top of page
Tópicos

A decisão de não se casar: um olhar Espírita


Julia Thaís Porciúncula Serra


O casamento é uma prática histórica que já sofreu diversas alterações significativas com a evolução, surgindo rituais e mudando alguns significados. Entretanto, o intuito sempre foi o de unir dois seres, algumas vezes por amor e outras por obrigação. Ainda hoje é um assunto muito pesquisado, visto que é algo muito significativo e importante na vida de alguém.

Existe uma visão errônea sobre o que é o casamento, muitas pessoas desejam achar no outro, alguém que os complete, alguém que os ampare. Mas a realidade é que poucos conhecem a si mesmos e, assim, como poderá amparar alguém, ou receber amparo de alguém que, por sua vez, também não se conhece?

Em O Livro dos Espíritos, encontram-se questões que podem ajudar a clarear o entendimento a respeito não só do casamento, mas do ato de unir sua vida a de outra pessoa.

695. Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres? “É um progresso na marcha da Humanidade” (KARDEC, 2022, p. 262).

Todos temos o livre-arbítrio de decidir casar ou não, mas, estar confortável com nossas decisões é o mais importante. A opção deve causar um bem a todos, e não só a nós mesmos.

É verdade que o casamento é um progresso para uma evolução, pois, a partir do momento que você, um ser que se desconhece, quer ficar por amor, junto a outro ser que, por sua vez também se desconhece, concretiza-se um ato de caridade e amor.

697. Está na lei da Natureza, ou somente na lei humana, a indissolubilidade absoluta do casamento? “É uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis” (KARDEC, 2022, p. 262).

O casamento é uma forma de manter o homem longe de atitudes primitivas e, por isso, é um progresso na humanidade. Mas, é preciso compreender que muitas pessoas ainda não entendem o verdadeiro significado do casamento e os motivos que o levam a valer a pena.


É necessário repensar: será mesmo que estou fazendo um bem à humanidade me casando com a pessoa errada ou no tempo errado?

Há que se falar ainda nos traumas que cada um de nós carrega consigo, seja de vidas passadas ou da atual, mas que têm reflexos na visão enquanto um casal. Muitas pessoas têm medo que aconteça um ciclo vicioso que cause algum problema em sua relação, seja um reflexo do casamento de seus pais, outros exemplos vistos, ou apenas sensações ruins que sejam de vidas passadas.

Como sempre estamos em evolução e progresso, mas ainda em graus muito diferentes de adiantamento, muitas pessoas fazem do casamento algo que não é valioso e não levam a sério os votos de casamento. Além disso, modificam por egoísmo, o verdadeiro significado do casamento: o amor.

Por isso, é necessário repensarmos sobre a ideia do casamento, e não procurar alguém que nos complete, mas que seja alguém inteiro e que esteja disposto a dividir a vida conosco.

A decisão de não se casar e o motivo de assim proceder, cabe a cada ser. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, há um trecho que explica a decisão:

4. Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da Lei de Deus (KARDEC, 2013, p. 279).

Assim sendo, o homem pode decidir se casar ou não, mas independente de sua escolha, que a tome com sabedoria e boas intenções, tanto para si, quanto para o próximo.

Decidir dividir sua vida com alguém é praticar as Leis de Caridade e Amor acima de tudo, pois unem-se corações que se desconhecem, mas que estão ligados por afinidade.

Quando optar-se pelo contrário, que o seja para evitar conflitos com um casamento que não seja abençoado e por motivos válidos.

A realidade é que o casamento ainda é visto como um produto de mercado e, quando não feito de maneira certa, quando não há verdade e amor, é preciso que as escolhas sejam repensadas.

Por fim, reconheçamos que o casamento tem um intuito muito importante e que deve ser levado a sério: unir dois seres que se amam e querem viver juntos para partilhar a vida a dois.

Por isso, sintonizemos com nossos Mentores para sempre ouvir o amparo dos melhores caminhos a seguir.


==========

Referências


KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB – Federação Espírita Brasileira. Brasília, 2013.


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.



1.588 visualizações

Comments


Postagens Recentes
Postagens Populares