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Tópicos

Influência dos Espíritos Sobre os Acontecimentos da Vida


Ana Paula Januário


“Os Espíritos exercem uma influência sobre os acontecimentos da vida?”


É uma pergunta que normalmente temos dúvidas, assim como Allan Kardec teve e levantou esse questionamento que consta na questão 525 de O Livro dos Espíritos, na qual a resposta foi: “Seguramente, visto que te aconselham”. E complementa com outra pergunta:


“Eles exercem essa influência de outro modo que pelos pensamentos que sugerem, quer dizer, eles têm uma ação direta sobre o cumprimento das coisas?”

E os Espíritos respondem: “Sim, mas eles não agem, nunca, fora das leis da Natureza”.


E Kardec comenta a resposta dos Espíritos:


Imaginamos injustamente que a ação dos Espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão se reencontrar por acaso; eles inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão sua atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que querem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre seu livre-arbítrio".


Tendo em mente essas informações, entende-se que a influência dos Espíritos é ocorrência comum, já que estão frequentemente presentes em nossas vidas e formam outra população que está em contínua troca conosco, encarnados; até porque invisibilidade dos Espíritos não significa ausência deles. Para compreender melhor essa influência entre Espíritos desencarnados com encarnados, mentalizamos todos os seres, mergulhados no fluido universal que ocupa o espaço, que vibra sob a ação do pensamento e da vontade (ESE: Cap. 27, item 10), é nesse processo que cada criatura funciona ao mesmo tempo, como uma fonte receptora e geradora das energias ou vibrações espalhadas no universo.


Dessa forma, “os Espíritos conhecem aquilo que quereríeis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos os podem ser dissimulados” (KARDEC, 2008, questão 457). É nessa ação que nos influenciam para o bem ou para o mal de acordo com suas intenções e nossas disposições morais, pois eles estudam nossas virtudes e fraquezas. Em consequência disso, saber distinguir um pensamento sugerido de um bom ou de um mau Espírito é de suma importância principalmente para nossa saúde mental, pois a maioria dos desequilíbrios mentais, da instabilidade emocional e sentimental, são originados ou têm grande contribuição de Espíritos perturbados ou vinculados ao mal. Os bons espíritos não aconselham senão o bem. Cabe a nós a distinção (KARDEC, 2008, questão 464).



Em consequência disso, muitos podem se perguntar:


“Por que Deus permite que os Espíritos nos excitem ao mal?”


Foi exatamente a pergunta que Kardec fez aos Espíritos e consta na questão 466 de O Livro dos Espíritos e recebeu como resposta:


Os Espíritos imperfeitos são instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens no bem. Tu, sendo Espírito, deves progredir na ciência do infinito e é por isso que passas pelas provas do mal para alcançar o bem. Nossa missão é de colocar-te no bom caminho, e quando as más influências agem sobre ti é que as atrais pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em tua ajuda no mal, quando tens vontade de praticá-lo. Eles não podem te ajudar no mal senão quando queres o mal. Se és propenso ao homicídio, terás uma multidão de Espíritos que manterão esse pensamento em ti; mas, também, terás outros que se esforçarão em te influenciar no bem, o que faz restabelecer a balança e te deixa o comando”.


Portanto, Deus que é justo e misericordioso, sempre nos deixa à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir, e a liberdade de ceder a uma ou a outra das influências contrárias que se exercem sobre nós (KARDEC, 2008, questão 466). Temos a capacidade de identificar os nossos pensamentos e a responsabilidade de vigiá-los.


Vale lembrar também, que a influência dos Espíritos não é apenas dos Espíritos imperfeitos, muitos Espíritos bons também nos influenciam, nos inspiram, mas tudo depende de como estamos pensando: "Se pensamos coisas boas, atraímos bons Espíritos que nos inspiram pensamentos bons. Se pensamos coisas ruins, atraímos Espíritos vinculados ao mesmo tipo de pensamento e ideal".


Concluindo que independente da influência, cultivarmos bons sentimentos e pensamentos, realizar constantes preces e colocar em prática a caridade são os mais poderosos instrumentos para afastar o mal e atrair bons Espíritos. Assim como aconselharam os Espíritos na questão 469 de O Livro dos Espíritos:


Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos Espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos, sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis porque Jesus nos faz dizer na oração dominical: “Senhor! não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal”.


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REFERÊNCIAS


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008.