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As Categorias dos Espíritos


Priscila Gonçalves


Tema controverso para algumas pessoas, este, é de certo modo delicado, pois a primeiro pensamento que nos vem à mente, desde nosso primeiro contato com Deus, é: “Fomos criados à Sua imagem e semelhança e Ele nos ama igual e incondicionalmente”. Sim, e isto é verdade.

Então, porque existe essa chamada classificação ou categorização dos Espíritos?

Em suma, não é porque Ele nos ama igualmente, que nossa evolução acontece simultaneamente. Em diversos outros artigos, nas obras codificadas encontramos respostas para estas questões que por vezes ainda nos assombram.


Responsáveis individualmente por nossas escolhas e também pelas consequências das mesmas, vamos plantando e colhendo, a nosso tempo e modo, a caminhada que consiste em nossa evolução.

Consequentemente, como cada espírito evolui em seu tempo, vamos melhorando de pouco em pouco, até chegar à perfeição.

Para entender melhor, a respeito, na questão de numero 100 em O Livro dos Espíritos, a Espiritualidade Superior nos esclarece a Escala Espírita. Vejamos um trecho:


100 - A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta: nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, a não ser no conjunto: de um grau a outro, a transição é insensível, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do arco-íris ou ainda nos diferentes períodos da vida humana. Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira por que se considerar o assunto. Acontece nisto como em todos os sistemas de classificação científica: os sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência; mas, seja como for, nada alteram quanto à substância da Ciência. Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores consequências. Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo: deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.


Ajuntemos ainda está consideração que jamais se deve perder de vista: entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles tudo sabem, por serem Espíritos. Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados são, como os ignorantes deste mundo, incapazes de apreender um conjunto e formular um sistema; eles não conhecem ou não compreendem senão imperfeitamente qualquer classificação; para eles, todos os Espíritos que lhes sejam superiores são da primeira ordem, pois não podem apreciar as suas diferenças de saber, de capacidade e de moralidade, como entre nós faria um homem rude, em relação aos homens ilustrados.

Doutrinariamente, contamos com três ordens, subdivididas em 10 classes, onde cada uma dessas classes representa um conjunto de espíritos dotados de determinadas qualidades e características e que se enquadram de acordo com seu grau de evolução.

No decorrer de treze questões de O Livro dos Espíritos, é explicado detalhadamente cada ordem e classe, porém, vamos sintetizar estas questões para um melhor entendimento.


Na primeira classe encontram os Espíritos puros, ou seja, aqueles que já alcançaram a completa evolução. Estes não sofrem mais nenhuma interferência da matéria, e possuem Superioridade intelectual e moral absoluta.

Na segunda ordem, integram da segunda até a quinta classe, onde predominam os espíritos de moral elevada, desejo do bem, e predomínio do Espirito sobre a matéria, o que já não é mais

Na segunda classe, encontram-se os Espíritos Superiores, como a nomenclatura explica, são os superiores perante as outras classes. Estes espíritos reúnem a sabedoria e bondade, em linguagem digna e benevolente, são dotados de amor puro, e nos orientam frequentemente quando chamados em humildade e boa fé.

A terceira classe, é composta pelos Espíritos Prudentes, que se caracterizam pela prudência, sabedoria e discernimento que lhes permite julgar com precisão os homens e as coisas.

A quarta classe, compõe-se dos Espíritos Sábios, que são dotados de amplos conhecimentos sobre diversos aspectos, e preocupam-se menos com as questões morais do que com as questões científicas.

Na quinta classe, encontram os Espíritos Benévolos, são aqueles que gostam de prestar serviços aos homens, e sua qualidade dominante é a bondade.

A terceira ordem, é a ordem dos vulgarmente chamados espíritos inferiores, os quais possuem ainda grande predominância da matéria sobre o corpo, ao contrário dos espíritos de segunda ordem. Ainda são dotados de orgulho, egoísmo e ignorância, sentimentos abjetos, moral pouco elevada, e embora às vezes façam o bem, possuem malícia, vícios e paixões que os prendem na matéria. Tendo pouco conhecimento espiritual.

A sexta classe, é composta pelos denominados Espíritos Batedores e Perturbadores, aparentemente são mais apegados à matéria dos que os outros de mesma ordem, porém manifestam-se de forma abrupta, com golpes, e barulhos perturbadores.

A sétima classe, compõe-se dos Espíritos Neutros, que, como o próprio nome diz, são dotados de neutralidade, podendo tender tanto para o bem como para o mal.

Na oitava classe, estão os Espíritos Pseudo-Sábios, que utilizam de seu conhecimento amplo para subjugar os menos esclarecidos, e sua linguagem é uma mescla de verdades e erros absurdos, repontando a presunção, orgulho, inveja, ciúme e teimosia.

Na nona classe, existem os Espíritos Levianos, que são ignorantes, malignos. Gostam de intrigar e causar problemas de toda ordem, e se comprazem no mal.

A décima e última classe, contam com os Espíritos Impuros, que são inclinados a fazer o mal, não se importando com as consequências de seus atos. Insuflam a discórdia e desconfiança, dotados de uma linguagem grosseira e inferioridade moral e até mesmo intelectual.

Podemos ver que existe nas categorias uma hierarquia, que só é alcançada o degrau mais alto com muito trabalho e estudo, deixando de lado nossos vícios mais sórdidos, nossas paixões sensuais, e transmutando nossos sentimentos inferiores em amor sublime.

Claro que não se trata de uma tarefa fácil, e nem mesmo é possível alcançar tudo em uma única vida. Alguns espíritos levam vários milênios para conseguirem chegar ao mais alto patamar da Espiritualidade.

Mas, decerto, nunca é muito tarde para modificar nosso interior e começar ou recomeçar nossa reforma íntima.

Referência:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 182. ed. [S. l.]: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA, 2009.

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