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Brasil, Coração do Mundo, Brasil da Solidariedade


Jeferson Quadros


O Brasil, nosso amado país, sempre foi reconhecido mundialmente por suas terras vastas, de clima predominantemente tropical, com paisagens encantadoras, repletas de belezas naturais, sendo também famoso pela alegria, receptividade e cordialidade de seu povo. Nossa nação pode ser analisada sob diferentes prismas dos pontos de vista geográfico, climático, político, ecológico, antropológico, etc., mas, convenhamos, há muito mais a “ver” sobre o Brasil e os brasileiros do que os sentidos físicos nos permitem notar.

 

Ressaltando a perspectiva espiritual do Brasil, relata o Espírito Humberto de Campos “Mas, se numerosos pensadores e artistas notáveis lhe traduziram a grandiosidade de mundo novo, contando “lá fora” as inesgotáveis reservas do gigante da América, todo esse espírito analítico não passou da esfera superficial das apreciações, porque não viram o Brasil espiritual, o Brasil evangélico, em cujas estradas cheias de esperança, luta, sonha e trabalha o povo fraternal e generoso…” (CAMPOS, 2018).

 

Em 1938, com o lançamento da obra Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de autoria do Espírito Humberto de Campos, recebida pela mediunidade inigualável de Francisco Cândido Xavier, foi-nos apresentado, com profundidade e beleza literária inigualáveis, o viés espiritual da organização de nosso país e das responsabilidades de nosso povo para com a Humanidade terrestre.  Esse tema, desde então, foi analisado com certa controvérsia, visto que muitos irmãos não compreenderam a profundidade dos conceitos expostos pelo Autor desencarnado e as nossas responsabilidades coletivas. Mas nada como o tempo para que compreendamos os Desígnios Divinos.

 

Paulatinamente os Propósitos Divinos referentes às Terras do Cruzeiro são alcançados, tal qual relatado na obra de Humberto de Campos, criando ambiente propício para que a empatia, a caridade e a fraternidade prosperem e se enraízem nos corações que aqui habitam.

 

Vivemos um momento onde foi possível comprovar a sensibilidade de nosso povo. Recentemente, o estado do Rio Grande do Sul enfrentou uma crise jamais vista em nossa história, crise essa causada por efeitos climáticos que trouxeram grandes volumes de chuva ao Sul do Brasil. Rios transbordaram, cidades foram inundadas, inúmeros imóveis foram destruídos, milhares de pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas, centenas de histórias de vida foram interrompidas. Neste momento ímpar da memória brasileira, defrontando as consequências catastróficas dos eventos climáticos e as tragédias que afetaram mais de quatrocentas e vinte cidades gaúchas, nosso povo sentiu-se sensibilizado, voluntariando-se à prática da solidariedade e da caridade, trazendo de forma indelével à história brasileira a prova de que somos sim o “coração do mundo”.

 

Em atitude admirável, deixando de lado ideologias políticas, raciais, de gênero e culturais, assumimos como nação o papel de obreiros da caridade, criando, através da prática dos exemplos de Jesus, a atmosfera que nos torna merecedores do epíteto de “coração do mundo” que o Cristo concedeu ao nosso País.

 

Vimos ondas de caridade provenientes de todas as regiões do Brasil convergindo em direção ao Sul de nossa nação, demonstrando que é possível pôr em prática os conselhos da Irmã Rosália, expostos por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos nos fizessem eles. Toda a religião, toda a moral se acham encerradas nestes dois preceitos. Se fossem observados nesse mundo, todos seríeis felizes: não mais aí ódios, nem ressentimentos. Direi ainda: não mais pobreza, porquanto, do supérfluo da mesa de cada rico, muitos pobres se alimentariam e não mais veríeis (...) pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças a quem tudo faltava” (KARDEC, 2023).

 

Voluntários de diversos Estados migraram em volumes expressivos, atuando em diversas frentes, no socorro às vítimas dos alagamentos, desmoronamentos e incidentes, na arrecadação e distribuição de mantimentos e roupas, na organização e manutenção de abrigos, aliando-se ao povo gaúcho nessa luta hercúlea. Salvar vidas, reparar danos, reorganizar a sociedade e oferecer um mínimo de dignidade e qualidade de vida é o objetivo geral, visto e sentido em todos os recantos do Estado.

 

É fato digno de relato que, nestas horas difíceis, tudo que poderia ser motivo de divergências foi relegado a segundo plano e todos tornaram-se iguais. Não esqueçamos que a catástrofe afeta a todos, independentemente de classe social, de posicionamento político, de preferência religiosa, de etnia e de todos os demais quesitos que servem de motivo para divisão ou preconceito em nossa sociedade. E, no momento em que os voluntários prestam auxílio às vítimas, se torna evidente a preocupação que uns têm para com os outros, promovendo a prática do bem, da caridade de forma espontânea, sem questionamentos ou discriminação.

 

Isso demonstra o progresso moral que muitos de nós alcançamos, aprendendo a concentrar forças em benefício da coletividade, relegando a segundo plano o interesse pessoal que, segundo a equipe do Espírito de Verdade registra na questão 895 de O Livro dos Espíritos, é o sinal mais característico de nossas imperfeições (KARDEC, 2022).  Esse é um fato muito importante e deve ser base de análise a ser realizada por todos nós.


Os momentos de dificuldade extrema, tais quais os que atingiram o Rio Grande do Sul, despertam na grande maioria dos indivíduos os sentimentos que se encontram em estado latente no imo do Ser.  Pessoas preocupadas com pessoas que não conhecem, além da preocupação com seus entes queridos, numa demonstração inquestionável de solidariedade e empatia.

 

Porém, nem todos são tocados pelas dores e dificuldades alheias, mantendo-se insensíveis às aflições que se proliferaram descontroladamente pelas terras gaúchas. Esta constatação nos convida a revisitar trecho da mensagem da Irmã Rosália registrada em O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde ela assevera que “a caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados” (KARDEC, 2023).

 

Esta afirmação serve de base para o diagnóstico que permite entender o motivo pelo qual muitos corações se mantêm desinteressados com o bem alheio: preocupados com as próprias necessidades, muitos irmãos nossos têm seus sentimentos anestesiados pelas necessidades egoísticas, desabilitando-se à prática da caridade, seja moral ou material, por não se permitirem preocupar com as pessoas à sua volta.

 

Por outro lado, são incontáveis os exemplos de esquecimento de si mesmo em benefício do próximo. Inúmeras pessoas deixaram suas famílias em outros Estados e partiram em direção ao Sul sem ter a certeza de que chegariam às áreas afetadas, com o objetivo de ajudar. Outros tantos trabalham diuturnamente nos resgates às vítimas, na reconstrução de estradas e cidades, mesmo tendo suas próprias residências alagadas, bens destruídos e muitas incertezas para o futuro. Exemplos de resignação, de empatia, de amor.

 

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XIII, item 11, temos a mensagem do Espírito Adolfo, Bispo de Argel, intitulada “A Beneficência”, onde encontramos um trecho que retrata perfeitamente o momento único que vivemos: “Oh! Pudésseis compreender tudo o que de grande e agradável encerra a generosidade das almas belas, sentimento que faz olhe a criatura a outras como olha a si mesma, e se dispa, jubilosa, para vestir o seu irmão! (KARDEC 2023).

 

Nos momentos difíceis que vivemos aqui no Sul, incontáveis pessoas de todo o Brasil, e mesmo fora dele, conseguem compreender o júbilo do qual fala o Espírito Adolfo, fazendo grandes esforços para auxiliar o povo sulista.

 

Nunca houve tanta preocupação com o bem-estar das pessoas como há agora. E como é lindo notar a empatia aflorando nos corações, corroborando com os propósitos de Jesus para que sejamos verdadeiramente “o coração do Mundo”. São momentos difíceis, é verdade, que trarão muitas mudanças para a sociedade e os indivíduos.

 

Estamos dando início a tempos de mudanças íntimas. Vivemos um período de transição planetária, mas também vivemos o momento de consolidação da missão do nosso povo e da nossa nação.

 

Que a fraternidade, a empatia e a solidariedade praticadas tão intensamente em prol do povo gaúcho sigam atuantes em nossos corações e mantenham-se espontâneas em nossas relações. Sigamos nos preocupando uns com ou outros sempre, conscientes de que precisamos aprender a amar, tal qual nos ensinou Jesus quando nos aconselhou que “como quereis que os homens vos façam, da mesma forma fazei vós a eles” (DIAS, 2015), fortalecendo em nosso íntimo a convicção de que através das nossas responsabilidades coletivas de povo amoroso, caridoso e fraterno que somos, poderemos mudar nossas vidas e transformar o mundo num lugar melhor.

 

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Referências:

 

1- CAMPOS, Humberto de (Espírito). Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. psicografado por Francisco C. Xavier. 34ª ed, 12ª reimpressão. Brasília/DF, 2018. FEB editora.

2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

3- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.

4- DIAS, Haroldo D. (tradutor). O Novo Testamento. 1ª edição, 3ª impressão. Brasília/DF, 2015. FEB editora.


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