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De onde viemos?



Roberto de Carvalho


“Que vosso coração não se perturbe. Crede em Deus, crede em mim também. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou para preparar-vos um lugar, e depois que me for, e que vos tiver preparado um lugar, eu retornarei, e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, vós aí também estejais. (João, 14; v. 1, 2, 3.).


O universo é formado por seres orgânicos e inorgânicos. Inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, uma vez que são criados pela simples agregação da matéria. Dentre eles estão os minerais, a água, o ar etc. Já os seres orgânicos – plantas, animais e homens – possuem órgãos apropriados à suas necessidades de conservação.


A energia que une os elementos da matéria, tanto nos corpos orgânicos quanto nos inorgânicos é a mesma e se manifesta pela lei de atração. A matéria que cria todos os corpos também possui o mesmo princípio, porém nos corpos orgânicos ela é animalizada pelo princípio vital que é, por sua vez, originário do fluido universal.


O corpo humano, além de possuir o princípio vital, que anima a estrutura orgânica, abriga o Espírito, que tem a capacidade de pensar e que é detentor do livre-arbítrio, podendo fazer escolhas, mas sempre tendo de responder pelas consequências que delas advenham. Essa situação não ocorre com os animais, uma vez que esses não possuem a capacidade de refletir sobre suas ações e agem sempre de modo instintivo.


Assim, podemos dizer que há dois elementos gerais no universo: o elemento material, que cria os corpos físicos, e o elemento inteligente, que atua sobre o Espírito. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, assim como os corpos são a individualização do princípio material e tanto um elemento quanto o outro são criações de Deus.

As formações orgânicas passam por transformações periódicas, podendo, de tempos em tempos, por meio de variações moleculares, apresentar aspectos completamente diferentes do aspecto inicial. Isso não ocorre com o Espírito, pois este, uma vez criado, será sempre Espírito e sua modificação ocorrerá apenas no campo moral e intelectual à medida em que for galgando novos degraus de conhecimento e evolução.


Desse modo podemos dizer que a formação física que envergamos para interagir no plano material tem sua origem no fluido universal; que a força anímica que nos move provém da combinação entre fluido universal e princípio vital. Já na condição de seres inteligentes originamos do Plano Espiritual, do qual somos parte inseparável e para o qual retornamos sempre ao fim de cada período reencarnatório.


Portanto a pergunta “de onde viemos?” pode ser respondida desse modo: Não apenas viemos, como seguimos vivendo no todo universal, pois Jesus afirmou que: “há muitas moradas na Casa de meu Pai”. Como Espíritos imortais criados por Deus, jamais deixamos de habitar algum lugar do espaço infinito, seja ele de ordem material ou espiritual.


O fato de não nos lembrarmos – uma vez que estamos protegidos pela lei do esquecimento – não significa que não existíamos antes de aportarmos na Terra para a atual reencarnação. E, assim como as aves de arribação retornam ao ponto de origem após o período em que se ausentaram por premente necessidade, também nós retornaremos à pátria de origem, depois de termos cumprido, por imposição da lei da reencarnação, mais uma fase de provação e aprendizagem.

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Referência

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

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