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Nossas Cicatrizes e o Chamado ao Trabalho



Por: Aryanne Karine


Todos nós, irmãos, que estamos vivendo aqui no orbe terrestre temos nossas mazelas, nossas dores e que, por muitas vezes, parecem infindáveis. Passamos por muitos momentos de angústias, que nos furtam a esperança e que por vezes, pode parecer um fardo pesado para nossos ombros. Até que encontramos o consolador prometido por Cristo quando disse “E eu rogarei ao pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, O espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” ¹ e junto com os ensinamentos da doutrina espírita e do Consolador prometido por Cristo, sabemos que os fardos que escolhemos carregar no decorrer de nossa caminhada são frutos de nossas próprias escolhas, sejam elas na espiritualidade enquanto programando a nossa reencarnação, ou durante nossa trajetória terrena, semeando o sofrimento que colheremos no futuro com ações contrárias ao nosso progresso.


Tendo isso como princípio, temos a certeza de que não existem injustiças e que nosso Pai é misericordioso e justo, dando-nos oportunidade de colher os frutos de nossas escolhas. Quando estudamos a doutrina espírita e conseguimos racionalmente entender os porquês das circunstancias, conseguimos compreender que compete somente a nós, a mudança de ações necessárias para voltarmos à estrada da evolução, que por muitas vezes nos desviamos.


Porém, estando no caminho ou não de nosso progresso como espíritos eternos, vamos sempre passar por momentos de aflições e bem-aventurados são os aflitos, pois é através da dor que alcançamos o discernimento necessário para crescermos como seres e termos um olhar mais misericordioso sobre os nossos irmãos. Como poderíamos compreender a dor de nosso próximo se não as tivesse sofrido? Como poderíamos servir de instrumento no trabalho de Cristo se não pudéssemos nos compadecer do sofrimento alheio?


Jesus têm um chamado para todos os aflitos que estão seguindo o seu caminhar, o trabalho. Somos instrumentos onde através de nós, cristãos, podemos consolar os corações carregados de dor que nos rodeiam. Se usarmos de nossas feridas cicatrizadas para ajudar a curar a ferida de nosso irmão, estamos colocando em prática o maior ensinamento que Cristo nos deixou: o amor. E isso é ricamente explicito no Evangelho Segundo o Espiritismo, onde na passagem que fala sobre beneficência, podemos encontrar a seguinte mensagem: “É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio contra as aflições da vida. Oh! Quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar abaixo de vós; vede quanta miséria a aliviar, quantas pobres crianças sem família; quantos velhos que não têm mais uma só mão amiga para os socorrer e lhes fechar os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! (...)


A alma não pode se elevar nas religiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; ela não encontra felicidade e consolação senão nos impulsos da caridade; sede bons, sustentai vossos irmãos, deixar de lado a horrível chaga do egoísmo (...)”²


A humanidade será capaz de progredir quando conseguir compreender essa máxima da caridade não só a de doar algo material para saciar a sede que o nosso espírito possui de fazer o bem, mesmo que não o façamos, mas de doar-se por inteiro ao nosso irmão, de nos mostrar dispostos a amar e a auxiliar no processo de cura de suas feridas, sejam elas materiais ou espirituais.


E mesmo que nós estejamos passando por momentos de dores, é esse o chamado que Cristo tem para nós, espíritas, que entendemos a sua verdade e sabemos o que é verdadeiramente a vida após nossa momentânea passagem terrena. Se abster a nossa dor e esperar que o mundo alivie o nosso fardo é uma decisão egoísta quando abrimos os olhos para o nosso redor e vemos quanto sofrimento existe ainda maiores que os nossos acontecendo com nossos irmãos. Para isso é necessário de fé, para saber que o mesmo Deus que nos sustenta é o que coloca em nosso caminho a pessoa que precisa de nossos sustendo.


Ainda existem muitas pessoas com pouca fé, ainda existem muitos espíritos que não despertaram para o lado espiritual, que ainda não compreendem o quão importante é cuidar de nossa saúde não só física, mas do nosso espírito. E Deus nos coloca no caminho dessas pessoas, muitas vezes de pessoas com o mesmo sofrimento que o nosso, para que possamos servir em seu nome e levar o tamanho de sua imensidão. Assim como menciona o último trecho do capítulo ‘Bem aventurados os aflitos’ também do Evangelho Segundo o Espiritismo: “Esses sofrimentos podem ser proveitosos a outrem, material e moralmente. Materialmente, se, pelo trabalho, provações e sacrifícios que se impõe, contribuem para o bem-estar material do próximo; moralmente, pelo exemplo que dão de sua submissão à vontade de Deus. Esse exemplo do poder da fé espírita pode estimular os infelizes à resignação, salva-los do desespero e de suas funestas consequências para o futuro.”³


A nossa fé e resignação em momentos de dor, ao levar consolo ao nosso irmão que também sofre, é a maior prova do poder grandioso da fé e da coragem que nosso modelo e guia Jesus quis nos deixar como exemplo. E nós, que hoje estamos no meio dessa doutrina consoladora, somos os chamados para demonstrar a lição de amor e caridade que a mais de dois mil anos Cristo nos ensinou e ainda pouco se aprendeu sobre. Somos capazes de ressignificar a vida do nosso irmão levando um amparo em suas feridas e ajudando-o a cicatrizar as suas dores, por muitas vezes sendo responsáveis por dar um novo olhar para este irmão de sua própria vida.


Não se trata de não necessitarmos de um consolo ao nosso sofrimento, trata-se de entender que assim como somos consolados, seja espiritualmente ou por alguém aqui na carne, temos o dever e a obrigação de consolar os que aparecem em nosso caminho. Pois a partir do momento em que temos o entendimento da mensagem que a doutrina espírita nos traz, não somos só responsáveis pelo mal que não praticamos, mas também pelo bem que deixamos de fazer. Seremos cobrados após nosso retorno ao plano espiritual de acordo com as oportunidades que nos foram dadas em nosso progresso e como as aproveitamos. O chamado para os espíritas é de colocar em prática tudo aquilo que o evangelho de Jesus nos traz, todo o amor que Ele quer que aprendemos a ter pelo nosso próximo assim como para nós mesmos. E por mais que pareça difícil, não esqueçamos que a espiritualidade sempre está disposta ao lado dos que se dispõe a ajudar. Não devemos temer e sim, crer somente.


“A vida é difícil, eu o sei; ela se compõe de mil nadas que são picadas de alfinetes que acabam por ferir; mas é preciso considerar os deveres que nos são impostos, as consolações e as compensações que temos por outro lado, e, então, veremos que as bênçãos são mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado quando se olha do alto, do que quando se curva a fronte para o chão.”


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Referências:

¹ A BÍBLIA – João 14:16-17 ² KARDEC, Allan , Evangelho Segundo o Espiritismo; tradução Salvador Gentile, Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 2004. Pg 173 ³ KARDEC, Allan , Evangelho Segundo o Espiritismo; tradução Salvador Gentile, Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 2004. Pg 95 4 KARDEC, Allan , Evangelho Segundo o Espiritismo; tradução Salvador Gentile, Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 2004. Pg 125


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