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As Promessas na Visão Espírita


Marisa Fonte


Dentre as definições de promessa, encontradas em um dicionário da Língua Portuguesa, encontramos as seguintes: 1. Declaração em que se anuncia a outrem ou a si mesmo uma ação futura ou intenção de dar, cumprir, fazer ou dizer algo. 2. Oferta ou obrigação a que alguém se compromete perante uma divindade ou um santo para obtenção de uma graça.


Podemos, então, observar que a oferta ou a obrigação está diretamente ligada à condição de que algo será feito como uma troca pela obtenção de uma graça ou de um favor. Isso significa que, de certo modo, espera-se receber algo em benefício próprio a fim de que algo seja feito para pagar o que foi recebido. Acontece, ainda que pessoas façam algum tipo de promessa para que outra venha a cumpri-la, sem que por vezes tal pessoa tenha condições, ou mesmo vontade, de realizar o prometido.


Algumas pessoas prometem deixar de comer algo de que gostam por um período de tempo, algumas prometem acender velas e fazer orações, outras prometem dirigir-se a um determinado local, e outras fazem longas caminhadas ou sobem escadas de joelhos – mesmo que talvez não tenham condições físicas que as permita cumprir tais promessas.


Vejamos alguns esclarecimentos que a Doutrina Espírita nos traz sobre este assunto, a partir de extratos dos livros da Codificação.


Para a pergunta 726 do capítulo V de O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte resposta: Os sofrimentos naturais são os únicos que elevam, porque vêm de Deus. Os sofrimentos voluntários de nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem. Supões que se adiantam no caminho do progresso os que abreviam a vida, mediante rigores sobre-humanos, como o fazem os bonzos, os faquires e alguns fanáticos de muitas seitas? (KARDEC, 2022, p. 269).


Isso significa que buscar sofrimentos e privações voluntariamente não conta nada para o progresso do ser humano, uma vez que isso seria até uma espécie de desrespeito aos desígnios de Deus e aos caminhos já traçados para nós mesmo antes da nossa encarnação. É como a pessoa que se priva de dormir dentro da própria casa por existirem aqueles que não possuem um teto. Quando entendemos que recebemos da Providência Divina aquilo de que necessitamos, confiamos, então, que se temos mais, podemos contribuir de algum modo com aqueles que possuem menos.


Continuando a resposta para a pergunta já citada, temos: Por que de preferência não trabalham pelo bem de seus semelhantes? Vistam o indigente; consolem o que chora; trabalhem pelo que está enfermo; sofram privações para alívio dos infelizes e então suas vidas serão úteis e, portanto, agradáveis a Deus. Sofrer alguém voluntariamente, apenas por seu próprio bem, é egoísmo; sofrer pelos outros é caridade: tais os preceitos do Cristo (KARDEC, 2022, p. 269-270).


Este ensinamento afirma de maneira muito clara a necessidade de fazer ao próximo todo o bem que estiver ao nosso alcance, pois agrada a Deus e socorre os menos favorecidos dentro das dificuldades por eles atravessadas. E, naturalmente, não se trata aqui somente de distribuir bens materiais, mas também de vermos o nosso próximo como um irmão dentro da grande família humana. Essa ideia é reforçada também no capítulo V de O Livro dos Espíritos, onde temos a pergunta 720 sobre serem meritórias aos olhos de Deus as privações voluntárias com o objetivo de uma expiação igualmente voluntária. Mais uma vez, a resposta dada pelos espíritos é bem objetiva, quando eles nos recomendam fazer o bem ao nosso semelhante a fim de que tenhamos mais mérito (KARDEC, 2022, p. 268).


Concluímos, portanto, que a Deus sempre agrada o que é útil e justo, e que devemos ser coerentes em relação àquilo que fazemos e que pedimos para nós. Se desejamos que as outras pessoas sejam honestas conosco devemos agir com honestidade, se esperamos que os outros nos tratem bem devemos tratar bem as pessoas que nos cercam, se esperamos que a vida seja boa para nós devemos também desejar – e fazer – o possível para que a vida do próximo seja cada vez melhor.


Fazer promessas pode ser um meio fácil de tentar obter o que se quer, mas para merecer e conseguir aquilo que se almeja é necessário ter a alma o mais limpa possível, conforme recomenda Jesus: Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, Mateus, 5:23 e 24.). Portanto, ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X, Mateus, 5:23 e 24.).


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Referências:

KARDEC, ALLAN. O Evangelho segundo o espiritismo. 3ª edição. São Paulo: Editora Petit, 1997


KARDEC, Allan; O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Editora Letra Espírita. Campos dos Goytacazes/RJ. 2022.



https://radioboanova.com.br/promessas-e-penitencias/




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