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Refletindo Sobre Almas Gêmeas


Jackelline Furuuti


No Livro dos Espíritos (questões 291 à 303), Allan Kardec levanta diversos questionamentos sobre o tema “Almas Gêmeas” e, no final, esclarece com a seguinte nota:


"A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que não se deve tomar ao pé da letra. Não pertencem decerto a uma ordem elevada os Espíritos que a empregaram. Necessariamente, limitado sendo o campo de suas ideias, exprimiram seus pensamentos com os termos de que se teriam utilizado na vida corporal. Não se deve, pois, aceitar a ideia de que, criados um para o outro, dois Espíritos tenham, fatalmente, que se reunir um dia na eternidade, depois de haverem estado separados por tempo mais ou menos longo."


Esta informação nos conforta de certa forma, pois aos que buscam por completa igualdade e sintonia entre as partes, pode se frustrar na busca pelo par ideal em seus relacionamentos.


Não podemos esquecer que estamos em uma experiência corporal, praticando ensinamentos e aprendendo tantos outros e, para isso, é essencial o convívio com diferentes ideias.


O nosso próprio espírito repele ou sente-se atraído de acordo com o que cada alma emanar. Eis a frase: "Semelhante atrai semelhante."

Para os casos em que nota-se diferença grande de pensamentos, energias e atos, consiste neste relacionamento a oportunidade de aprendizado. Se faz necessário lembrar que os relacionamentos tóxicos e violentos não existem para serem aceitos, não são provas de resiliência e sim, de autonomia, de coragem, de fé e de ensinamento, pois ninguém está amarrado a ninguém e podemos e devemos sempre estancar qualquer relação que nos tire o livre arbítrio, e do convívio social, meio pelo qual evoluímos.


As almas simpáticas estão por toda parte. São as quais reencarnaram em grau evolutivo semelhante ao seu, e por isso, esta sensação de igualdade. Ainda assim, estas almas possuem suas individualidades. Não necessariamente podem estar em uma pessoa de sexo oposto, encontram-se inclusive em diversos postos e graus de parentesco.


A sensação de não ter encontrado a sua "metade" pode ser pelo fato do seu eu interior ainda não ter encontrado suas próprias particularidades, defeitos ou qualidades, para assim, aceitar algo que venha para somar.


Somos seres individuais. Deus não criaria nada pela metade e apostaria a nossa tão "pequena" inteligência para encontrar em diversos mundos a nossa outra metade "perdida" por aí.

Que busquemos em nós, nossas VERDADEIRAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS, para entendermos se o momento é de busca exterior ou interior mesmo.


E que todos nós, possamos aproveitar ao máximo o que cada alma, simpática ou não, tem a nos ensinar.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de J. Herculano Pires. 7ª edição. São Paulo: LAKE, 2003.

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