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O Embate Entre o Ódio e o Amor



Hoje a alguns quilômetros do meu trabalho morreu um rapaz ao tentar assaltar um policial a paisana. Li muitos discursos cheios de ódio e desprezo à vida do mesmo, “menos um”, “mais um que foi visitar o capeta mais cedo”, entre tantos outros.

Fiquei tão paralisada com a situação que não consegui argumentar num meio tão cheio de puro ódio. Pensei em como pessoas que se dizem cristãs, evangélicas, católicas, espíritas podem falar de um espírito que erra de uma forma tão cruel de desumana.

Vivemos tempos difíceis onde à humanidade perdeu um pouco do seu olhar de empatia para com o próximo. As pessoas usam as redes sociais sem pudor algum destilando o seu pior argumento sem ao menos se colocar no lugar do outro. Não estou defendendo bandido, mas sim o ser humano, que são coisas distintas.

É claro que ele teve suas escolhas, já que somos dotados do livre arbítrio. Que ele como tantos outros preferiram o mundo do crime e que também sabemos que para muitos o final é a morte brusca e violenta. O que discuto é o discurso de ódio, o “sangue nos olhos”, a teoria do olho por olho em que um crime deve ser punido com o mesmo crime.

Já dizia o personagem fictício Batman que “quando uma pessoa mata um assassino o número de assassinos continua igual.”

Jesus já dizia “meu pai não quer a morte do ímpio, mas a morte da impiedade.” Percebemos a preocupação de Jesus com o fim das condições para a falta através da evolução do espírito, e não para o faltoso.

A culpa seguira o culpado até que este consiga por boas obras ou expiação reparar o mal que outrora realizou. Tanto o bem como o mal são bagagens interiores do individuo e só ele através do seu livre arbítrio fará uso de uma delas.

Ninguém sofre ou é feliz se não o fez por merecer. Se conseguem superar as amarras do passado e perdoar terá no futuro a certeza de uma consciência pura.

“É a consciência que dá ao homem a capacidade de perceber a realidade da sua própria existência, mas, também, a de fazer o registro de suas ações, dos seus desejos e pensamentos, de sua vida, enfim, bem como do direcionamento da sua vontade.” Portanto, o individuo que de acordo com sua evolução espiritual fará as escolhas que o levarão a evolução ou ao apego das coisas da Terra e incorrer no erro.

As situações de violência em que o mundo está inserido bem como nas mazelas que afligem muitos, seja pela escolha ou pela imposição de outrem, só permanecem pela insistência de muitos espíritos que pela culpa e a negação do bem nos mantendo enquanto planeta, em uma vibração que nos impedem de tornar essa morada um lugar melhor, de regeneração e não de expiação como atualmente é.

“Enquanto os bem aventurados resgatam, redimindo-se, os oportunistas infantilizados pela acomodação ao atraso, ao erro premeditado, atiram farpas e espinhos pelos caminhos que terão de trilhar, logo mais, de retorno às avenidas do progresso espiritual.”

Todos os que nascemos nesse momento neste planeta temos algo a ser resgatado que nos impede a felicidade plena. No entanto não devemos esmorecer. Cada um em seu processo de evolução deve buscar junto ao Criador as forças para vencer as batalhas e provas que nos são oferecidas, visto que tudo passa.

“A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais do que o culpado. Oh, homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?”

“Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros.”


Albert Einstein já dizia que “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Ao vermos e dizermos que bandido bom é bandido morto, estamos deixando tudo o que Jesus nos ensinou sobre o perdão e refutando seu primeiro mandamento. Sei que em algumas situações como a de hoje, onde a vítima era um policial e o mesmo reagiu pelo instinto de sobrevivência e de proteção a sua família não devemos, no entanto, fazer do fato uma perpetuação desse estigma de olho por olho, dente por dente, visto que a justiça existe para a correção do individuo. Se ela é falha, cabe aos homens lutarem para que estas sejam corrigidas e dar a oportunidade da autocorreção.

Vivemos em uma sociedade que tem como premissa a construção de presídios quando uma nação que procura de fato o bem estar de seu povo prima pela educação, saúde e bem estar social. Isso só acontece quando esse Estado faz jus aos impostos pagos e faz bom uso desses recursos. Onde o ser humano tem a possibilidade de pagar por seus erros e ser reintegrado a sociedade.

Pois meus irmãos "atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado" (Evangelho de João, capítulo 8). Não é fácil e quem o diz que é esta incorrendo em falta, mas é a busca constante de colocar em prática o que nos diz o evangelho que nos aproxima mais da forma perfeita a que Deus sonha conosco.

*Juliana Procopio é colunista voluntária do Blog Letra Espírita. Leia outros artigos de sua autoria clicando aqui.

#JulianaProcópio #Amor #Odio

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