um estudo minucioso em O Livro dos Médiuns analisando e descrevendo os tipos de médiuns das classificações imperfeitas e, acrescentando as histórias que nos são narradas nos romances mediúnicos, vemos quanto ainda deve melhorar a criatura humana: charlatães, de má-fé, orgulhosos, pretenciosos, egoístas, são alguns dos médiuns imperfeitos que Kardec nos apresenta.
Pitonisas, oráculos, bruxas, feiticeiros, loucos, pajés, são algumas das apresentações que se fazem daqueles que em sociedade tem algum tipo de contanto com o extrassensorial, com o metafísico.
Conforme categoriza o incansável propagador do Espiritismo no Brasil, José Herculano Pires na sua obra O Espírito e o tempo, parte a criatura dos horizontes tribais para o horizonte espiritual, no processo comum de progresso e racionalização.
Desta maneira, quando destratamos a faculdade mediúnica por qualquer motivo que seja, estamos recusando a proposta de engrandecimento espiritual que o Criador tem para conosco. E ainda por cima, sendo vencidos pelos vícios de caráter sempre transitório, acumulamos no nosso envoltório perispíritico provas mais acerbas que o futuro nos reservará.
Em suma, a mediunidade será aquilo que dela se fizer: celeiro de bênçãos quando aliada ao próprio desenvolvimento da criatura, floresce; entretanto, se como rio caudaloso, permanecer irrequieto, desgovernado, traz grande dor, como toda aprendizagem que temos de perpassar.
Faz da tua mediunidade um ministério de trabalho com e para Jesus. Com Ele no leme, qualquer adversidade que te aconteça será suavizada, Ele é o guia e o exemplo mais perfeito, inclusive na mediunidade. Seguindo seu roteiro e seus passos, educarás tua mediunidade e serás feliz.
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Referências:
1- FRANCO, Divaldo Pereira. Árdua Ascensão. 9. ed. / Pelo Espírito Victor Hugo [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2019.
2- FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade: desafios e bênçãos. 1. ed. / Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Salvador: LEAL, 2023.
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