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A Vingança Vale a Pena?





Priscila Gonçalves


"Fortaleçam as mãos cansadas,

firmem os joelhos vacilantes; digam aos desanimados de coração:

"Sejam fortes, não temam!

Seu Deus virá, virá com vingança;

com divina retribuição

virá para salvá-los."

(Isaías 35: 3-4)


Uma das histórias mais conhecidas no mundo literário, onde o tema central é vingança, é a história de Conde de Monte Cristo, de autoria de Alexandre Dumas, publicado em 1846 na França. Aqui temos a narrativa sobre Edmond Dantès, um jovem marinheiro de apenas 19 anos que é preso sob falsa incriminação de agir como espião de Napoleão Bonaparte, sendo ele, na verdade, vítima de um complô de outras pessoas interessadas em ter o posto de Dantès como capitão do navio, além de tomar Mercèdès como mulher, a noiva de Dantès.


Após muitos anos preso em um castelo, Dantès consegue sua fuga da prisão, com a ajuda de um amigo que acreditou em sua inocência e o ajudou financeiramente com grande fortuna.


Ele, após alguns anos planejando a sua vingança contra as famílias e pessoas que o traíram e tentaram até mesmo tirar a sua vida, vai atrás de todos com diversos nomes, um em cada país, buscando refazer sua vida e ter o amor de Mercèdès de volta.


Esta história inspirou dezenas de novelas, séries e filmes ao redor do mundo, possuindo também adaptações para o teatro e cinema.


Espiritualmente falando, a vingança é um dos sentimentos e desejos mais inferiores que um ser humano pode ter. A vingança consome o vingador em todos os apectos possíveis: moral, emocional, mental, espiritual, resultando, possivelmente, em dores físicas.


Existindo uma colossal discrepância entre justiça e justiçamento, o segundo visa a alimentar o ego humano, suas chagas mais profundas, não considerando empatia alguma do ponto de vista do vingador, enquanto que o primeiro, visa ao equilíbrio entre punição por atos errônes cometidos e alcançar a paz de espírito do padecedor.





9. A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer dentre os homens. É, como o duelo, um dos derradeiros vestígios dos hábitos selvagens sob cujos guantes se debatia a Humanidade, no começo da Era Cristã, razão por que a vingança constitui indício certo do estado de atraso dos homens que a ela se dão e dos Espíritos que ainda as inspirem. Portanto, meus amigos, nunca esse sentimento deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e proclame espírita. Vingar-se é, bem o sabeis, tão contrário àquela prescrição do Cristo: “Perdoai aos vossos inimigos”, que aquele que se nega a perdoar não somente não é espírita como também não é cristão. A vingança é uma inspiração tanto mais funesta, quanto tem por companheiras assíduas a falsidade e a baixeza. Com efeito, aquele que se entrega a essa fatal e cega paixão quase nunca se vinga a céu aberto. Quando é ele o mais forte, cai qual fera sobre o outro a quem chama seu inimigo, desde que a presença deste último lhe inflame a paixão, a cólera, o ódio. Porém, as mais das vezes assume aparências hipócritas, ocultando nas profundezas do coração os maus sentimentos que o animam. Toma caminhos escusos, segue na sombra o inimigo, que de nada desconfia, e espera o momento azado para sem perigo feri-lo. Esconde-se do outro, espreitando-o de contínuo, prepara-lhe odiosas armadilhas e, sendo propícia a ocasião, derrama-lhe no copo o veneno. Quando seu ódio não chega a tais extremos, ataca-o então na honra e nas afeições; não recua diante da calúnia, e suas pérfidas insinuações, habilmente espalhadas a todos os ventos, se vão avolumando pelo caminho. Em consequência, quando o perseguido se apresenta nos lugares por onde passou o sopro do perseguidor, espanta-se de dar com semblantes frios, em vez de fisionomias amigas e benevolentes que outrora o acolhiam. Fica estupefato quando mãos que se lhe estendiam, agora se recusam a apertar as suas. Enfim, sente-se aniquilado, ao verificar que os seus mais caros amigos e parentes se afastam e o evitam. Ah! O covarde que se vinga assim é cem vezes mais culpado do que o que enfrenta o seu inimigo e o insulta em plena face" (KARDEC, 2023).


O perdão genuíno pode consumir nosso Espírito em luz, aniquilando as trevas. O perdão genuíno pode aliviar a dor da injustiça cometida, por mais fatigante que seja para nosso ego e nossa carne ainda tão falhos, encher-se de perdão para outrem, nos coloca em posição de afeto com o nosso próximo, compreendendo que ele também falhou consco e que Deus, em Sua infinita misericórdia e bondade, o concederá uma segunda oportunidade para redimir-se de seus atos impróprios e, esta parte da vida, não cabe a nós decidir quando e como, mas, somente o Grande Criador de tudo que pode definir como serão as penas e gozos de cada uma das partes.


A vingança não vale o esforço, o acúmulo e gasto de energia, simplesmente porque não é nossa responsabilidade definir a justiça que compete.


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Referências


  1. BÍBLIA SAGRADA ONLINE. https://www.bibliaon.com/vinganca/ - Acesso em 08/01/2024.

  2. RESUMO LITERÁRIO POR TATIANA FELTRIN: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LQ1Y9e9W1O0 – Acesso em 08/01/2024

  3. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

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