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O Entendimento Espírita da Cremação


Guilherme Carvalho


Desde os tempos primevos da Humanidade, onde sem desenvolver a consciência sobre o Divino, atracavam-se os seres em busca de angariar territórios, posições, mesmo que inconscientemente, sempre esteve a criatura em posição de ter, e não ser. A morte como sendo o ciclo natural que encerra uma experiência, é tida por alguns povos como algo escabroso, uma verdadeira coroação aos maus desígnios do Divino. Entre fenômenos naturais e mitológicos, a forma como se morre opera incerteza sobre cada um que, à medida do tempo, reflete mais continuadamente no que lhe resta.

 

O povo egípcio, crendo ser o corpo a morada da alma, conservavam-no para mais além usufruírem de suas posses, atualizando-se quanto as questões reencarnacionistas, porém, errando quanto as posses. O suicídio, para eles, simbolizando a covardia moral, não era tolerado. Os maias, por sua vez, crendo também na perpetuação da alma, ofereciam diversas oferendas, assim como outras tantas civilizações que estão registradas em nossa história.

 

Questionando-se sobre o desprendimento do Espírito da roupagem física, elucidam os Espíritos Superiores em O Livro dos Espíritos à Allan Kardec, na questão 156: “Não; a alma se desprende gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a que se restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte que o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram” (KARDEC, 2022, p. 98).

 

Emmanuel, Emérito Contribuidor do Espiritismo, instrui-nos em sua obra O Consolador, na questão 151: “Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluídos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material” (XAVIER, 2021, P. 56).


Desta forma, consideremos o tempo percorrido na existência orgânica como profunda e “única” oportunidade, dando ensejo ao labutar que nos cabe, arrependendo-nos como inspirava João, O Batista, para que quando o Cristo nos chame novamente para o Lar, possamos então ter contribuído na sua Seara, aprimorando a nós mesmos e servindo de exemplo para nossos irmãos.

 

Trabalhemos servindo e que servindo possamos compreender a verdadeira caminhada dos Emissários Celestes, exemplos para nós na atualidade que se soergueram das suas fraquezas morais tomando o Cristo como Pastor.

 

Tratarmos o corpo com respeito é certo, mas, não devemos priorizá-lo perante os anseios do Espírito, que deseja ardentemente libertar-se das amarras ora adrede, e só assim, planaremos no alvorecer de um novo estágio para fazer brilhar da escura sepultura, a luz fulgurante que produz o bem em nossas vidas.

 

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Referências

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

 

XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. FEB – Federação Espírita Brasileira. 2021.



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