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O Livre Arbítrio


Rafaela Paes

Livre-arbítrio, expressão tão utilizada nos dias atuais, mas será que plenamente compreendida? Mais uma vez, socorremo-nos ao Livro dos Espíritos para entender tal instituto tão presente na vida de cada um de nós.


Questão 843 – O homem tem o livre-arbítrio dos seus atos?

Resposta – Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma máquina.


A primeira questão deste estudo deixa claro que o livre-arbítrio é faculdade inerente ao ser humano, ou seja, ele possui a liberdade de agir e, consequentemente, possui a liberdade de agir de acordo com o seu pensamento, e isso inclui o bem e o mal, o certo e o errado.


Questão 844 – O homem goza do livre-arbítrio desde o seu nascimento?

Resposta - Há liberdade de agir desde que haja liberdade de fazer. Nos primeiros tempos da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades. A criança, tendo pensamentos relacionados com as necessidades de sua idade, aplica seu livre-arbítrio às coisas que lhe são necessárias.


Neste ponto, a Espiritualidade explica que o livre-arbítrio passa a existir efetivamente em nós quando adquirimos a liberdade de fazer. Isso significa dizer que quando bebês, a liberdade que nos é concedida é quase nula, diante do fato de que não há liberdade para se fazer por questões quase que totalmente biológicas. Conforme se cresce, o livre-arbítrio se desenvolve de acordo com as possibilidades de cada fase da vida.


Questão 845 – As predisposições instintivas que o homem traz ao nascer, não são um obstáculo ao exercício do livre arbítrio?

Resposta - As predisposições instintivas são as do Espírito antes de sua encarnação. Conforme for ele mais ou menos avançado, elas podem solicitá-lo para atos repreensíveis, e ele será secundado nisso pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições, mas não há arrebatamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.


Interessante ponto, em que se verifica que o instinto é parte de nós enquanto Espíritos, e são resquícios de situações vividas em vidas passadas. Entretanto, é sabido que querer é poder, ou seja, se nosso desejo como seres humanos dotados de inteligência é não sucumbir a esses instintos, há como resistir.


Questão 846 – O organismo não exerce influência sobre os atos da vida? Se ele exerce influência, não o faz com prejuízo do livre-arbítrio?

Resposta - O Espírito, certamente, é influenciado pela matéria que o pode entravar em suas manifestações. Eis por que, nos mundos onde os corpos são menos materiais, que sobre a Terra, as faculdades se desdobram com mais liberdade, mas o instrumento não dá a faculdade. De resto, é preciso distinguir aqui as faculdades morais das faculdades intelectuais; se um homem tem o instinto de homicida, é seguramente seu Espírito que o possui e que lho transmite, mas não seus órgãos. Aquele que anula seu pensamento para não se ocupar