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O Processo de Luto


Lívia Couto


"A vida não termina onde a morte aparece. Não te transformes saudades em fel nos que se foram. Eles seguem contigo, conquanto de outra forma dá-lhes amor e paz. Por muito que padeças. Eles também te esperam procurando amparar-te. Todos estamos juntos, na presença de Deus” (Emmanuel).

 

O processo de luto deve ser compreendido como uma etapa natural de nossa jornada, marcada pela separação temporária dos entes queridos e seus corpos físicos. Como bem sabemos, a morte não é o fim, mas sim uma passagem para outra dimensão da existência. Dessa forma, o luto deve ser encarado como um período de adaptação e aprendizado tanto para aqueles que permanecem na esfera terrena quanto para o Espírito que parte.

 

Chico Xavier, abordava o tema do luto em suas obras psicografadas e enfatizava a importância da compreensão da imortalidade da alma e da continuidade da vida após a morte. Para Chico (2014), o luto deveria ser vivenciado com resignação e esperança, pois a separação física não representa o fim do vínculo afetivo, mas sim uma transformação na forma de manifestação desse afeto. Nesse sentido, Divaldo Franco (2017), também nos demonstra a importância da resignação e da compreensão da vontade divina durante o processo de luto. Ele destaca a necessidade de enxergar a morte como um renascimento espiritual, uma transição que nos conduz a Planos Superiores de existência.

 

Entretanto, sendo seres humanos, carregamos a imperfeição inerente à nossa condição, e o processo de luto inevitavelmente nos atinge de maneiras diversas. Mesmo aqueles que seguem os princípios da Doutrina Espírita podem, em alguns momentos, sucumbir à fragilidade emocional, experimentando momentos de desespero e inconformidade diante do desencarne de um ente querido. Allan Kardec (2022), reconheceu a complexidade das emoções humanas diante da perda e ressaltou a importância do amparo fraternal entre os que permanecem na dimensão terrena.

 

Dessa forma, é válido lembrar que a vivência do luto não representa um fracasso na fé Espírita, mas sim uma expressão da complexa e profunda natureza das emoções humanas. O Espiritismo, ao oferecer consolo e esclarecimento sobre a vida após a morte, também proporciona ferramentas para lidar com as dores e desafios emocionais inerentes ao processo de despedida. Segundo Emmanuel: “ante aos mortos queridos, faze o silêncio e ora” (XAVIER, 1987, p. 22).

 

Além de ser uma ferramenta essencial para a comunicação com o Plano Espiritual, a prática da oração também deve ser compreendida como um meio de promover a autotransformação e o aprimoramento moral do indivíduo. O processo de oração, não se limita a uma fórmula mecânica de palavras, mas envolve a qualidade dos sentimentos e a sinceridade do coração. André Luiz (1992), ressaltou a importância de uma prece verdadeira e desprovida de interesses egoístas, destacando que a pureza das intenções é vital para estabelecer uma ligação efetiva com as esferas espirituais.



No cotidiano, a prática da oração é recomendada não apenas nos momentos de adversidade, mas como uma constante na vida das pessoas. Kardec (2022) enfatizou que a comunicação com as entidades benevolentes não ocorre apenas em situações de desafio, mas também nos momentos de serenidade e gratidão. A oração, assim, é vista como uma forma de manter uma conexão contínua com o Plano Espiritual, fortalecendo o indivíduo para enfrentar os desafios da existência terrena, buscando sempre a harmonização com as Leis Divinas e a elevação espiritual.

 

Mesmo ao compreendermos que a vida continua e que é necessário seguir adiante em nossa jornada, vislumbrando o reencontro futuro com nossos entes desencarnados, é crucial reconhecer que o processo de luto não se desenrola de maneira linear e constante. Ele pode ser cíclico, apresentando fases de avanço e retrocesso. As pessoas podem demandar períodos diferentes para atravessar essa jornada, e a intensidade dos sentimentos pode oscilar consideravelmente. Por isso, é essencial entender que o luto é uma experiência profundamente individual, com cada pessoa enfrentando a perda de modo único. A busca de apoio, seja por meio de amigos, familiares, religião ou por meio de profissionais de saúde mental, revela-se inestimável nesse período desafiador.

 

A visão Espírita do processo de luto, portanto, oferece uma perspectiva consoladora, promovendo a compreensão da morte como parte integrante da jornada do nosso processo evolutivo. Ao invés do desespero diante da perda física, deve-se encontrar conforto na certeza da continuidade da Vida Espiritual e na esperança de reencontros futuros.

 

Desse modo, a superação do luto no contexto Espírita, muitas vezes, envolve não apenas a compreensão intelectual dos ensinamentos doutrinários, mas também o apoio mútuo, a solidariedade e a busca constante por fortalecimento espiritual. Nesse caminho, como já dito, a oração desempenha um papel significativo, não apenas como um meio de comunicação com o Plano Espiritual, mas como uma fonte de conforto e amparo diante das dificuldades emocionais inerentes à experiência humana.

 

Mas como devemos agir diante do aperto da saudade, quando sentimos que será difícil suportar? Inicialmente, é essencial acalmar nossos corações, recorrendo à prece para pedir paciência e resiliência, para que possamos enviar amor e carinho em pensamentos para aqueles que se foram. Ao direcionarmos essas meditações, proporcionamos benefícios tanto para quem emite quanto para quem recebe essas energias. Do outro lado, aqueles que as recebem sentem essa vibração, o que os auxilia em sua trajetória de progresso. Assim, devemos deixar que a vida siga seu curso e o reencontro, seja através da reencarnação ou no Plano Espiritual, acontecerá um dia. Devemos ter a compreensão de que é apenas uma questão de tempo, pois esse entendimento beneficia a todos àqueles que permanecem na Terra e àqueles que retornaram à pátria espiritual.

 

Por fim, aos irmãos e irmãs que enfrentam o doloroso momento da perda de um ente querido, sugiro que elevem seus pensamentos e suas preces a Deus, a Jesus e toda a Espiritualidade, solicitando coragem e paciência. Como enfatizado por Chico Xavier (2022), coragem para persistir na superação das adversidades do trajeto e paciência para não sucumbir ao desânimo diante das fragilidades. E recordem-se sempre: isso também passa!

 

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Referências:

 

1- CHICO PARA SEMPRE. Direção: Wagner de Assis. Produção Documentários Cinética. Ancine: Agência Nacional do Cinema, Brasília, 2022. Disponível na Star+. (120 min.).

2- FRANCO, Divaldo. Vivências do amor em Família. Salvador: Editora LEAL, 2017.

3- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

4- XAVIER, F. C. Além da vida e da morte. São Paulo: Editora Escala, 2014.

5- XAVIER, F. C. Fonte de Paz. Por Espíritos Diversos. São Paulo: Editora Ide, 1987.

6- XAVIER, F. C. Nosso Lar. Pelo Espírito André Luiz. 45. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1992.

7- XAVIER, F. C. O Essencial. Pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 2019.

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